Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

20 de mar. de 2013

Confiar é perigoso?


Acordo de madrugada com mais uma crise renal e chamo a Ana:
- Amor, em casa tem Buscopan?
- Não sei, vou ver.
Um tempinho depois de revirar a gaveta de remédios ela volta:
-Não tem Buscopan, mas toma esse que também é para dor. É em gotas.
Eu pego o vidro e viro na direção da boca para que caiam as gostas, mas cai uma quantidade enorme de remédio. Não tinha conta-gotas, era uma boca larga. Passa uns minutos e a dor continua. Ela vem com outro vidro, agora de Alivium, e pinga umas gotas na minha boca.
Finalmente durmo.

Quando acordei de manhã, sem dor, fui ver que remédio gostosinho era aquele que ela me dera, e a primeira coisa que vi foi: “Com flúor”. 
Pensei:
- Que remédio para dor tem flúor?
Então li o restante: "Solução Bucal – amostra grátis". 

Confiar em alguém que acaba de acordar, de madrugada, pode ser perigoso.

Mas continuo confiando cegamente nesta mulher maravilhosa que Deus me deu. Já disse em outro texto que ela me ensina muito, e esta é só mais uma lição. João, o discípulo amado, quando fala de amor diz o seguinte: “No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo” (IJo 4:18). E assim é. Não tenho o menor medo, pois sei que ela nunca vai me fazer qualquer coisa por maldade.

Se você parar para pensar vai ver que confia em coisas e pessoas sem a menor preocupação:

  • Quando você entra em casa depois de um longo e pesado dia de trabalho, toma um banho e cai na cama, e nem se preocupa se ela vai quebrar com você ou não. 
  • Quando você pega um avião procura o piloto e pede a ele algum tipo de documento que prove que ele realmente sabe pilotar para te levar com segurança até o seu destino? Você nem pensa nisso. Entra, senta, aperta o cinto e viaja tranquilo. 
  • Quando vai a um médico pede para ver o diploma dele, carga horária na faculdade, como foram suas notas? Com certeza não. Você sai de lá com uma lista de remédios, compra todos ele e toma-os tranquilamente. 
  • Quando você vai ao Pão de Açúcar, confia que a manutenção tem sido feita corretamente e sobe feliz da vida, apreciando a maravilhosa vista do Rio de Janeiro, ou fica lá embaixo olhando de longe, com medo do bondinho cair?

Estou errado? Creio que não. Então porque será tão difícil confiar em Deus da mesma forma? Jogar-se nos braços dele sem preocupação como um bebê nos braços da mãe. Será falta de amor? Será falta de compreensão? Falta de intimidade? Tudo isso junto e outras coisas?

Por todo o texto sagrado vemos Deus fazendo promessas e cumprindo cada uma delas. Ainda temos visto em nossos dias promessas sendo cumpridas na vida de muitos fiéis. Deus não mudou. Ele continua o mesmo.

O confiar vai muito além das nossas possibilidades, pois enquanto houver chances de nós fazermos alguma coisa, nós teremos que fazer. Além deste ponto, quando foge das nossas mãos, quando tudo já parece perdido, entra o desafio de confiar cegamente como aconteceu com Marta, que mesmo vendo Lázaro, seu irmão, morto e enterrado, confiou que nem tudo estava acabado e disse: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires” (Jo 11:21,22). Aqui está o grande “pulo do gato”.

Marta fazia parte de uma família onde Jesus estava presente. Havia um relacionamento de profundidade entre aqueles irmãos e Jesus. Havia a certeza de que ele não era apenas mais um profeta, mas sim o próprio filho de Deus. Ele era o próprio Deus presente. E Marta deixa claro que confiava nele. Ela tem certeza que mesmo depois de tudo ter acabado para eles e a situação parecer irremediavelmente sem solução, ainda assim ela confia que Deus pode mudar tudo. Ela confia radicalmente nele.

Continuo confiando na minha esposa, e vou tomar todos os remédios que ela me der sem ver antes o que é. E continuarei confiando em Deus radicalmente, pois creio que quando tudo parece sem solução ele É a solução. Davi nos ensina: “Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Sl 37:3 e 5).

Esta confiança é a que Deus espera de nós. É assim que você confia nele? Você está disposto a confiar assim em Deus?

Confiar em Deus não é perigoso. É seguro. É prazeroso. É o melhor que se pode fazer.

10 de mar. de 2013

Prioridade


Na penúltima viagem que fiz de avião, ao chegar para o check-in, uma funcionária da companhia aérea perguntou-me qual era meu voo, e ao informa-la, me encaminhou para uma fila com apenas duas pessoas. Quando me aproximei vi a placa que dizia: “Prioridade”. Pensei seriamente em reclamar com ela, afinal, com meus 53 anos não aparento ser tão velho assim. Ao ver o tamanho da outra fila gostei bem da ideia e fiquei ali mesmo. No meu último voo a fila estava maior, mas ninguém me mandou para a fila de prioridade. Acho que vou ter uma crise de identidade. Afinal, tenho ou não tenho prioridade. Algum psicólogo de plantão ai?

Prioridade é algo que tem a ver com preferencia; direito de passar à frente dos outros; qualidade do que está em primeiro lugar, segundo os dicionários. Significa eleger o que vem em primeiro lugar, ou seja, o que mais importa para nós.

Na decisão da Copa Libertadores um corintiano disse que perderia o emprego, mas não deixaria de ver o jogo do Timão. Era a prioridade dele. Para muitos, prioridade hoje é conseguir passar no vestibular e fazer uma faculdade. Para outros é o bem estar da família e, por isso, se matam de tanto trabalhar quase não tendo tempo a família. Para alguns a compra de um carro novo, com todos os acessórios possíveis. Para muitos, ainda, o conseguir alguma coisa para comer e não morrer de fome, ou quem sabe água, para não morrer de sede.

Todos nós elegemos nossas prioridades e por elas lutamos muito. Os nossos sonhos, nossos desejos têm tomado nosso tempo de maneira cruel. Vivemos quase sempre em função de conseguirmos conquista-los e, então, percebemos que eles já não são tão prioridades assim. Imediatamente, novos sonhos e desejos tomam seus lugares, nos levando de volta na roda da vida tresloucada em busca deles. Somos insaciáveis na busca de nossos sonhos e desejos.

