Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

26 de fev de 2015

Bater ou não bater? Eis a questão.

O Papa falou que pode e deve dar umas boas palmadas. O mundo todo fala que não. Leis foram criadas para coibir tal forma de educação. E aí, bater ou não? Essa é uma questão que tem dividido opiniões. Afinal, os pais têm ou não o direito de dar umas palmadas nos filhos? Quem pode definir o que os pais podem, ou não, no seu dever de educar os filhos? Uma boa palmada pode causar algum trauma psicológico? Pode causar alguma revolta?

Regador
Da sua vida eu não sei, mas da minha eu sei. Eu apanhei com tudo que você pode imaginar. Minha mãe tinha sempre um trunfo nas mãos para ser usado em mim, não importava o que fosse. Apanhei com chinelos, cintos, varas de goiabeiras e de outras tantas árvores que havia nos terrenos da minha casa. Até mesmo um regador daqueles de metal. Se você não sabe o que é um regador eu explico: é algo parecido com um balde, mas tem uma parte coberta e possui um chuveiro que serve para molhar as plantas. Hoje existem uns de plástico, mas o da minha casa, que quase foi usado por minha mãe, era de metal.

Não estou dizendo se gostava disso ou não. Muitas, ou quase todas, eu fiz por merecer. Às vezes preferia apanhar a ficar ouvindo longos sermões. Levava uma boa surra e pronto, aprendia que tinha vacilado feio, ou não. Mas os sermões duravam o dia todo, ou pelo menos era o que parecia para mim. Apesar de tudo isso, que para muitos pode parecer tortura, nunca respondi minha mãe nesses momentos. Às vezes entrava para o banheiro e chorava por um longo tempo para jogar minha vontade de gritar para fora. Depois saia e tudo estava bem. Nunca deixei de amar minha mãe por isso, nem guardo qualquer magoa. Amo muito minha mãe, e já sofro só de pensar que a qualquer momento posso perdê-la. Mas, claro, esse sou eu. Não quer dizer que todos tenham o mesmo entendimento, ou perceba do mesmo jeito.

Andei dando uma pesquisada no assunto na internet e vi coisas que só a internet pode ter. Você não acreditaria se eu dissesse.

Na realidade, creio que não existe uma receita de bolo para educar filhos. Até porque mesmo as receitas de bolo não garantem que seu bolo vai ficar maravilhoso. E, mesmo que o seu fique, o da casa ao lado pode dar errado usando a mesma receita. Pessoas são diferentes.

Creio que uma boa orientação está em Provérbios 19:18: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”. O equilíbrio aqui, como em tudo na vida, é fundamental. O texto alerta que haverá um momento em que você perderá o controle sobre seu filho, e então valerá o que você já fez, ou deixou de fazer. Não especifica a forma de castigo, mas enfatiza que ele não deve ser exagerado. Acredito que a famosa “Lei da Palmada” pode ser aplicada aqui. Todo e qualquer EXAGERO na educação de filhos, seja palmada, castigos, ou o que for deve ser evitado.

Ao escrever este texto, provavelmente, Salomão estivesse pensando na Lei Mosaica (Dt 21:18-21) que orientava aos pais que tivessem filhos rebeldes, devassos e beberrões a leva-los aos líderes da comunidade para que fossem mortos. Havia todo um contexto para isso, que não é o nosso caso agora. Salomão, possivelmente, estava dizendo aos pais para serem firmes na correção, mas que não exagerassem nela. Ainda em Provérbios ele diz que “aquele que poupa a vara aborrece a seu filho, mas quem o ama, a seu tempo castigo” 13:14. O mesmo sábio que em Eclesiastes diz ter um tempo para tudo, aqui nos diz que há um tempo certo para corrigir de maneira certa os filhos.

Vou tentar traduzir o meu entendimento disto. Creio que Salomão está me orientando a corrigir de maneira equilibrada meu filho no tempo próprio, pois haverá um momento em que eu não terei o mesmo efeito que teria antes sobre a vida dele. Então, por não ter feito no momento adequado, poderei ter iniciado um processo que poderá culminar na prisão, ou mesmo na morte dele, pois sem a correção correta, sem limites, ele corre o risco de descambar para uma vida de delitos.

Ainda em Provérbios Salomão avisa: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (22:6). Quase ouço sua voz gritando em meus ouvidos que tudo que vier a acontecer com meus filhos, quando adulto, passa pelo processo da criação. Desde o inicio percebe-se que este é o desejo de Deus, nas palavras de Moisés, logo depois de receber os Dez Mandamentos: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo teu coração, de toda sua alma e toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no seu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 6:5 a 7).

O texto de Moisés nos dá mais uma advertência:”estarão no teu coração” (6), significa que os pais não só falarão em casa, na rua, deitado ou andando, mas acima de tudo deverão ser o exemplo que inculcará muito mais pela prática no dia a dia com os filhos.

É lógico que aqui também não é uma receita de bolo. As probabilidades de dar certo são enormes. Mas, como tudo, pode dar errado. Pode não ser assim. Pode ocorrer aqui a matemática do Roberto Carlos onde “dois e dois são cinco”.

Afinal, bater ou não bater? Eis a questão. E, quer saber, não sei também. Mas digo a você que prefiro seguir a orientação bíblica. Nosso governo não tem muita moral para falar de educação, de correção, de orientação. É fácil fazer uma lei e comprar votos para que ela seja aprovada. Ainda mais uma assim de apelo popular. Mas a prática do dia a dia é você com seus filhos dentro de casa que sabe o acontece. Equilíbrio é a palavra chave.

