Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

1 de dez de 2013

Pequenos gestos.

Não sei você, mas eu tenho muita dificuldade de jogar qualquer coisa na rua. Mesmo um pequeno pedaço de papel. Fico irritado quando vejo pessoas jogando coisas na rua. Uns porquinhos que jogam lata, papel ou outra coisa qualquer. Depois, quando chove e as ruas ficam alagadas por causa dos ralos entupidos, esses “lindinhos” ficam culpando o prefeito.

Creio que muito mais que uma falta de respeito ecológico, falta de educação ou desrespeito aos outros, é uma questão de mordomia. Quando Cristo disse que “quem é fiel nas coisas pequenas, também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes” (Lc16:10), poderia muito bem estar se referindo a estes pequenos gestos do nosso dia a dia também. Por que o texto fala de coisas como azeite e trigo, que são bens materiais, fechamos a caixinha da interpretação apenas para a questão do ofertar, mas não vejo nenhuma deturpação do texto em refletir sobre situações cotidianas, que fazem parte da mordomia cristã.

Paulo nos mostra como a prática da mordomia não é apenas uma questão financeira, é bem mais abrangente e muito séria quando diz:“Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! Se, pois, o faço de vontade própria, tenho recompensa; mas, se não é de vontade própria, estou apenas incumbido de uma mordomia” (ICo 9:16,17). Para ele a prática da evangelização era uma atividade de sua mordomia para com Deus. Ele fora colocado como um mordomo para servir ao Senhor, enquanto servia ao outros. Fazer por prazer ou para cumprir uma obrigação, mas fazer.

Todos nós, cristãos, recebemos a incumbência da evangelização, portanto todos nós somos mordomos de Deus. Como ser um bom mordomo quando falhamos em coisas que podem ser significativas para o crescimento do reino? Ficamos preocupados em fazer grandes ações, que chamem a atenção, que tragam os olhares sobre nós e nos esquecemos de que pequenos gestos podem fazer uma grande diferença.

Um “bom dia” ao seu porteiro, ao faxineiro do seu prédio, ao gari, ao caixa do mercado ou do banco, mesmo depois de enfrentar uma longa fila. Permitir que sua empregada coma a mesma comida que você, mesmo que ela tenha acabado de botar fogo no lado do seu fogão (aconteceu aqui em casa). Um “muito obrigado” para o motorista ao entrar no ônibus, ainda que ele tenha parado fora do ponto e você tenha precisado dar uma corridinha debaixo do sol quente. Um sorriso para aquele seu vizinho que lhe parece mal-humorado, mesmo que ele não lhe retribua. Dar um sorriso e agradecer ao segurança do banco quando ele libera a porta para você entrar, mesmo depois de quase ter que ficar nú para provar para ele que você não estava armado. Uma palavra agradável para o rapaz do posto de combustível, afinal, ele não é apenas o “boneco do posto”.

Li, na internet, que descobriram que mulheres grávidas e pessoas idosas são um excelente remédio para falta de sono, pois quando entram no ônibus, todos que estão sentados começam a dormir. Espero que você não sofra desse problema, pois faz parte da mordomia ceder seu lugar.

São coisas de menor aparência, de menor peso, que não chamam tanta atenção, que não fazem de você um grande candidato ao prêmio cidadão exemplar do ano em sua cidade, mas que podem ser de grande valor para aquela pessoa para quem você fez, ou para alguém que viu o que você fez, por ver que o mundo não está tão perdido assim. A mordomia cristã passa por isso, mostrar ao mundo que nem tudo está perdido, que ainda há solução, e que você sabe o caminho. E, com certeza, suas palavras surtirão menos efeito do que suas atitudes.

Na sequencia do texto de acima, depois de falar sobre várias atitudes tomadas, Paulo afirma: “Faço tudo isso por causa do evangelho” (ICo 9:23). Não era por ele mesmo, e sabemos que por nós mesmos não faríamos nada do que fazemos, mas deve ser feito por causa do nosso comprometimento com o evangelho. Não era por ele, mas ele fazia.

E numa tentativa de mostrar que nossa prática precisa ser compatível com nossa fala, o apóstolo diz: “Mas esmurro o meu corpo e faço dele o meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado” (ICo 9:27).

Pequenos gestos, grandes atitudes.São as atitudes e não as circunstâncias que determinam o valor de cada um. O que você diz, com todo respeito, é apenas o que você diz” disse Bob Marley.

Que não sejamos apenas faladores. Que não sejamos como mordomos infiéis.