Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

7 de ago de 2015

Gansos na igreja.

"Caiam os muros, tirem as pedras.
Nossa unidade não é real.
Se a verdade é o que pregamos,
Porque erramos não sendo um?"

Este é o refrão da musica "Muros" da banda cristã Oficina G3, que eu gosto muito. Ouvindo esta música, principalmente esta parte, meu pensamento foi parar nas igrejas. Fico espantado com a rivalidade que vejo entre estas que deveriam pregar a união e a paz. É algo que esquenta minha cabeça. Há uma competição velada, ou mesmo escancarada, que me incomoda.

Durante uma competição internacional no Rio de Janeiro, participei de um grupo que tinha como alvo realizar alguns eventos com o objetivo de reunir pessoas e evangelizar. O líder do grupo convidou o pastor de jovens de uma igreja para participar e trazer seus jovens, e recebeu a seguinte resposta: "Só participo e levo meus jovens se a igreja tal não participar". E olha que eram igrejas de uma mesma denominação.

Pastores que querem ter o seu rebanho maior que o do outro apenas para massagear seu ego, como se igreja cheia fosse sinal de benção total. Ou quem sabe para dizer que ele é o cara, e não Deus. Igrejas cheias, se não for realmente ação de Deus, vira apenas mais um "point" de fim de semana.

Vejo igrejas que se plantam uma ao lado da outra, ou na frente da outra. Existem ruas pequenas que estão abarrotadas de igrejas, e os vizinhos com a paciência esgotada de tanto tumulto que elas criam. Há uma competição assustadora em busca de almas, mas quase sempre pela "alma financeira" das pessoas. Algumas funcionam 24 horas por dia, pois as metas financeiras precisam ser alcançadas. Algumas criam os mais loucos programas para atrair mais e mais pessoas para seus arraiais, não importando com o que pode parecer.

Trabalho como capelão numa empresa e realizamos cultos em suas dependências. Um jovem que participava dos cultos numa determinada base sumiu sem dizer nada. Nem mesmo falava comigo. Me evitava. Soube, mais tarde, que ele relatou ao seu pastor que estava cultuando na empresa, e o pastor, quando soube qual era minha denominação, simplesmente o proibiu. Por que? É uma resposta que não tive, nem consegui pensar em alguma.

Numa viagem missionária na cidade de Cerejeiras, em Rondônia, uma senhora que foi abordada por mim e por outra pessoa que estava comigo, quando soube quem éramos e o que fazíamos nos escorraçou do seu portão, pois segundo ela, éramos do Diabo. Só a igreja dela não era. As outras todas eram, segundo ela.

É assim que vivemos como igrejas, cada uma no seu quadrado.

Jesus orou assim: "Para que TODOS SEJAM UM, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também ELES SEJAM UM em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que SEJAM UM, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que ELES SEJAM PERFEITOS EM UNIDADE, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim" (Jo 17: 20-23). Os grifos são meus.

Qual será a parte do "para que todos sejam um" que ainda não entendemos. Nos esquecemos que enquanto competimos para descobrir qual a melhor igreja, ou comunidade cristã, ou denominação, chame como você quiser, o mundo só piora. Jesus deixou muito claro que o mundo o conheceria quando fossemos "perfeitos em unidade".

Fruto Sagrado, outra banda cristã, em sua musica "O que na verdade somos" diz que "Se o mundo ainda é mau, o culpado está diante do espelho!" Tiago compara quem não é praticante da Palavra a "um homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era" (Tg 1:23,24).

Somos como os gansos da parábola de Kierkegard, citada por Yancey em seu livro "Igreja: por que me importar", que todos os domingos caminhavam com seu andar cambaleante para a igreja. O pastor ganso pregava sobre as possibilidades que eles tinham de voar bem alto, apreciar as paisagens lá de cima, alcançar climas abençoados, se apenas obedecessem as ordens do Senhor. Os irmãos gansos levantavam as asas, gritavam aleluias e faziam todas aquelas coisas que nós fazemos em nossos cultos animados. Ao final do culto os gansos voltavam para suas casas, com seu andar cambaleante.

Somos assim, como os gansos na igreja. Quando será que mudaremos?