Infelizmente não somos assim quando se trata de Deus.

Todas essas prioridades acima e outras são compreensíveis e necessárias. Realmente precisamos delas. Talvez pudéssemos classifica-las de prioridades secundárias, se é possível. Mas não tenho dúvida alguma que Deus deve ser a prioridade prioritária para nossa vida. O que seriamos sem ele?

No Sermão do Monte Jesus Cristo já deixa o alerta: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Ele avisa que “todas as coisas” são menos importantes do que o Reino de Deus, e que elas poderiam ser apenas consequências da prioridade prioritária dada a Deus.

O profeta Ageu narra uma situação que nos mostra o quanto isso é essencial em nossa vida. O povo tinha saído do cativeiro da Babilônia, e estava se esmerando na construção das suas casas enquanto o templo do Senhor continuava destruído. Deus então manda o alerta através de Ageu: “Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa continua destruída?” (Ag 1:4). Depois o Senhor mostra ao povo tudo que estava acontecendo como consequência da falta de prioridade a Ele. Então os governantes e todo o povo atendem a convocação para a reconstrução do templo. Quando lançam a pedra fundamental, Deus promete: “Desde este dia hei de vos abençoar” (Ag 2:4).

É importantíssimo estabelecer prioridade para nossos desejos, sonhos, para o nosso dia a dia, mas é essencial, vital, colocar Deus acima de tudo isso. Deus deve ser a nossa prioridade prioritária primordial. Sem exagero.

1 de mar. de 2013

Apelidos


Durante uns seis anos eu prestei serviços no Projac, no Rio de Janeiro. Lembro-me de um dia quando me pediram para ir buscar o Genivaldo. Fui para o endereço fornecido, mas não conseguia encontrar a casa. Parei em um bar onde havia alguns homens e perguntei se algum deles sabia onde ele morava. Eles olharam uns para os outros com caras de interrogação até que um falou: “Olha, eu moro aqui há muitos anos e não conheço nenhum Genivaldo nesta rua. Tem certeza que é este o nome, ou que é nesta rua mesmo?”.

O que parecia tão fácil começara a ficar enrolado. Confirmei o nome da rua, era aquela mesma.

“Como é esse cara? O que ele faz?” perguntou alguém. Eu disse que ele não tinha uma das pernas e,... Mal acabei minha frase e ouvi um coro de vozes falando ao mesmo tempo: “É o Saci!”. Eu disse que era e apontaram a casa em frente ao bar. Eu estava na porta do Genivaldo, só que o Genivaldo agora era o Saci. Ele era o dublê do Saci no Sitio do Pica-Pau Amarelo, produção que eu trabalhava.

Isto é uma coisa que acontece com muita gente. Alguma coisa se torna uma marca tão evidente em suas vidas que elas passam a ser conhecidas mais por aquilo do que por seu próprio nome. Pode ser uma marca, uma cicatriz, um cacoete, ou sei lá o que, fica tão evidente que se torna uma forma de identificar. Você com certeza conhece alguém que é o “gordo”, ou “dentuço”, ou “orelha”, ou “pato rouco”. Conheci um cara que era chamado de “mentirinha”, por causa das suas pernas curtinhas. Em minha família, os quatro filhos mais velhos não tivemos apelidos; as mais novas, gêmeas, chamamos uma de “Dinha” e a outra de “Preta”. Quando alguém usa o nome delas fico pensando: “Quem será?”.

A Bíblia fala de um apelido bem antigo que acabou virando uma marca agradável, que eu e você com certeza teríamos muita alegria de ser chamado por ele.

Após morte de Estevão os seguidores de Cristo espalharam-se por vários lugares fugindo da grande perseguição que se levantava. Os que foram para Antioquia começaram a pregar o evangelho para todos e testemunhavam de Cristo aonde iam e, com isso, um grande movimento de pessoas em direção ao evangelho aconteceu. Quando a igreja que estava em Jerusalém soube disso enviou Barnabé para ver o que estava acontecendo. “Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo coração” (At 11:23).

Aqueles seguidores de Cristo viviam de maneira que a graça de Deus era palpável, visível. Isso encantou Barnabé. Suas vidas levavam o povo a ver a vida de Cristo. Eles olhavam para aquelas pessoas e percebiam nelas uma identificação clara com a vida e os ensinamentos de Cristo. Não eram apenas papagaios repetindo o que o pastor falava, ou contando vitórias dos outros, mas eram pessoas que viviam o que pregavam e pregavam aquilo que viviam. Havia coerência entre vida e fala.

Mas quem era esse Cristo? Alguém que havia acabado de morrer de forma tão trágica e vexatória. Morrera como um grande inimigo público. Essa era a visão daqueles que não seguiam a Cristo, e, penso eu, por isso procuraram um meio de zombar daqueles loucos que seguiam os ensinos daquele perdedor. E o melhor que puderam fazer foi chama-los de “cristãos”, conforme registrado por Lucas: “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados de cristãos” (At 11:26). Pronto, estavam alcunhados. Estavam marcados para sofrerem zombaria. Era o bullying da moda.

Mas ninguém reclamou. Muito pelo contrário. Para aquelas pessoas, os seguidores de Cristo, era um prazer serem chamados de cristãos. Isso demonstrava que suas atitudes estavam corretas e que eles poderiam continuar vivendo assim. Seu desejo de parecer com Cristo era autenticado em cada grito de “CRISTÃO!!!!”, que eles ouviam. Aquilo soava como uma doce e prazerosa canção aos seus ouvidos. O apelido virou elogio. Suas vidas refletiam Cristo, e isso era tudo que eles queriam que os outros percebessem. Havia uma marca cravada em suas vidas que os tornaram diferentes e por isso seus nomes mudaram. Agora os Barnabés, os Estevãos, os Paulos, os Lucas, os Pedros, tinham outro nome pelo qual eram conhecidos: CRISTÃO. Isso era maravilhoso.

Este apelido atravessou os séculos e ainda hoje ele é usado.

Para muitos ainda é uma forma jocosa de indicar alguém. Talvez mais do que naquela época, os cristãos hoje sejam mais motivos de zombaria, pois em plena era moderna só mesmo um “bando de ignorantes” para acreditar em tais coisas.

