Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

18 de set. de 2012

Reação em cadeia.



"Quem não reagiu está vivo". Estas foram as palavras do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para explicar a morte de nove pessoas numa ação da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). NÃO REAGIR. Infelizmente esta tem sido a realidade de quase todos nós moradores de cidades grandes e, recentemente, das cidades próximas às cidades grandes. Já não temos mais certeza se sairemos vivos de um simples acidente de veículos, não pelo acidente em si, mas pela reação do outro motorista. Uma simples fechada, às vezes até mesmo por um pequeno descuido, pode ser uma tragédia, dependendo do estado de espírito, ou da arrogância, ou valentia do outro motorista.

Estamos vivendo dias que se alguém pisar no seu pé, você deve pedir mil desculpas por ter colocado o seu pé debaixo do dele e, quem sabe, até se prontificar imediatamente a pagar todas as despesas dele para um tratamento psicológico, e ajuda-lo a se refazer do trauma que você causou por seu pé estar no lugar errado, na hora errada, debaixo do pé errado.

Por mais que se queira criticar, o senhor Alckmin está certo. Reagir para que? Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Ou, mata quem pode, reage quem não tem juízo. Sei lá. Mas é assim que os nossos dias estão ficando. Os valores estão ficando todos invertidos. Mentira não é mais mentira. Errado é ser honesto, pois quando aparece um honesto ele é tido como um herói nacional. Correto é “dar volta” nos outros, trouxa é quem não dá. Fidelidade? Fala sério, só com seu time de coração. Respeito? É bom e eu gosto que tenham por mim. Como dizia o refrão da música “Eu me amo” do Ultraje a Rigor: “Eu me amo, eu me amo. Não posso mais viver sem mim”. Os outros? Quem são eles?

É por isso que não queremos mais CPI nenhuma. Para que? Para ficarmos com caras de bobos ao ver que tudo acaba em pizza? Estamos vendo nos noticiários que fulano e beltrano estão sendo condenados e irão presos. E estamos acreditando. Quantos já foram presos em outras ocasiões? Quantos estão lá em Brasília que já viveram processos parecidos e continuam lá. Ou voltaram para lá.

As vezes bate um desânimo tremendo e achamos que na realidade o Governador de São Paulo tem razão. Reagir para que? Para morrer de raiva? Afinal, são eles quem votam em tudo. São eles que criam suas leis, e projetos, e sei lá mais o que, que só favorece às suas lambanças. E nós, pobres mortais, ficamos aqui no limbo aguardando dias melhores. Somos democraticamente empurrados para as urnas para votarmos quase sempre nos mesmos, até por que não aparecem outros. Quando aparecem não nos fazem acreditar que são sérios, como muitos que estão ai em campanha. Estamos sempre crendo que aqueles mesmos podem agora agir diferente. Quanta inocência!!!

Não estou aqui pregando nenhuma revolução armada. Não quero que digam que sou um baderneiro. Muito pelo contrário. Não vamos dar mais motivos para que os Alckmins da vida digam que os que não reagiram estão vivos.

O nosso manual do fabricante, a Bíblia, nos mostra que reagir é, sim, o que temos que fazer. Penso que não reagir é se conformar. E conformar é se tornar cúmplice. E cumplicidade com o mundo não é o que Deus espera de nós. Talvez por já termos sofrido tanto com essa situação estapafúrdica, achamos que não há mais solução. Pior, acreditamos que tudo se resolverá com um número qualquer digitado numa urna. Cremos que esta é a forma que temos para mudar esta situação, até porque é isso que temos ouvido. A propaganda mentirosa nos faz acreditar que é só digitar os números enfadonhos que tudo será transformado como num passe de mágica. E nós acreditamos.

Creio que a reação para mudarmos essa bagunça é a mesma que já foi usada na Bíblia. Clamor ao Senhor Deus que tudo pode transformar. Quando vejo a história daquele povo separado por Deus, que quando estava em apuros recorria ao Senhor, e ele levantava homens, conforme sua vontade, que transformava a situação, penso que também precisamos fazer isso. Precisamos como igreja do Senhor nos debruçarmos sobre esta questão, sem medo de sermos politicamente incorretos, mas com ousadia para sermos espiritualmente corretos.

Eu recomendaria um mergulho nas palavras do apóstolo Paulo que orienta aos romanos: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 22:12).