Alguém disse que seria interessante orar enquanto usa a vara no filho. É ridículo só de pensar. Mas aconselho a você, mesmo você não tendo pedido um conselho, a orar para que Deus te oriente a descobrir o que é melhor para você e seu filho. Sempre lembrando o que Paulo orienta: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4).

Bater ou não bater? Eis a questão. Corrija enquanto é tempo, seu filho, para que mais tarde a policia não o faça.

3 de fev de 2015

Desabafo com Deus


Deus, são dezenove minutos do dia trinta e um de julho de dois mil e quatorze. Eu sei que o Senhor sabe que horas são e a data de hoje também, mas é só um registro meu. Eu acabei de orar e me deitei. Mas eu preciso confessar uma coisa: a vida é muito louca.

Deus, eu amo a vida. Amo muito viver. Por tudo que o Senhor me permitiu viver, por tudo que o Senhor me deu, sinceramente, eu amo a vida. Mas é uma coisa muito louca. Estou aqui em Belo Horizonte, e lá em Nova Iguaçu, no CTI do Hospital da Posse meu irmão está entregue nas mãos de pessoas que eu nunca vi, e, provavelmente, ele também, passando por um procedimento bastante delicado. Estão drenando, pela segunda vez em dois dias, o sangue que tem vazado no cérebro dele.

Deus, eu sei que quando o Senhor nos criou não planejou nada disso. Eu sei que tudo isso vem em consequência de varias escolhas erradas desde Adão até nós. Mas isso, Senhor, é muito difícil. Sei que talvez muitos outros estejam agora vivendo a mesma coisa, mas, Deus, ele é meu irmão. Me afeta diretamente, e isso dói bastante. Ele corre o risco de não sair vivo daquele hospital. E isso me assusta. Está muito próximo de mim. Daqui a pouco pode ser eu.

Eu não tenho medo da morte. Não, não é isso. Não tenho medo do que vai ser depois, porque mesmo não me achando tão santo como foi o Apostolo Paulo, posso dizer "que, para mim, o morrer será lucro". Eu estarei em seus braços. Estarei contigo.

Mas Deus, deixar tudo isso? Eu amo a vida. Amo meus pais. Amo minha esposa. Amo minhas filhas. Amo minha neta Maria Eduarda que já chegou, e Maria Luiza que está chegando. Amo todo mundo. Não sei não amar. Não aprendi não amar. E de repente ter que deixar tudo... Deus isso é muito louco.

Ver as pessoas que são próximas partindo para sempre dói demais. Fico pensando em qual seria a solução. Que metido a besta que sou, não é verdade, Senhor? Se todos partirem antes de mim, eu sofrerei muito. Se eu for antes, eles irão sofrer. Eu acho. Então o que fazer? Não há o que fazer a não ser esperar, esperar e esperar a hora. Pois é certo que a hora de todos chegará.

Então porque somos tão bestas? Construímos palácios que iremos deixar. Engordamos contas bancárias que de nada adiantarão. Compramos carros caríssimos, que não poderão nos levar nem até mesmo ao cemitério. Construímos foguetes que não podem nos levar para o céu. Construímos armas que matam indiscriminadamente. Zombamos do outro só porque ele tem uma cor diferente da nossa, mas todo o seu corpo tem as mesmas substancias do nosso. Olhamos para os mais pobres com desdém, e não nos lembramos que seremos pó, como eles também.

Por que somos assim? 

Deus, são quinze hora e três minutos do dia quatro de novembro de dois mil e quatorze. Eu estou em Juiz de Fora, o Senhor sabe, não é mesmo? Há pouco mais de três meses meu irmão partiu. O Senhor o tem aí. Ele está vivendo o privilégio de estar juntinho do Senhor, e é isso que nos conforta. Eu nem consigo imaginar como é isso. Mas tenho certeza absoluta de que é maravilhoso, pois a descrição que João faz da Nova Jerusalém (Ap 21) é maravilhosa demais, e eu sei que nem chega aos pés daquilo que realmente é.

Me perdoe Senhor, mas gosto mais da Nova Jerusalém imaginada pela Sara, filha do Sélio. Para ela, o céu é um grande jardim, cheio de flores lindas e vários animaizinhos correndo por lá. Achei mais parecido com o Senhor, pois observando a natureza, não percebo o céu conforme a descrição de João. Seria muito frio. Seria muita ostentação. Não combina com o Senhor. João apenas caprichou tentando ser o mais fiel possível a grandeza daquilo que ele vislumbrava.

Eu fico imaginando que no meio desse lindo jardim há um banco, e posso ver sentados lá o Apostolo Paulo e meu irmão, Pr. José Sélio, num tremendo papo cabeça. Seria muito bom estar ali pertinho só ouvindo. Mas Senhor, não tenha pressa. Posso esperar ainda uns cinquenta anos para isso.

Deus, enquanto fico por aqui, me ajude a ser melhor. Quero cada dia me parecer mais e mais com o Teu filho, que é o seu plano para mim. As vezes é difícil, mas nunca é impossível. Até porque nada do que o Senhor nos pede é impossível. E enquanto isso, eu quero alertar outros para quererem o mesmo. Da mesma forma que seu servo Isaías, eu digo "eis-me aqui, Senhor". Usa-me, Senhor, como quiseres, onde quiseres, na hora que quiseres. Não quero encontrar-me com o Senhor com minhas mãos vazias.

Valeu, Senhor. Não vou me despedir com um até breve, ou até longe. Até porque seria estranho me despedir de quem prometeu estar sempre ao meu lado. Se alguma palavra o aborreceu, considere a tristeza que estava em meu coração com tudo que aconteceu. Mas acho que o Senhor entendeu, pois acima de tudo, o que queres de nós é sinceridade.

Um abraço, Senhor.