Para outros, ser chamado de cristão é uma afronta para o significado da palavra. Eles vivem enfiados nas igrejas em busca de proteção para suas vidas medíocres, e imitam os cristãos e até enganam muita gente. A Deus não.

Para outros continua sendo um elogio. Por mais que eles acreditem que não mereçam ser chamados de cristãos, se isso acontece, é porque, talvez, apenas uma pontinha bem pequena da sua vida já esteja refletindo aquilo que Cristo quer. Então ele se alegra por saber que seu esforço tem valido a pena, e isso serve de motivação para continuar sua entrega total, para que a cada dia Cristo o transforme mais e mais na imagem e semelhança perdida por causa do pecado.

Alguma coisa, sem dúvida, sobressai em você e isso diz o que você é, ou se tornou. Se você estivesse em Antioquia, sua vida contribuiria para que o nome de cristão aparecesse? Será que lhe dariam esse apelido?

19 de fev. de 2013

Eu e o hipopótamo.

Qual é o seu animal preferido? Qual animal você acha que é o mais bonito de todos? Se você fosse um animal, qual gostaria de ser?

Tenho certeza que ninguém respondeu “hipopótamo” para alguma dessas perguntas.

O hipopótamo é um bicho que não tem muita beleza. Embora seja o terceiro maior em porte, só chama atenção pelo seu tamanho. Na maioria das vezes é um bicho tranquilão. Gosta de sombra e água fresca, pois passa maior parte do dia na água para se proteger do sol, e a noite vai comer gramas. Ele tem seu próprio protetor solar. Na água se movimenta com bastante facilidade. Em terra, quando em perigo, pode atingir até 50 km por hora, levando junto com ele tudo que encontrar pela frente como um tanque de guerra desgovernado.

Eu não gostaria de ser um hipopótamo.

Mas, se você não sabia, este bicho é considerado por Deus como o número um da criação. Não acredita? Então vai ler a Bíblia.

Depois que Jó e seus “amigos” falam sem parar, Deus chama Jó num cantinho e dá uma dura nele. Na minha interpretação Deus deve ter falado assim: “Ai Jó, você esta ai todo-todo, então vou te fazer umas perguntinhas bem básicas para ver se você realmente é esse bambambam todo, beleza?” Deus faz umas trinta perguntas para Jó, que deve ter pensado: “Em que fria eu fui me meter”.

Ele não tinha as respostas. No meio desta avalanche de perguntas Deus diz para Jó: “Contempla agora o hipopótamo, que eu criei como a ti, que come a erva como o boi” (Jó 40:15). Fala sobre a constituição dele. Um bicho forte, vigoroso, assustador. E, então, Deus diz de forma bem clara: “Ele ocupa o primeiro lugar entre as obras de Deus” (Jó 40:19).

Confesso que fiquei confuso. Um bicho feio daquele o número um? E eu, com toda a minha beleza, altivez, inteligência, sabedoria, disposição, integridade, imagem e semelhança de Deus, e muito humilde também, sou o que?

Ah sim, sou a coroa da criação. Por mais forte e poderoso que o hipopótamo ou outro bicho qualquer seja, não adianta, ele não será melhor que o homem, nunca. Os animais vivem pelos instintos, e os homens têm a capacidade de raciocinar, planejar, mudar as coisas, fazer diferente. O homem foi criado segundo a imagem e semelhança de Deus, segundo a narrativa da criação de Gênesis (Gn 1:26).

Antônio Neves de Mesquita, em seu comentário sobre o livro de Gênesis, diz que o homem “é um ser moral, racional e espiritual. Se em tudo mais ele se pudesse igualar com os outros animais, sua razão, espiritualidade e moralidade o tornariam infinitamente superior a qualquer outro animal. Além disso, tem consciência de que é reflexo de sua natureza moral, tem vontade livre e racional, tem capacidade de escolher inteligentemente. Estes predicados o tornam o rei de toda a criação”.

É uma infelicidade que o homem, por sua capacidade e liberdade de fazer escolhas, tenha optado por desobedecer a Deus, e com isso desfigurou essa imagem e semelhança. Hoje, a racionalidade, moralidade e espiritualidade do homem, ou talvez a falta de tudo isso, o leva a fazer coisas que “até Deus duvida”, mas que o Diabo tem certeza e aplaude. A sabedoria de Salomão já há muitos anos disse que “não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Ec 7:20), e Paulo corrobora com esta afirmação dizendo que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). O pecado tira perfeição da imagem e semelhança do homem com Deus.

“Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, o Senhor” (Lc 2: 10,11), disse o anjo para os pastores no dia do nascimento de Jesus. Portanto, todos nós que participamos da rebeldia contra a imagem e semelhança de Deus, temos a alegria de saber que temos uma forma de voltarmos ao projeto original.

Cristo veio para nos trazer salvação, que não se limita ao perdão dos pecados e ida para o céu, mas nos dá o Espirito Santo que nos tira da ignorância espiritual, e assim, “com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem” (II Co 3: 18). A presença de Cristo em nossa vida, e a liberdade que damos para o agir do Espírito Santo em nós, nos devolve o que perdemos.

Acabou meu problema. Não tenho mais ciúmes do hipopótamo. Ele pode ser o bonitão, o fortão, a obra prima da criação, mas eu sou a coroa da criação, imagem e semelhança de Deus.

10 de fev. de 2013

Como já dizia Vinicius...


A foto que enfeita o meu blog foi tirada por mim com um celular. Antigamente só tirávamos fotos com máquinas fotográficas, mas agora temos celulares que fazem de tudo e, às vezes, servem para telefonar. Pois é, estava indo para Paty de Alferes de ônibus e quando vi esta imagem não resisti, saquei meu celular e cliquei. Não sei se você consegue reconhecer o local. Para dar uma dica eu passava pela Linha Vermelha.

É um local que visto sem este sol lindo por trás, não tem a mesma beleza. Talvez até já tenha sido bonito, mas por causa da interferência do homem, hoje, as águas do mar que vemos ali são escuras e bastante poluídas.