Diferentemente do mundo não devemos votar em candidatos, mesmo que sejam “crentes”, só pensando nos benefícios que eles trarão às nossas igrejas. Fazer barganhas como algumas fazem. Apoio em troca de terrenos, de iluminação melhor na porta da igreja ou sei mais o que. Esta é a forma do mundo. Quando vejo igreja e pastores apoiando este ou aquele candidato, fico preocupado com qual a intenção por trás desse apoio. O que tenho visto até agora não me alegra nada.

Creio que igrejas sérias podem e devem investir tempo em seus cultos, em suas diversas programações focando este tema que é de tão grande importância. O nosso medo de sofrermos represálias nos faz concordar com o senhor Alckmin, e fingirmos de mortos, para não morrermos. A transformação das nossas mentes deve passar também por esclarecimentos com relação a estas coisas. Pastores, líderes, ou seja quem for, devem esclarecer o povo de Deus a respeito desse dever cívico, a luz da Palavra de Deus. Orientar seus fiéis a serem fiéis. Resistirem às tentações que surgem nestas épocas que podem engodar a muitos.

Na matança lá em São Paulo, melhor mesmo foi não reagir. Mas essa regra não se ajusta à nossa realidade. Se não reagirmos morreremos de tédio vendo se repetirem, em dias vindouros, todas as cenas que temos visto em Brasília nestes dias, e que já vimos tantas outras vezes. Se não reagirmos seremos cúmplices de tudo isso. Se não reagirmos, nossos filhos, nossos netos e outros depois deles irão sofrer nossa atitude politicamente correta de não intervirmos nesta farra toda.

Se começarmos a tomar atitudes, aqui e ali, outros verão que existem pessoas com uma mente renovada, que não querem tomar a forma do mundo podre que está ai, e se unirão. Graças a Deus já tenho visto alguns esboços de reação em algumas igrejas, mas são tão poucas.

“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21). A quem devemos honra? Precisamos confiar verdadeiramente em Deus e em suas promessas, e não ficarmos preocupados com as reações que poderemos sofrer. Confiamos ou não confiamos no Deus que amamos. Seria Ele menos poderoso do que os nossos políticos? Alguns políticos até se acham.

Minha oração é que uma reação em cadeia aconteça; que haja um contagio deste vírus saudável de descontentamento com esta situação e se espalhe pelas igrejas. Que haja um clamor nacional, fervoroso, diante de Deus, pedindo sua interferência na direção da nossa Pátria. Que ele mesmo levante homens de caráter, homens segundo o seu coração, que sirvam ao seu propósito de tornar este país numa nação relevante. Uma nação genuinamente cristã. Que respeite o ser humano por crer que ele é digno de respeito. Que haja uma justiça só, com igualdade para todos. Que haja, sim, uma revolução silenciosa, feita à base de oração, da renovação das nossas mentes, por causa do não conformar-se com a forma deste mundo tão perdido, e que essa reação em cadeia nos faça, com todas as letras, experimentar “qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).

Deus já fez isso várias vezes, e pode fazer novamente.

É isto que nos resta. Reagir pra viver, ou não reagir para sobreviver. Eu quero viver.

11 de set. de 2012

11 de Setembro



“Quando vi a dedicação das equipes de resgate, com muitos deles ainda cavando após dez dias, disse mais uma vez: ‘Não pode ser!’. Trabalhavam com as mãos sangrando e os pés cobertos de bolhas, pois havia bombeiros, seus companheiros, soterrados sobre pilhas de metal retorcido. Como posso descrever o que era estar com eles, olhar dentro dos seus olhos e ver a união profunda da completa exaustão com uma determinação inflexível? Havia centenas e centenas deles. Eu me senti despedaçado, querendo segurá-los pelos ombros e dizer: ‘Por favor, pare. Você precisa descansar. Você precisa ir para casa’; e ao mesmo tempo queria lhes tocar e dizer: ‘Não desista! Se eu estivesse debaixo daquela pilha de destruição, ia querer alguém como você cavando por mim’.”

O texto acima é de Bill Hybels sobre sua experiência na visita que fez ao que restou do World Trade Center descrita no livro “Liderança Corajosa”. Enquanto lia este texto imaginava as cenas que ele presenciava, seu desespero, que só lhe permitia falar uma frase: “Não pode ser”. E como ele, fiquei impressionado também, quando esta tragédia aconteceu, com os limites a que pode chegar a crueldade do ser humano.

