Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

4 de jul de 2015

Simples assim.

Se há uma coisa que fazemos muito bem é complicar a vida. Principalmente nós, os marmanjos, fazemos isso com enorme maestria. Às vezes tornamos as coisas tão complicadas que nós mesmos sofremos com o que fazemos. A vida era para ser simples. Ser simples e bela.

O conto infantil “O rei Bigodeira e sua Banheira”, de Audrey Wood e Don Wood (Editora Ática), reflete bem isso. O rei Bigodeira um dia entrou em sua banheira e não queria mais sair de lá. Seu jovem pajem correu tentando encontrar alguém que tirasse o rei do banho. O cavaleiro, a rainha, o duque e os membros da Corte tentam vários argumentos, mas nada convence o rei a sair da banheira. O pajem finalmente tem uma ideia brilhante: tira o tampão da banheira e a água escorre até não ficar nem uma gota, e o rei finalmente sai do banho. Simples assim.

O profeta Miquéias narra uma situação onde percebemos que a vontade de complicar do povo de Deus não é uma invenção moderna. Irritado com o povo de Israel que esquecera todas as bênçãos recebidas, Deus chama o povo para se explicar por causa das suas maldades, e convoca a natureza para testemunhar: “Escutem a acusação que o Senhor Deus vai fazer contra o seu povo! Levanta-te, ó Deus, e faze a tua acusação; e que as montanhas e os montes ouçam o que dizes. Ó montanhas, ó alicerces firmes da terra, escutem a acusação que o Senhor faz contra Israel. Pois ele tem uma questão para resolver com o seu povo; ele vai acusar o povo de Israel. O Senhor diz: ‘Meu povo, o que foi que eu fiz de errado? Será que exigi demais de vocês? Respondam!” (Mq 6:1 a 3).

Toda a criação era testemunha contra a idolatria praticada pelo povo de Israel que já esgotara a paciência de Deus. E Deus quer saber quais são os argumentos do povo para fazer tudo errado; por complicar a vida daquele jeito. Em momento algum Deus pede algo que não seja possível de se fazer. Sempre são coisas tão simples. Nada complicado.

Depois de lembrar ao povo o que Deus já havia feito por eles o profeta começa então a questionar o que poderia ser feito para agradar a Deus: “O que é que eu levarei quando for adorar ao Senhor? O que oferecerei ao Deus altíssimo? Será que deverei apresentar a Deus bezerros de um ano para serem completamente queimados? Será que o Senhor ficará contente se eu oferecer milhares de carneiros ou milhares e milhares de rios de azeite? Será que deverei oferecer o meu filho mais velho como sacrifício para pagar os meus pecados e as minhas maldades?” (Mq 6:6,7). Bastariam os sacrifícios? Era só isso suficiente para agradar a Deus? Sacrifícios e mais sacrifícios?

Hoje ainda vemos que alguns cristãos vivem nesta luta incansável para agradar ao Senhor. Sacrifícios e mais sacrifícios. Não de animais, como no Velho Testamento, mas de si próprio. Não entenderam bem o que Paulo falou sobre apresentar o próprio corpo para o sacrifício. Creem que é literalmente. Eles se matam para cumprir toda a extensa agenda da igreja a despeito da família e outras coisas. São congressos de todos os tipos, tamanhos e lugares, vigílias, retiros para isso e aquilo, e mais tantas outras atividades que quase não lhes sobra tempo para mais nada. Na “febre” dos Encontros de Casais, conheci algumas pessoas que passavam meses sem aparecer na igreja, pois trabalhavam em todos os encontros de todas as igrejas.

Alguns creem que esse ativismo louco é uma mostra de cristianismo autêntico. Eles se matam para cumprir algumas regras e programações que são criadas por seus líderes, que nem mesmo eles cumprem. Quando o salmista disse que “é melhor passar um dia no teu templo do que mil dias em qualquer outro lugar” (Sl 84:10), não queria dizer que devemos “morar” na igreja para agradar a Deus. É claro que não.

O blogueiro Alex Esteves (alexesteves.blogspot.com.br) diz que “Achamos que ser cristão resume-se a ‘servir a Deus’. Pensamos em todo crente como um ‘obreiro’. Medimos a espiritualidade pela frequência aos ‘trabalhos da igreja’, às atividades, pelo engajamento ‘na obra de Deus’. Ora, tudo isso é importante, mas a vida cristã não se resume a servir, trabalhar, frequentar, atuar. A vida cristã passa antes pelo estar com Jesus, ouvir Jesus, ficar aos pés de Jesus, exercer comunhão com Jesus”.

O profeta Miquéias diz ao povo o que é que agradaria a Deus: “O Senhor já nos mostrou o que é bom, ele já disse o que exige de nós. O que ele quer é que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obediência ao nosso Deus” (Mq 6:8). Simples assim. Deus que sempre mostrou gostar de coisas simples não iria exigir de nós nada que fosse complicado demais. Um Deus que usava barro e cuspe para curar, que mandava dar um mergulho num tanque ou alguns mergulhos num rio, não necessita de sacrifícios exagerados.

Pare de inventar e complicar o que Deus fez tão simples. Siga o Senhor com toda intensidade, curta a alegria de tê-lo em sua companhia a todo instante, compartilhe com outros as bênçãos que Ele derrama sobre você e indique este relacionamento, tão gostoso, para aqueles que vivem neste mundo sem saber como é ter Jesus Cristo como senhor e salvador de suas vidas. Simples assim.