É impressionante como a natureza nos encanta com sua força e beleza onde menos esperamos. Quando construíam o metrô no Rio, ali em Inhaúma, próximo ao que hoje é o Shopping Nova América, havia um lugar onde eram jogados entulhos de escavações. Ficou um lugar feio, cheio de lixo. Numa manhã de primavera passava por ali, também de ônibus, e vi uma grande quantidade de flores bem pequenas, com várias cores diferentes, que surgiram ali no meio de toda aquela sujeira.

Quem me conhece de tempos idos sabe que um dos meus versículos prediletos é: “O coração alegre aformoseia o rosto” (Pv 17:22), porque ele me da a certeza de que eu sou lindo. Nada, nem ninguém, pode me fazer pensar diferente. Só posso crer que é alegre um coração que tem a presença de Cristo. Como tenho certeza da presença dele em meu coração, o meu coração é alegre e, consequentemente, meu rosto é a formosura em pessoa. Concorda?

Parece uma brincadeira, mas para mim é uma grande verdade.

O padrão real de beleza deveria levar em consideração o interior da pessoa. Vivemos atolados até o pescoço pela massificação da beleza midiática sem nos importar com o que realmente é belo. O belo não é o que pode nos agradar somente aos olhos, pois, como escreve Antoine de Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe, "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos". Foi isso que Deus ensinou para seu servo Samuel, na escolha de Davi, que quando viu Eliabe alto, forte e bonitão, pensou “Certamente está perante o Senhor o seu ungido. Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” (I Sm 16:6,7). O escolhido de Deus era o pequeno Davi.

Para mim, o belo precisa agradar o todo. Estou saturado de ver pessoas com um padrão de beleza pregado como o melhor, que agrada aos olhos, mas que no envolver-se, causa enjoo. E, ao contrário, fico feliz de ver pessoas que esteticamente não seriam chamados nem de bonitinhas, mas que transmitem uma beleza que vem de dentro e transborda nos olhos compassivos, nas palavras edificantes e saborosas de se ouvir, na educação e no trato simples e elegante para com os outros. Pessoas que não dá vontade de sair de perto. Pessoas que são aconchegantes. É uma delícia estar junto delas. Têm o cheiro de Cristo.

Como na foto deste blog, que é a entrada para a Ilha do Governador, estas pessoas possuem um sol que brilha forte por trás delas que as fazem ser assim. Segundo o salmista, o nosso Deus é aquele que “converte o deserto em lagos, e a terra seca em nascentes. E faz habitar ali os famintos, que edificam uma cidade para sua habitação; semeiam campos e plantam vinhas, que produzem frutos abundantes. Ele os abençoa, de modo que se multiplicam sobremaneira; e não permite que o seu gado diminua” (Sl 107:35 a 38). Ele transforma os piores desertos em lugares habitáveis e frutíferos; transforma os corações em mananciais de águas puras, vivas, que transbordam, encharcam e contagiam as pessoas que estão ao redor. E existem muitas pessoas que são assim. Estar perto delas nos faz um bem tremendo.

Como já dizia Vinicius, “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, e eu concordo plenamente com ele. Esteticamente belos ou não, é fundamental buscarmos a beleza que a presença de Cristo provoca em nossa vida. A beleza que é conquistada com um relacionamento de profundidade com Ele; que é consolidada na intimidade diária com Ele. Esta é a beleza que é fundamental.

Aristóteles escreveu que: “A beleza salvará o mundo”, e eu assino em baixo. A beleza de Cristo salvara o mundo. A pura e cristalina beleza de Cristo refletida através de nós. Essa, sim, é fundamental!

29 de jan. de 2013

A tragédia de Santa Maria.


Sempre tem muito falatório depois que as tragédias acontecem. E em Santa Maria não tem sido diferente. Logo aparece um vereador, um deputado, um prefeito, e dependendo da proporção da fatalidade, um Ministro de qualquer coisa, uma Presidente, e outros tantos, espertalhões, querendo seus minutos de propaganda eleitoral grátis. O pior é que, sempre, ninguém tem culpa alguma.

Talvez seja culpa do alvará que estava vencido. Se o alvará estivesse atualizado a tragédia não aconteceria? O que é preciso para ter um alvará atualizado, dando condições de funcionamento? Trabalhei numa empresa onde eu era o responsável pela atualização dos alvarás, e sei que muitas são as exigências. Um alvará provisório pode ser concedido com promessa do proprietário de que as exigências serão fielmente cumpridas. Talvez fosse o caso de não expedir o tal documento sem que todas as exigências estivessem realmente cumpridas de acordo com as normas de segurança para o local.

Mas, vivemos num país que não é sério. A frase "O Brasil não é um país sério.", originalmente atribuída ao general Charles de Gaulle, mas que, na realidade, foi dita pelo embaixador brasileiro na França, Carlos Alves de Souza Filho, por volta de 1963, nos mostra que somos uns brincalhões há muitos anos. Conhecemos o tão famoso “jeitinho brasileiro” de se fazer as coisas. Infelizmente a corrupção rola solta neste país, que pretende ser de primeiro mundo. Então, as coisas são feitas de acordo com a moral, com o caráter, com a ganância, daqueles que são os responsáveis por elas. Alguns míseros trocados bastam para que se faça “vista grossa”, e se deixe passar alguns detalhes que podem, no futuro, serem cruciais para salvar vidas.

Um garotinho brincando com um game no avião, chama a atenção do pai e diz: “Pai, ele entrou no caminho da morte, vem ajudar ele sair”. No game da vida muitos estão no caminho da morte por sua irresponsabilidade desenfreada, que não mede as consequências que podem advir de suas decisões corrompidas pelo desejo de “se dar bem”, e não agem com seriedade em suas funções. Assim as tragédias vão se amontando por ai, em todos os lugares. Sejam incêndios em locais como a Boate Kiss, ou enchentes como na Região Serrana do Rio de Janeiro e em Xerém, em naufrágios como o Bateau Mouche 4 no Rio, em 1988, e tantas outras.

Talvez estejamos vivendo tempos de Noé, quando “viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo o ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra” (Gn 6:12). Para Jeremias Deus disse: “Percorram as ruas de Jerusalém, olhem e observem. Procurem em suas praças para ver se podem encontrar alguém que aja com honestidade e busque a verdade” (Jr 5:1). Para nós, hoje, diria: “Procurem pelo seu país para ver quantos encontrarão que ajam com honestidade, que não se corrompam com facilidade, que busquem a verdade”.