Porém, o que quero tratar aqui não é da sombra de maldade sobre o ser humano, mas sim dos extensos limites da bondade humana. Ver toda a multidão que se prontificou a ajudar numa situação tão escabrosa, e até mesmo com riscos para própria vida, é algo que nos faz sentir que há sim uma solução para o nosso mundo. Lendo sobre pessoas tão aferradas ao desejo de salvar outras daqueles escombros, lembrei-me da carta de Judas que descreve o estado de perdição da humanidade e, na mesma carta, insta para os cristãos conservarem sua fé, sua esperança em Deus e buscarem a maturidade, o crescimento espiritual em oração com um objetivo: “salvai-os, arrebatando-os do fogo” (Jd 23).

O trabalho incansável daquelas pessoas do 11 de setembro de 2001 pode ser um exemplo daquilo que Jesus Cristo tinha em mente quando ordenou: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28:19). Creio que Judas entendeu perfeitamente a sugestão de Jesus para arrebatar todas as pessoas do fogo. Para arrebatar alguém do fogo, no meu entendimento, é entrar no fogo se preciso for; queimar-se; machucar-se; correr riscos até mesmo de morrer, se for o caso, mas não desistir. Manter a esperança acesa enquanto houver uma mínima possibilidade.

Sério, eu estou envergonhado. Não sei quanto a você, mas eu tenho falhado muito nisso. Não sei se atingir este volume, esta intensidade de mergulhar até as últimas consequências é fruto de um dom especial para evangelização, não sei. Evangelizar até onde entendo é algo que todos nós discípulos de Cristo devemos fazer. Não houve uma opção para que só alguns fizessem. Jesus não escolheu aqueles discípulos que oravam mais, que liam mais a Bíblia com ele, que leram muitos livros sobre a “arte de evangelizar”, que participaram dos vários seminários de evangelização e discipulado; não foram os que mais aprenderam sobre conquistar, consolidar e enviar. Provavelmente Jesus sabia que entre os seus discípulos havia um ou outro que talvez não fosse tão capaz quanto outros. Nenhum grupo é homogêneo. Ele simplesmente deu a ordem de igual modo para todos, mas certamente ele sabia que alguns iriam arriscar a própria vida por aquilo e outros nem tanto.

Então qual é o segredo?

Talvez o segredo seja o compromisso. Creio que para Deus não importa o grau de periculosidade que você correrá para salvar alguns do fogo, mas o compromisso na execução da tarefa dada por ele. Ele não está nem um pouco preocupado com quantas faculdades você já terminou; quantas vezes, quantas versões ou em quantas línguas você já leu a Bíblia; não importa quantos livros sobre evangelismo há na sua biblioteca e que já foram lidos, decupados e revirados por você. Não, nada disso importa para Deus. Ele não precisa disso. É lógico que se você tem tudo isso e não achar que só isso é suficiente, ou que só isso o torna capaz de conquistar, discipular e soltar para continuar a grande progressão geométrica de conquista, Deus pode usar sua capacidade adquirida em prol da tarefa, mas pode ter certeza, Ele não precisa disso.

Ele quer é um coração que esteja disposto a, se preciso for, estourar as mãos retirando entulhos colocados pelo mundo que sufocam as pessoas; retirar os ferros retorcidos que distorcem a visão das pessoas sobre o amor de Deus; retirar toda a poeira levantada por Satanás que cegam os olhos daqueles que andam cambaleantes pela vida sem direção, ou melhor, indo em direção ao inferno. Deus também quer aqueles que estejam dispostos a ficarem nos arredores alimentando os famintos que saem dos escombros; aqueles que ficam nos hospitais curando as feridas que os escombros da vida produziram em outras pessoas, algumas que levam dias, meses ou anos para serem curadas. Todos, indiferentemente da profundidade, ou dos riscos a serem corridos. Todos que quiserem comprometer-se a cumprir a única ordem deixada por aquele que machucou as mãos, os pés, a cabeça, o corpo todo, que não mediu esforços para salvar a todos do fogo, Jesus Cristo.

A grande catástrofe espiritual está acontecendo aqui e agora. Tem muita gente esperando por socorro. Eu sou um voluntário. E você?

3 de set. de 2012

Viaduto dos cabritos.


