Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

30 de dez de 2012

Sorria! Você está sendo filmado!!!


Ontem estava atravessando a rua e quase fui pego por um carro branco com vidros escuros que avançou o sinal. Ao passar por mim pude ler um letreiro com letras negras na lateral, que dizia: “Deus é amor”. Depois que ele passou pude ler no vidro traseiro outra frase: “Propriedade de Jesus”. Se eu fosse atropelado deveria reclamar com quem? Com o motorista ou com o proprietário? Se eu fosse atropelado e morresse poderia falar cara a cara com o proprietário, não é mesmo?

Algumas perguntas surgem em nossa cabeça nesta situação. Nos dias em que estamos vivendo, uma delas é: Será que o carro foi roubado e o ladrão está em fuga? Neste caso acredito que não, pois um ladrão em fuga normalmente imprime velocidade bem maior do que a que ele estava. Resolvido isso fica outra questão: Será que ele é crente mesmo, ou comprou este carro de outra pessoa que era? Esta pode ser uma verdade. Mas, e se não for isso? Será que ele é um cristão mesmo? Como um cristão anda por ai durante o dia avançando sinais de transito em lugares de grande trânsito de pedestres?

Outras situações podem ser de igual valor para pensamos aqui.

Vejo constantemente pelos campos do nosso país, vários dos nossos “irmãozinhos” que jogam futebol dando feias “butinadas” nos seus colegas de profissão. Quando o juiz marca falta, reclama com a maior cara de pau que não fizeram nada e, ainda pior, movem seus lábios que podem ser lidos à distância com expressões que não estão nas páginas da Bíblia.

Os jornais não se cansam de mostrar os políticos evangélicos que estão enfiados nas cachoeiras, mensalões e todas as maracutaias que rolam pelo Brasil político afora. Alguns ainda oram agradecendo a Deus suas “receitas”. Será que dão o dízimo???

A tão “inocente” cola nas salas de aula. Que coisa mais boba. Li certa vez num livro que todo pecado se resume ao roubo. A mentira é um roubo da verdade que alguém deveria ouvir. A cola é um roubo daquilo que alguém se esforçou para aprender. Talvez horas de sono foram perdidas em busca daquele conhecimento, e agora, com uma esticadinha de pescoço, você surrupia facilmente aquela resposta.

E o que dizer daqueles sites esquisitos no escondidinho do quarto à noite? Sem que ninguém esteja vendo, afinal, todos estão dormindo. Então, “inocentemente”, você sai passeando por todas as páginas impróprias que não teria coragem de ver num ambiente onde outras pessoas estivessem.

Ouvi certa vez um pastor falando da sua experiência com um jovem casal que o procurou para um aconselhamento. Os dois queriam saber se alguma coisa que faziam no namoro era pecado. Ele levantou-se da sua cadeira e pediu que os dois fossem para um sofá que existia em seu gabinete, e se assentassem ali. Depois de um tempinho em silencio olhando para eles disse: “Vamos lá. Namorem na minha frente. Façam tudo que vocês fazem no namoro de vocês”. Disse que os dois ficaram com caras de paisagem, sem saber o que fazer e, por fim, disseram que não podiam fazer na frente dele, pois tinham vergonha. Então ele disse: “Vocês sentem vergonha de mim, mas não de Deus?”.

Essa é a questão. Perdemos a noção da presença de Cristo ao nosso lado como ele prometeu quando despede os discípulos para o grande “Ide”: “eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).  A nossa dificuldade de ver sem a presença material é grande demais. Não conseguimos nos manter ligados o tempo todo. Perceber o invisível que está ao nosso lado não é fácil. Tanto quanto a fé, é um exercício diário. É prática constante. Desejo de ver. Anseio mesmo de ver, com os olhos da fé, que Cristo, como prometeu, está SEMPRE ao nosso lado. Por isso nos permitimos agir como se ninguém estivesse nos observando.