“A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo” (Pv 14:34), diz o texto sagrado. É assim que me sinto vendo algumas coisas que acontecem no nosso país. Falta vergonha na cara de alguns que ficam na telinha se dizendo verdadeiros santos, enquanto provas e mais provas são apresentadas contra eles. É uma vergonha essa falta de vergonha. Até mesmo de alguns que se dizem cristãos. Isso me irrita muito.

No sermão profético Jesus Cristo avisa que “devido ao aumento da maldade, o amor de muitos se esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:12,13). Sendo assim não podemos nos admirar disso tudo que ocorre por ai, mas sim entender que faz parte do inicio do fim, ou do meio do fim. Entender, mesmo sem compreender às vezes, que tudo isso era previsto de acontecer.

Tanto quanto o personagem do game do garotinho do avião os personagens reais da vida estão também caminhando a passos largos para a morte. Então, vale lembrar o enfático apelo de Judas: “Queridos amigos, lembrem-se do que os apóstolos do nosso Senhor Jesus Cristo lhes disseram, que nos últimos tempos viriam esses escarnecedores, cujo único propósito na vida é deleitar-se em todas as formas de maldade que se possam imaginar. Eles provocam discussões; amam as coisas pecaminosas do mundo; não têm o Espírito Santo morando neles. Procurem ajudar aqueles que contendem contra vocês. Tenham compaixão daqueles que duvidam. Salvem alguns, arrebatando-os como se fosse das próprias chamas do inferno. E quanto aos outros, ajudem-nos a encontrar o Senhor, sendo bondosos com eles, mas tomem cuidado para que vocês mesmos não sejam arrastados para os mesmos pecados deles. Detestem qualquer vestígio do pecado deles, enquanto têm compaixão deles como pecadores” (Jd 17-19 e 21-23).

Como o garotinho do avião, nos resta pedir a Deus, nosso Pai, pelo consolo e conforto das famílias que perderam seus filhos na boate Kiss, e pelos que andam nos caminhos da morte, para que tenham tempo de arrependimento.

19 de jan. de 2013

Se souber frear...


Duas jovens, em um ônibus, conversavam sobre habilidade para dirigir um veículo. Uma tinha habilitação e a outra não. Segundo uma delas dirigir é tranquilo: “se souber frear pode tudo”. Observando o trânsito da cidade, começo a pensar que muitas outras pessoas pensam da mesma forma.

Isto pode ser aplicado também para outras áreas da nossa vida. Muitas coisas erradas que andam acontecendo provavelmente chegaram à proporção atual porque um dia alguém pensou que seria fácil frear.

Uma dessas coisas é o desmatamento.  Continuamos pensando que será possível parar com ele, mas a ganancia sem freios dos madeireiros, dos agricultores e dos nossos representantes em Brasília, passa como um rolo compressor por cima de toda e qualquer tentativa. A cada dia o nosso planetinha fica menos verde.

O viciado é outro que com certeza começou crendo sinceramente que poderia pisar no freio quando quisesse.  A ótima banda de rock gospel, Fruto Sagrado, canta em sua música “Vicio”:
“Até onde você pensa chegar? Será que ainda pensa?
Será que o vício ainda deixa você pensar?
No início parece legal
Todo mundo acha que não vai se viciar,
Se desintegrar... na rodinha de "amigos"
Na pista de dança... em qualquer lugar...
Fumando, cheirando, bebendo, pegando todas
Todo mundo "na boa"... todo mundo "legal"...
Ainda assim insiste e vai mais fundo,
Perde o rumo, o prumo... não sabe mais voltar!”

Não consegue encontrar o freio e cada vez pisa mais fundo no acelerador. E a mesma música pergunta:
“Até quando você vai aguentar?
Até quando você vai aguentar?
Ver a droga do vício... do lixo...
Te dominar, te controlar... te manipular!”

O namoro é outro ambiente onde os freios estão em constante falta de manutenção. Tudo começa com um simples olhar de admiração, uma conversa inicial, mãos dadas, beijinho no rosto (pelo menos no meu tempo era assim que começava). Então, as lonas do freio se desgastam rápido demais, e acontecem os beijos na boca. A aceleração aumenta, os freios começam a falhar; vai para o longo beijo na boca com línguas também desenfreadas. O carinho rapidamente se transforma em carícias bem audaciosas nas curvas sinuosas. Os freios finalmente se deterioram por completo e o namoro em alta velocidade e totalmente descontrolado... Você sabe como termina isso.

Outras tantas situações se aplicariam aqui, mas, o que importa não é ficarmos pensando nelas e sim em como evitar. O apóstolo Paulo deixou registradas as palavras que poderão servir de freios para qualquer situação: “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar” (I Co 10:3). Esta orientação pode ser complementada por outra deixada por Tiago: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7).

11 de jan. de 2013

O trem da vida.


Maria Fumaça em Tiradentes (MG) - Ulicio Andrade
Entre os meses de Março e Julho de 2012, andei mais vezes de trem do que nos outros 645 meses da minha vida.

Hoje fiquei observando o movimento das pessoas que entravam e saiam em cada uma das estações onde o trem parava. Quando embarquei em Madureira outras pessoas entraram também. Muitas já estavam no trem. De Madureira até Japeri varias pessoas entraram e saíram. Outras que estavam quando entrei saíram em algum lugar. Algumas foram até o final comigo.

Ai eu fiz um paralelo com a vida. Quando embarquei no trem da vida no dia 9 de novembro de 1958, muitas pessoas já estavam embarcadas. Algumas entraram no trem junto comigo. Muitas pessoas que já estavam quando entramos desceram nas próximas estações; outras continuam até hoje. Pessoas que embarcaram depois desceram antes.

No trem da Central do Brasil, na próxima viagem verei novamente aquelas pessoas, principalmente os camelôs. Como tem camelô no trem. Vende-se de tudo. Alho, canetas, pipoca, pen-drives, agulhas, bananadas, joelheiras, lanternas, chips telefônicos, CD com quase 300 músicas gravadas (piratíssimo), DVD gospel por R$ 3,00, enfim tudo. Ah, é proibido, por determinação do Ministério Publico do Rio de Janeiro, qualquer tipo de manifestação religiosa (este é um país livre?).