Durante muitos anos eu me referia a um viaduto que cruza a Av. Brasil, na altura Campo Grande, como Viaduto “dos Cabritos”. Este é o nome pelo qual é conhecido. Já até imaginei que este nome seria por causa da quantidade de cabritos que possivelmente viviam naquela região na época da construção do viaduto. Hoje, depois de tantos anos, descobri que o nome do viaduto na verdade é uma homenagem a um engenheiro chamado Oscar Brito. Fiquei pensando nas vezes que já orientei alguém dando o viaduto “dos cabritos” como ponto de referência. Se eu fosse o único orientador possível, estas pessoas estariam perdidas até hoje.

Isto me levou a pensar nas informações que recebemos e vamos passando adiante sem procurar saber da honestidade delas. Quantas pessoas já foram caluniadas por alguém que ouviu uma coisa e passou adiante sem confirmar sua veracidade. Soube de uma família inteira que abandonou uma igreja, e a vida cristã, por causa de uma grave fofoca. Alguém passou uma informação, que passou para outro, que passou para outro, e deu no que deu. Ninguém procurou descobrir se era verdade ou não. Precisamos sempre confirmar as palavras que nos são ditas sejam quais forem.

Penso também nos pastores que brotam por todos os lados abrindo suas próprias igrejas, algumas com nomes bem engraçados, pregando algumas verdades que são somente as suas verdades, e nem sempre a verdade bíblica. Levam muitas pessoas a crerem em doutrinas que não são tão bíblicas assim, enganando-as com ou sem propósito, mas de alguma maneira impedindo-as de conhecer as doutrinas bíblicas.

Creio que esta é uma grande estratégia do Diabo. A música “Desesperado”, da banda Fruto Sagrado, fala das manhas dele para nos enganar:
“Primeiro fez todo mundo pensar que você não existia
Que era apenas um produto da imaginação, da nossa fantasia
Agora vem com tudo, banalizando a injustiça,
Infantilizando a bruxaria, duendes, gnomos, nova era.
Demônio virando fada madrinha
Se disfarça de santinho, se disfarça de santinha
Mestre da enganação”

O profeta Jeremias já registrava situações assim: “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo; os seus pastores as fizeram errar, e voltar aos montes; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar de seu repouso” (Jr 50:6). Hoje vemos esta situação. Ovelhas perdidas, fracas, sem direção, sem comprometimento, com um pé lá e outro cá. Cambaleantes entre o mundo e as coisas de Deus; mais para o mundo do que para Deus. Relacionamento com Deus para elas se resume num ir a alguma igreja e dar uma oferta.

Fique atento! Ouça. Pesquise. Estude a Palavra de Deus com profundidade. Peça a Deus que lhe dê discernimento “porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24:24). Não se deixe enganar por palavras que você aceita de qualquer maneira.

Eu descobri que o Viaduto dos Cabritos, na verdade, é o viaduto Oscar Brito. Mesmo que nunca descobrisse, isso não teria nenhum efeito sobre minha vida. Mas, espiritualmente, existem coisas que se não descobrirmos a tempo, pode ser tarde demais.

23 de ago. de 2012

Belos pés.


Uma parte do corpo feminino que sempre me atraiu são os pés. E quando falo em pés, lembro-me de uma das coisas que fizeram ver que Ana seria minha esposa. Saímos de um encontro de jovens e fui para o ponto de ônibus. Era o segundo dia em que nos víamos. Estava no ponto quando vi o grupo de jovens da igreja dela que, como moravam próximo, iam caminhando para casa. Ana, no meio daquela turma, com as sandálias nas mãos caminhava com os seus lindos pés no chão. Quando vi aquilo eu pensei: “Senhor, é essa. Não tenho dúvida alguma”. E foi. E é. E será, até que a morte nos separe.

Mas os pés femininos sempre me chamaram a atenção. Tão pequenos, ou até maiores, sempre bem limpinhos, cuidados, são lindos. Não chegava a ser uma tara, mas sempre admirei os pés das mulheres ou moças que estivessem próximas. Não gostava de ver pés sujos, maltratados, como os de uma hippie que encontrei uma vez na cidade. Como uma mulher poderia ficar com os pés daquele jeito? Ainda hoje admiro muito os pés.  Da minha esposa, é claro. Mesmo não sendo mais aqueles pés de 27 anos atrás.