A Bíblia nos traz a promessa de uma presença contínua do nosso Deus conosco. Mas parece que isso não nos assusta tanto quanto um policial ou um radar eletrônico que poderá nos multar, ou placas que nos alertam: “Você está sendo filmado”. Muitos dirão: “Que bobagem! O que é que tem?” Pode parece uma bobagem, mas olha a que conclusão chegou Davi em seu relacionamento com Deus: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa” (Sl 139:7 a 12).

Não tem para onde fugir. É o Big Brother Divino. Os olhos de Deus não perdem nenhum movimento. São melhores que todas as câmeras mais modernas que você conhece. Sorria e viva a sua vida de maneira que nada seja motivo de vergonha para o evangelho. Não queira ouvir o que Jesus disse aos seus discípulos, e a todos que estavam ao redor: “Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos hei de suportar?” (Mc 9:19).

22 de dez de 2012

Uma Noite de Paz


Um dia eu comprei um CD da banda Fruto Sagrado, e ao sair do local onde estava coloquei para tocar no radio do carro. Várias músicas tocaram e eu curtindo todas elas. Músicas boas, com letras boas. Mas num determinado momento começou a tocar algo como o barulho dos sininhos das renas que puxam o trenó do Papai Noel nos filmes sobre Natal. Eu pensei: uma banda de rock com sininhos de natal, como será? A música começou e aos poucos meus olhos começaram a lacrimejar. Sou chorão. Choro fácil. Mas a letra daquela música me deu um puxão para uma realidade que eu também estava envolvido. Fez-me pensar em como eu estava vivendo de forma fútil. Por isso eu chorei. Acabou a música eu toquei de novo e chorei novamente.

Leia esta poesia, que é a letra da música “Uma noite de Paz”. Não está toda aqui, mas só esse pedaço já dá para sentir o que estou falando.

“Você já esqueceu do aniversário de quem você ama?
Já esqueceu o nome de alguém que te ama?
Mas chega o fim do ano é tudo igual,
Eu acho que vocês acham que eu sou débil mental!
São mais de 300 dias debaixo da opressão.
Medo da guerra, da bala perdida,
Medo do medo da solidão.
Eu vejo os shoppings lotados, ruas lotadas,
Avenidas decoradas por corações vazios...

Feliz Nata! Pra criança deixada na rua...
Noite Infeliz! Pra aquele que não tem o que comer!
Feliz Natal! Pro pai desempregado...
Noite sem paz! Pra aquele que a morte veio ver!
Uma noite de paz! Uma noite...

(...)

Feliz Natal! O natal que muita gente esqueceu!
Noite Infeliz! Pra quem ainda não veio pra festa!
Feliz Natal! O mundo é quem ganhou o presente!
Noite sem paz!
Pra quem esqueceu daquele que nunca te esqueceu!”

Esta música me tocou por ver que eu estou tão envolvido com o mundo em que vivo que, de alguma forma, estou vivendo de acordo com ele. Me pego vivendo muito distante do propósito do Natal. E toda beleza colocada diante de mim pelos enfeites nos shoppings, nas casas, nas ruas, ofuscam minha visão para a realidade do mundo em que vivo e do verdadeiro sentido do Natal. A narrativa de Mateus do nascimento de Jesus nos dá nitidamente qual o propósito do natal, quando registra a fala do anjo do Senhor para José: “Não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará a à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus. PORQUE ELE SALVARÁ O SEU POVO DOS SEUS PECADOS” (Mt 1:20,21). Este é o verdadeiro propósito do natal.

E música continua...

Feliz Natal! Deixe-o nascer em seu coração!
Noite de paz! O passado fica pra trás!
Feliz Natal! Você é o presente de Deus!
Noite Feliz!
A morte morreu de medo ao ver Jesus nascer!
Uma noite de paz! Muito mais que uma noite de paz!

Que entendamos que o propósito do Natal é realmente muito mais que uma época de sorrisos, festas, enfeites, comidas, presentes e shoppings lotados. Que ele amadureça em nossos corações e vivamos uma eternidade de paz, sempre ao lado daquele que nos deu o Natal

Que a sua vida seja um eterno Natal, pois assim a felicidade será sempre sua.

É o que de melhor posso desejar a todos que tem me abençoado lendo meu blog.