No trem da vida quando alguém desce numa estação acabam-se todas as possibilidades. Não haverá mais oportunidade para desejar um bom dia; para dar um sorriso ou chorar; criar amizades; para amar; para perdoar ou pedir perdão; para reclamar; não haverá oportunidade para mais nada.

Um dos grandes problemas da vida, é que vivemos como se fôssemos eternos, mas não nos preparamos para a eternidade. O homem rico, da parábola contada por Cristo, vendo que sua colheita fora abundante planejava construir outros celeiros para guardar tudo e viver sua vida sem precisar de nada, nem de ninguém. “Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20). Toda a sua segurança estava nas coisas que ele colheria. Mas nada daquilo lhe serviria para alcançar o perdão de Deus no momento que sua alma fosse pedida. Nesta hora só tem valor o que plantamos no coração de Deus. É com esta colheita que devemos nos regalar com sua abundância, pois a sua escassez não será nada agradável.

Em uma reportagem sobre Nelson Rodrigues, citaram uma fala dele que dizia que “a alma nunca morre”, e é verdade. Mas a nossa grande preocupação não deve ser só o fato da morte ou não da alma. Nossa preocupação deve ser o que acontecerá em sua eternidade. Qual o caminho que ela seguirá, pois segundo o apóstolo Paulo “todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (II Co 5:10).

Para os que tiverem uma boa colheita a fazer daquilo que plantaram no coração de Deus a Bíblia garante que ouvirão: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25:34). Os que passaram pelo trem da vida sem a preocupação de produzirem frutos em abundancia no coração do Pai, o apóstolo Paulo diz que “eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder” (2 Ts 1.9).

O trem da vida está nos trilhos. Muita gente está descendo ou subindo em cada estação. O pior de tudo é que neste trem não sabemos em qual estação iremos descer. É sempre bom estar atento, pois a qualquer hora o trem vai parar, a porta se abrirá e você será retirado dele. 

A promessa de Cristo é: “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito a arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira” (Ap 22:12,14,15).

Saia do trem com estilo! Saia nos braços de Cristo.

30 de dez. de 2012

Sorria! Você está sendo filmado!!!


Ontem estava atravessando a rua e quase fui pego por um carro branco com vidros escuros que avançou o sinal. Ao passar por mim pude ler um letreiro com letras negras na lateral, que dizia: “Deus é amor”. Depois que ele passou pude ler no vidro traseiro outra frase: “Propriedade de Jesus”. Se eu fosse atropelado deveria reclamar com quem? Com o motorista ou com o proprietário? Se eu fosse atropelado e morresse poderia falar cara a cara com o proprietário, não é mesmo?

Algumas perguntas surgem em nossa cabeça nesta situação. Nos dias em que estamos vivendo, uma delas é: Será que o carro foi roubado e o ladrão está em fuga? Neste caso acredito que não, pois um ladrão em fuga normalmente imprime velocidade bem maior do que a que ele estava. Resolvido isso fica outra questão: Será que ele é crente mesmo, ou comprou este carro de outra pessoa que era? Esta pode ser uma verdade. Mas, e se não for isso? Será que ele é um cristão mesmo? Como um cristão anda por ai durante o dia avançando sinais de transito em lugares de grande trânsito de pedestres?

Outras situações podem ser de igual valor para pensamos aqui.

Vejo constantemente pelos campos do nosso país, vários dos nossos “irmãozinhos” que jogam futebol dando feias “butinadas” nos seus colegas de profissão. Quando o juiz marca falta, reclama com a maior cara de pau que não fizeram nada e, ainda pior, movem seus lábios que podem ser lidos à distância com expressões que não estão nas páginas da Bíblia.

Os jornais não se cansam de mostrar os políticos evangélicos que estão enfiados nas cachoeiras, mensalões e todas as maracutaias que rolam pelo Brasil político afora. Alguns ainda oram agradecendo a Deus suas “receitas”. Será que dão o dízimo???

A tão “inocente” cola nas salas de aula. Que coisa mais boba. Li certa vez num livro que todo pecado se resume ao roubo. A mentira é um roubo da verdade que alguém deveria ouvir. A cola é um roubo daquilo que alguém se esforçou para aprender. Talvez horas de sono foram perdidas em busca daquele conhecimento, e agora, com uma esticadinha de pescoço, você surrupia facilmente aquela resposta.

E o que dizer daqueles sites esquisitos no escondidinho do quarto à noite? Sem que ninguém esteja vendo, afinal, todos estão dormindo. Então, “inocentemente”, você sai passeando por todas as páginas impróprias que não teria coragem de ver num ambiente onde outras pessoas estivessem.

Ouvi certa vez um pastor falando da sua experiência com um jovem casal que o procurou para um aconselhamento. Os dois queriam saber se alguma coisa que faziam no namoro era pecado. Ele levantou-se da sua cadeira e pediu que os dois fossem para um sofá que existia em seu gabinete, e se assentassem ali. Depois de um tempinho em silencio olhando para eles disse: “Vamos lá. Namorem na minha frente. Façam tudo que vocês fazem no namoro de vocês”. Disse que os dois ficaram com caras de paisagem, sem saber o que fazer e, por fim, disseram que não podiam fazer na frente dele, pois tinham vergonha. Então ele disse: “Vocês sentem vergonha de mim, mas não de Deus?”.

Essa é a questão. Perdemos a noção da presença de Cristo ao nosso lado como ele prometeu quando despede os discípulos para o grande “Ide”: “eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).  A nossa dificuldade de ver sem a presença material é grande demais. Não conseguimos nos manter ligados o tempo todo. Perceber o invisível que está ao nosso lado não é fácil. Tanto quanto a fé, é um exercício diário. É prática constante. Desejo de ver. Anseio mesmo de ver, com os olhos da fé, que Cristo, como prometeu, está SEMPRE ao nosso lado. Por isso nos permitimos agir como se ninguém estivesse nos observando.

A Bíblia nos traz a promessa de uma presença contínua do nosso Deus conosco. Mas parece que isso não nos assusta tanto quanto um policial ou um radar eletrônico que poderá nos multar, ou placas que nos alertam: “Você está sendo filmado”. Muitos dirão: “Que bobagem! O que é que tem?” Pode parece uma bobagem, mas olha a que conclusão chegou Davi em seu relacionamento com Deus: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa” (Sl 139:7 a 12).