A Bíblia cita esta parte do corpo muitas vezes, mas a que mais me chama a atenção é uma que me mostra que não preciso de clinicas para cuidar dos meus pés. As podólogas vão morrer de raiva, pois nunca terão o prazer de botar suas mãos em meus pés. Não preciso gastar dinheiro com produtos e tratamentos, quase sempre caros, para ter pés lindos. Há uma receita infalível dada por Isaias: “Quão formosos sobre os montes são os pés do que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que proclama a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina” (Is 52:7)! É um texto delicioso que me enche de alegria por sabe que mesmo se meus pés forem os mais feios de todos os pés, se forem tortos, sujos, cheios de calos, rachados, com um chulé de matar e tudo mais que fizer você sentir nojo deles, ainda assim posso ter os meus pés lindos, formosos, cheirosos, diante de Deus.

 Anunciar as boas-novas. Proclamar a paz. Anunciar coisas boas. Proclamar a salvação. Dizer que Deus reina, que ele está no controle de tudo e quer estar no controle de nossas vidas. É simples assim. Aliás, as coisas que Deus nos pede são sempre muito simples. Nós é que complicamos tudo. Quando digo que são simples, estou pensando na promessa dele de que em tudo estaria conosco. Então o que precisamos aprender é trabalhar COM Deus, e não POR Deus. Cansa muito menos trabalhar COM ele. Ele não quer que trabalhemos por ele, pois o trabalho dele ele já fez. Já imaginou se ele fosse esperar por nós para fazermos o trabalho dele? Nem quero pensar.

Mulheres, tratem sim dos seus pés! Vão para as podólogas, pedicures e em todos os lugares onde possam fazer seus pés cada vez mais lindos. Seus maridos, seus noivos, seus namorados, suas famílias e seu corpo agradecem. Homens, se vocês acharem que devem, podem ir também, não há nada contra. Suas esposas, suas noivas, suas namoradas, suas famílias e seu corpo agradecem também. Faz bem. Mas, não se esqueçam da beleza dos seus pés que realmente conta diante de Deus. Usem e abusem da receita de Isaias. Tornem seus pés cada dia mais lindos e mais formosos diante de Deus sendo um proclamador das Boas Novas de Salvação.

16 de ago. de 2012

As mãos do judoca.


Durante as olimpíadas um judoca parou a luta duas vezes para enrolar uma proteção em seus dedos que sangravam. Um comentarista, que também era um lutador, disse que normalmente as mãos de um judoca são muito feias, cheias de calos. Por isso que muitos deles usam esparadrapos enrolados nos dedos numa tentativa de diminuir os estragos. Falou também que se alguém dissesse que lutava judô e tivesse as mãos muito macias alguma coisa estava errada.

Tenho um tio que todas as vezes que eu apertava sua mão, sentia as marcas que os cabos de enxada haviam deixado nelas. Um lutador no dia a dia nas suas terras, preparando-as para a plantação. As marcas estavam bem vivas. Bem evidentes.

As repetições quase sempre deixam marcas que são visíveis. Estas marcas não acontecem por uma ou outra vez de prática. A constância, a repetição de um mesmo gesto, de uma mesma atividade, os treinos intensivos produzem estas marcas que ficam tão visíveis ou, no caso do meu tio, tão perceptíveis ao toque. São várias horas de atividade. Vários dias, meses, anos de atividade intensa que levam estas marcas a ficarem tão fortes. Chegam mesmo a se tornarem aberrações, com as orelhas dos praticantes de algumas modalidades de lutas.

Quando ando pelas ruas vejo pessoas com o nome de Jesus tatuado em alguma parte do seu corpo. Algumas carregam, ainda, a Bíblia nas mãos ou debaixo do braço. Outras usam camisas, bonés, pingentes ou outras coisas com o nome de Jesus, ou algo que o identifique como cristão. Seria só isso? Nas prisões também vemos prisioneiros com estas tatuagens. Em algumas reportagens vemos bandidos nos morros usando camisetas com expressões cristãs e de arma nas mãos. Então não pode ser só isso.

As marcas de Cristo são aquelas atitudes que nos identificam com ele. Quando queremos tirar uma cópia de um documento, chegamos ao balcão e falamos: “Tira uma Xerox para mim”. A palavra “xerox” é uma marca que passou a identificar um procedimento – fazer uma cópia. A nossa maneira de viver deve identificar a “marca” de Cristo em nossa vida.

No seu discurso em Siquém, Josué lembra ao povo tudo quanto Deus já fizera entre eles, e os exorta a viverem de maneira que valorizassem aquilo que haviam recebido pela graça de Deus: “Esforçai-vos, pois, para guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés, para que dela não vos desvieis nem para a direita nem para a esquerda; mas ao Senhor vosso Deus vos apegareis, como fizeste até o dia de hoje; portanto, cuidai diligentemente de amar ao Senhor vosso Deus” (Js 23:6, 8 e 11). Sem esforço as marcas não acontecem.

Uma vida centrada na Palavra de Deus, livre dos desejos que o mundo oferece, não aceitando a mistura com coisas que não edificam, cuidando da língua e colocando Deus em primeiro lugar pode deixar marcas profundas. Para se conseguir isso, é necessário esforço cotidiano. Não se consegue os “calos” de uma vida com Deus sem um esforço diário, sem busca diária.

Pergunte a um judoca que disputa uma olimpíada quantas horas de treino ele tem por dia. Pergunte a um trabalhador rural quantas horas de trabalho foram necessárias para ficar com as mãos marcadas daquele jeito. Tenho certeza que não serão apenas algumas poucas horas no domingo, ou na quarta-feira a noite, como costumamos pensar que é suficiente para o nosso fortalecimento como servos de Deus.

Na carta aos gálatas o apóstolo Paulo fala sobre a circuncisão que estava sendo exigida como uma marca de santidade mostrada na carne, então ele deixa a sua declaração: “Ninguém me inquiete, pois eu trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6:17). Não era apenas das marcas externas pelo sofrimento que tivera por amor a Cristo que ele falava, mas também das marcas que o levara a dizer que era um imitador de Cristo (I Co 11:1).

Quais são as marcas que temos em nós? Quais são as coisas que tem sido constantes em nossa vida e que produzem marcas em nós? Quando as pessoas nos olham, quais são as marcas visíveis que observam nitidamente? São as marcas de Cristo? Ou são as marcas do mundo?

Pensemos nisso.

11 de ago. de 2012

Tal pai, tal filho. Pode ser?

Já disse que sou apaixonado por desenho animado. Um desses que revejo várias vezes é “Procurando Nemo”. Acho fantástica a dedicação daquele pai meio atrapalhado, medroso, mas, com uma paixão imensa pelo filho. Uma dedicação que o leva a ultrapassar todos os seus limites em busca do filho que se havia perdido. Por todos os perigos e ameaças que enfrentou na sua procura, seria completamente compreensível se tivesse desistido e, quem sabe, continuado com a Dory para ter novos Nemos. Mas ele vai até o final e volta feliz com o seu filho.

Não consigo entender alguns pais que por muito pouco desistem dos filhos. Eu não me vejo desistindo das minhas filhas. Em qualquer situação que elas se meterem, eu estarei por lá. Se for necessário brigar com elas por algum erro cometido, eu brigarei. Mas também brigarei por elas sempre. Isso eu aprendi com meu pai. Um homem simples que deu e continua dando lições para a vida toda. Quantas coisas aprendi com ele.

Com toda a sua simplicidade e dentro dos seus limites, não deixou que nada faltasse em nossa casa. Sua preocupação com nossa vida moral sempre foi muito grande. Nos educou nos caminhos cristãos mais dando exemplo do que falando. E quando alguns de nós por algum motivo nos desviamos nunca nos julgou e nem nos abandonou. Ao contrário, se preocupava intensamente e, acima de tudo, nos entregava a Deus em suas constantes orações ajoelhado ao lado da sua cama.

Hoje todos nós já somos bem grandinhos, alguns até um pouco velhinhos, mas seu amor, sua preocupação, sua dedicação, para com todos continua igual. É como se ainda fôssemos bem pequenos. Eu tenho um grande exemplo a seguir como pai. Se em algum momento eu falhei, ou vier a falhar como pai, não será por culpa dele. Foi, e é, o melhor pai que alguém poderia ter. Nunca tive dificuldades para entender Deus como pai, por que a figura de pai para mim é uma coisa fantástica.

Todo filho, eu creio, dependendo do pai, virá a ser igual ou bem semelhante ao pai. Dou graças a Deus por que sou bastante parecido com o meu. Minha avó Angelina, mãe do meu pai, me olhava com seus lindos olhos azuis, seu cabelo branquinho e um pouco grande enrolado em um coque preso com um grande grampo, tipo um arame bem fininho, no alto da nuca, e com um sorriso bem doce me dizia o quanto eu era parecido com meu pai. Ninguém melhor do que ela para dizer isso. E eu sou muito feliz por ver que isso é verdade. Tenho tentado ser igual, mas ainda estou em falta.