Não tem para onde fugir. É o Big Brother Divino. Os olhos de Deus não perdem nenhum movimento. São melhores que todas as câmeras mais modernas que você conhece. Sorria e viva a sua vida de maneira que nada seja motivo de vergonha para o evangelho. Não queira ouvir o que Jesus disse aos seus discípulos, e a todos que estavam ao redor: “Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos hei de suportar?” (Mc 9:19).

22 de dez. de 2012

Uma Noite de Paz


Um dia eu comprei um CD da banda Fruto Sagrado, e ao sair do local onde estava coloquei para tocar no radio do carro. Várias músicas tocaram e eu curtindo todas elas. Músicas boas, com letras boas. Mas num determinado momento começou a tocar algo como o barulho dos sininhos das renas que puxam o trenó do Papai Noel nos filmes sobre Natal. Eu pensei: uma banda de rock com sininhos de natal, como será? A música começou e aos poucos meus olhos começaram a lacrimejar. Sou chorão. Choro fácil. Mas a letra daquela música me deu um puxão para uma realidade que eu também estava envolvido. Fez-me pensar em como eu estava vivendo de forma fútil. Por isso eu chorei. Acabou a música eu toquei de novo e chorei novamente.

Leia esta poesia, que é a letra da música “Uma noite de Paz”. Não está toda aqui, mas só esse pedaço já dá para sentir o que estou falando.

“Você já esqueceu do aniversário de quem você ama?
Já esqueceu o nome de alguém que te ama?
Mas chega o fim do ano é tudo igual,
Eu acho que vocês acham que eu sou débil mental!
São mais de 300 dias debaixo da opressão.
Medo da guerra, da bala perdida,
Medo do medo da solidão.
Eu vejo os shoppings lotados, ruas lotadas,
Avenidas decoradas por corações vazios...

Feliz Nata! Pra criança deixada na rua...
Noite Infeliz! Pra aquele que não tem o que comer!
Feliz Natal! Pro pai desempregado...
Noite sem paz! Pra aquele que a morte veio ver!
Uma noite de paz! Uma noite...

(...)

Feliz Natal! O natal que muita gente esqueceu!
Noite Infeliz! Pra quem ainda não veio pra festa!
Feliz Natal! O mundo é quem ganhou o presente!
Noite sem paz!
Pra quem esqueceu daquele que nunca te esqueceu!”

Esta música me tocou por ver que eu estou tão envolvido com o mundo em que vivo que, de alguma forma, estou vivendo de acordo com ele. Me pego vivendo muito distante do propósito do Natal. E toda beleza colocada diante de mim pelos enfeites nos shoppings, nas casas, nas ruas, ofuscam minha visão para a realidade do mundo em que vivo e do verdadeiro sentido do Natal. A narrativa de Mateus do nascimento de Jesus nos dá nitidamente qual o propósito do natal, quando registra a fala do anjo do Senhor para José: “Não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará a à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus. PORQUE ELE SALVARÁ O SEU POVO DOS SEUS PECADOS” (Mt 1:20,21). Este é o verdadeiro propósito do natal.

E música continua...

Feliz Natal! Deixe-o nascer em seu coração!
Noite de paz! O passado fica pra trás!
Feliz Natal! Você é o presente de Deus!
Noite Feliz!
A morte morreu de medo ao ver Jesus nascer!
Uma noite de paz! Muito mais que uma noite de paz!

Que entendamos que o propósito do Natal é realmente muito mais que uma época de sorrisos, festas, enfeites, comidas, presentes e shoppings lotados. Que ele amadureça em nossos corações e vivamos uma eternidade de paz, sempre ao lado daquele que nos deu o Natal

Que a sua vida seja um eterno Natal, pois assim a felicidade será sempre sua.

É o que de melhor posso desejar a todos que tem me abençoado lendo meu blog.

15 de dez. de 2012

A Beleza das Árvores Tortas


É muito mais fácil você pegar uma sementinha, plantá-la e guiá-la para que ela cresça uma arvore certinha do que pegar uma árvore bem crescida, com caule torto e tentar endireita-la como você gostaria que ela fosse. Talvez a sua sementinha, quando se tornar uma árvore, não concorde com o modo como você a guiou.

Os jovens querem que os adultos aceitem o seu modo de ver as coisas. Esquecem que aqueles adultos viveram uma geração anterior a sua, e tudo o que eles viram e aprenderam era muito diferente das coisas de hoje. Algumas mudanças eles acompanharam e aceitaram, mas uma grande parte é nova para eles. E o que é novo, normalmente, é difícil para ser assimilado.

A tendência é uma tentativa de imposição de ideias e conceitos antigos para cabeças novas. Como resolver coisas novas com idéias velhas? Como olhar o novo com olhos antigos? Então começa o grande e famoso choque de gerações. Adultos querendo impor aos os jovens suas ideias, e os jovens não aceitando e empurrado as ideias “hiper avançadas” para eles.

Quando os jovens têm uma ideia nova, ou algum gesto que choca os “velhos”, são recriminados, e tentando se defender, só conseguem, às vezes, complicar um pouco mais. Talvez por isso George Chapman tenha dito que “os jovens pensam que os idosos são tolos; os idosos sabem que os jovens são tolos”.

Então o que fazer?

Barbara Russel Chesser em seu livro “O Mito do Casamento Perfeito” diz que “as pessoas de fato precisam considerar que podem ser julgadas pelo mesmo padrão crítico que usam para avaliar os outros (...) Muito frequentemente julgamo-nos a partir do ideal, enquanto os outros por seus atos. Considere, por exemplo, o seguinte:
Eu ofereço crítica construtiva; você é implicante.
Eu sou determinado/a; você é teimoso/a.
Eu sou diplomático/a; você é bajulador/a.
Eu sou coerente; você é turrão/ona em seu modo de ser.
Eu finco pé por aquilo em que acredito; você é fanático/a.
Eu mantenho minhas coisas organizadas; você é um/a neurótico/a compulsivo/a.
Eu uso discernimento; você é exigente demais.
Eu sou cuidadoso/a quanto a detalhes; você é um/a chato/a de galocha.
Eu sou franco/a; você é falador/a.
Eu não tenho falsa modéstia; você gosta de se vangloriar;
Eu assumo responsabilidades; você se preocupa à toa.
Eu fico na moita; você é molenga.
Eu sei relaxar; você é malandro/a.
Eu vejo as coisas realisticamente; você é pessimista.
Eu não aguento impertinência de ninguém; você tira o corpo fora da responsabilidade.
Eu sou ponderado/a; você é uma lesma.
Eu sou obsequioso/a; você transige em seus princípios.
Eu aproveito as oportunidades; você é um abutre.”