Isto me lembra a expressão do apóstolo Paulo que tinha a coragem de dizer: “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” (I Co 11:1).

Creio que posso imitar meu pai, pois ele se parece com Cristo. Acho mesmo que posso pedir as minhas filhas que me imitem, pois, se não me pareço totalmente com Cristo, pelo menos tenho tentado.

Seu filho se parece com você em seus gestos, suas atitudes, suas palavras? Se seu filho vier a se parecer com você, como ele será? Seu filho pode ser parecido com você?

Um dia, vendo o nome de uma flor, eu disse para minha esposa: “Já tenho meu epitáfio”. Ela, coitada, achando que era sério, perguntou qual. Eu respondi prontamente: “Aqui jaz mim”. Minhas filhas dizem que isso é piada de pastor e que, no seminário, deve ter uma aula especial de piadas sem graça para pastores. Mas, voltando a falar sério, se houvesse uma lei que obrigasse os seus filhos a escreverem alguma coisa no seu epitáfio (palavrinha feia), o que eles escreveriam? O que minhas filhas escreveriam?

Pais, pensemos bem em que tipo de pai temos sido. Ainda dá tempo para mudar as palavras da nossa lápide (palavrinha feia também).

2 de ago. de 2012

Xibolete


Quando você conversa com uma pessoa e percebe que em palavras com “s” ela utiliza um som do “x” como, por exemplo, experto e não esperto*, logo você pensa: “Esse é carioca”. Não é verdade? Pois o Xibolete é mais ou menos isso ai. Um som característico de um grupo de pessoas que só os nativos, puros, conseguem falar corretamente.

Eu disse mais ou menos porque qualquer um pode imitar bem um carioca. No caso do xibolete não é possível. É como nosso “ão”, que só nós brasileiros conseguimos expressar de maneira correta.

Xibolete é uma transliteração da palavra hebraica “shibboleth” que alguns traduzem como “espiga de milho” e outros como “corrente de água”. Esta palavra foi usada como uma senha para distinguir entre duas tribos semitas, os gileaditas e os efraimitas, que tinham travado uma guerra. Os soldados gileaditas, vencedores desta batalha, para evitar que inimigos sobreviventes chegassem ao Rio Jordão, exigiam que os viajantes falassem shibboleth. Os efraimitas não tinham o fonema com som de “x” na língua deles, então diziam sibboleth. Erravam a senha e morriam. Esta história esta no Velho Testamento (Juizes 12:1 a 15).

Então, xibolete era uma senha que valia a vida.

Dai a ideia de mudar o nome do meu blog para XIBOLETE. É uma palavra que eu sempre gostei e tem tudo a ver com o que quero deste blog.

Quando criei este blog em 2008 com o nome de “Eu Pensei” minha vontade era apenas colocar algumas coisas que escrevia, mas agora em 2012 começaram a aparecer textos diferentes. O estopim foi minha decepção com o sr. Demóstenes, que inspirou o primeiro texto desse ano, com o título “Quem tem ficha limpa que atire a primeira pedra”. E o foco mudou.

Tenho me preocupado em escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós. Meu objetivo é usar este espaço para dar algumas “senhas” para que nós, povo de Deus, possamos falar uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que penso ser a vontade de Deus.

Não tenho a pretensão de ser reconhecido por nada, mas fico muito feliz de ver que pessoas de vários países, além do Brasil, estão lendo meus textos com certa regularidade. Nunca pensei que chegasse a isso. Minha intenção era atingir os amigos e conhecidos que tenho. Mas Deus tem me dado a alegria de ultrapassar fronteiras.

Quero agradecer a você que tem lido, tem comentado, tem compartilhado, tem indicado meu blog e está me seguindo. Muito obrigado. Vou continuar tentado ser bem simples, mas verdadeiro naquilo que digo. Meu objetivo é colocar pelo menos um texto por mês, se Deus assim me permitir.

No final das contas, ainda que nenhuma das minhas palavras tenha servido para alguma coisa, tenho tido a preocupação de sempre citar alguns textos bíblicos, pois, pelo menos eles, certamente irão te dizer alguma coisa, e assim te possibilitar uma linguagem que o identifique como um cristão genuíno. A senha para a vida estará garantida.

*Obs.: A palavra “experto” também existe. Ela significa especialista ou perito. (uau, meu blog também é cultura)