No sermão do monte Jesus Cristo nos faz um alerta: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados, pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês (Mt 7:1,2).

Creio que os mais jovens deveriam, já que são os novos e com capacidade para mudar, unir a sua força, sua juventude, sua impetuosidade, com a larga experiência de vida dos “menos jovens”. Aproveitar a sabedoria adquirida por eles e, com a sua capacidade de inovação, criar um ambiente onde jovens e velhos possam viver em paz, um aprendendo com o outro.

Os jovens precisam ver que um dia, provavelmente, terão que enfrentar, como velhos, a nova geração de amanhã. Lembrar que também terão os seus filhos os assustando com as idéias que eles terão. E aí, o que fazer? Será que não agirão como os seus pais? Será que não serão chamados de “velhos ranzinzas”, “velhos quadrados”, “ultrapassados” e todos esses adjetivos que volta e meia atiram sobre seus antepassados?

Pare agora e veja o que você pode fazer. Use sua capacidade para começar a mudar desde agora. Prepare-se para entrar no futuro com um mundo melhor preparado por você, para você mesmo.

Como? Muito simples.

Como é o teu relacionamento com os seus pais? Você tenta impor suas coisas ou tenta compor as coisas? Você é paciente com eles, ou são eles que te aturem por terem criado você? Será que todas as vezes que você ouve uma bronquinha, recebe como se fosse um grito de guerra, ou procura argumentar com calma, paciência? Às vezes o argumento não dá certo nas primeiras tentativas, então você não quer nem se preocupar com uma segunda e parte para o ataque?

É necessário que façamos uma busca em nós mesmos para conhecermos nossos anteriores. É através de nós que teremos um melhor relacionamento. Procure mudar. Tente. Faça um esforço constante.

Talvez você não consiga desentortar uma árvore velha, mas consiga adaptar a tua visão para ver naquela árvore uma beleza diferente.

E nunca se esqueça de que, um dia, você poderá ser uma árvore velha que precisará de alguém que mude a visão para achar-te uma árvore linda, mesmo sendo uma árvore torta.

Ulicio – 21/11/1985

8 de dez. de 2012

A vida é um sopro.


“A vida é um sopro”, disse Oscar Niemeyer que morreu aos 104 anos. Não sei qual era sua idade quando falou isso, mas vamos combinar que se tem alguém que não poderia dizer que a vida é um sopro, esse, honestamente, era ele. Quando eu nasci o Palácio da Alvorada, desenhado por ele, já estava com cinco meses de inaugurado, em Brasília. Como assim um sopro?

Mais que um sopro, a vida desse homem foi uma baita ventania. Talvez até mesmo um tufão, pois deixa marcas quase que eternas pelo mundo todo. O legado que ele deixa na vida profissional é algo de incalculável valor. A dedicação até o final de sua vida para manter-se ativo é um exemplo para muita gente nova que já anda por ai entregando os pontos. A quantidade de obras que ficam para serem admiradas por olhos atentos, é muito grande. Definitivamente a vida dele não foi um sopro, mas sim um furacão que deixa boas lembranças para muita gente. Talvez para o mundo todo.

Mas de alguma maneira, sua frase está corretíssima. É bíblica. O rei Davi já deixou registrada a mesma visão da vida quando escreveu que “o homem é como um sopro; seus dias são como uma sombra passageira” (Sl 144:4). Na sua angústia Jó faz a mesma reflexão sobre a vida quando diz que “o homem nascido de mulher vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades. Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito” (Jo 14:1,2). Seguindo na mesma linha de pensamento, o profeta Isaías diz “que toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória como a flor do campo. A relva murcha e cai a sua flor, quando o vento do Senhor sopra sobre eles; o povo não passa de relva. A relva murcha e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Is 40:6,7,8). Bem mais tarde Pedro, em sua primeira carta, relembra estas palavras de Isaías (I Pe 1:24). Assim fica entendido que a vida realmente é muito, muito passageira. Para alguns o tempo é ainda muito menor que para outros, mas uma coisa é certa, ela passa para todos.

Então o que fazer?

O livro dos salmos nos dá uma boa dica: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12). O salmista sabedor de que os dias são vividos sob a ira de Deus contra o pecado, pede a Deus sabedoria para viver o dia a dia. Ele conhecia bem o Deus que amava e sabia que ele não tolerava os erros cometidos contra suas ordenanças, pois estes erros levavam a um triste final. Então ele faz um apelo para que Deus dê ao homem a sabedoria de perceber a fragilidade da vida e valorizar cada instante vivido, vivendo com íntegradade como agrada a Deus. Mais adiante o mesmo salmista diz “Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor!” (Sl 119:1).

Assim que, se a vida é breve, precisamos vive-la com sabedoria. E sabedoria é obter conhecimento e saber usar este conhecimento. Para todo o Antigo Testamento este conhecimento é o conhecimento da vontade de Deus, e a sabedoria consiste em praticá-lo com sinceridade de coração. Oscar Niemeyer viveu longos 104 anos, mas não buscou esse conhecimento, pois ele nem acreditava em Deus. Era ateu declarado.

Nós que continuamos em nossa breve vida, busquemos alcançar corações sábios e viver cada dia como se fosse o último, sempre dedicando tudo que fizermos àquele que nos deu o sopro da vida que não passa de um sopro.

Talvez precisemos fazer das palavras de Davi uma oração diária: “Senhor tu examinaste a fundo a minha alma e conheces todas as coisas a meu respeito. Por isso, ó Deus, examina a minha vida em detalhes! Põe os meus pensamentos e emoções à prova, toma conhecimento de tudo! Descobre qualquer caminho errado e mau e orienta-me para que eu ande sempre pelo caminho da vida eterna” (Sl 139: 1,23,24).