15 de dez de 2012

A Beleza das Árvores Tortas


É muito mais fácil você pegar uma sementinha, plantá-la e guiá-la para que ela cresça uma arvore certinha do que pegar uma árvore bem crescida, com caule torto e tentar endireita-la como você gostaria que ela fosse. Talvez a sua sementinha, quando se tornar uma árvore, não concorde com o modo como você a guiou.

Os jovens querem que os adultos aceitem o seu modo de ver as coisas. Esquecem que aqueles adultos viveram uma geração anterior a sua, e tudo o que eles viram e aprenderam era muito diferente das coisas de hoje. Algumas mudanças eles acompanharam e aceitaram, mas uma grande parte é nova para eles. E o que é novo, normalmente, é difícil para ser assimilado.

A tendência é uma tentativa de imposição de ideias e conceitos antigos para cabeças novas. Como resolver coisas novas com idéias velhas? Como olhar o novo com olhos antigos? Então começa o grande e famoso choque de gerações. Adultos querendo impor aos os jovens suas ideias, e os jovens não aceitando e empurrado as ideias “hiper avançadas” para eles.

Quando os jovens têm uma ideia nova, ou algum gesto que choca os “velhos”, são recriminados, e tentando se defender, só conseguem, às vezes, complicar um pouco mais. Talvez por isso George Chapman tenha dito que “os jovens pensam que os idosos são tolos; os idosos sabem que os jovens são tolos”.

Então o que fazer?

Barbara Russel Chesser em seu livro “O Mito do Casamento Perfeito” diz que “as pessoas de fato precisam considerar que podem ser julgadas pelo mesmo padrão crítico que usam para avaliar os outros (...) Muito frequentemente julgamo-nos a partir do ideal, enquanto os outros por seus atos. Considere, por exemplo, o seguinte:
Eu ofereço crítica construtiva; você é implicante.
Eu sou determinado/a; você é teimoso/a.
Eu sou diplomático/a; você é bajulador/a.
Eu sou coerente; você é turrão/ona em seu modo de ser.
Eu finco pé por aquilo em que acredito; você é fanático/a.
Eu mantenho minhas coisas organizadas; você é um/a neurótico/a compulsivo/a.
Eu uso discernimento; você é exigente demais.
Eu sou cuidadoso/a quanto a detalhes; você é um/a chato/a de galocha.
Eu sou franco/a; você é falador/a.
Eu não tenho falsa modéstia; você gosta de se vangloriar;
Eu assumo responsabilidades; você se preocupa à toa.
Eu fico na moita; você é molenga.
Eu sei relaxar; você é malandro/a.
Eu vejo as coisas realisticamente; você é pessimista.
Eu não aguento impertinência de ninguém; você tira o corpo fora da responsabilidade.
Eu sou ponderado/a; você é uma lesma.
Eu sou obsequioso/a; você transige em seus princípios.
Eu aproveito as oportunidades; você é um abutre.”

No sermão do monte Jesus Cristo nos faz um alerta: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados, pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês (Mt 7:1,2).

Creio que os mais jovens deveriam, já que são os novos e com capacidade para mudar, unir a sua força, sua juventude, sua impetuosidade, com a larga experiência de vida dos “menos jovens”. Aproveitar a sabedoria adquirida por eles e, com a sua capacidade de inovação, criar um ambiente onde jovens e velhos possam viver em paz, um aprendendo com o outro.

Os jovens precisam ver que um dia, provavelmente, terão que enfrentar, como velhos, a nova geração de amanhã. Lembrar que também terão os seus filhos os assustando com as idéias que eles terão. E aí, o que fazer? Será que não agirão como os seus pais? Será que não serão chamados de “velhos ranzinzas”, “velhos quadrados”, “ultrapassados” e todos esses adjetivos que volta e meia atiram sobre seus antepassados?

Pare agora e veja o que você pode fazer. Use sua capacidade para começar a mudar desde agora. Prepare-se para entrar no futuro com um mundo melhor preparado por você, para você mesmo.

Como? Muito simples.

Como é o teu relacionamento com os seus pais? Você tenta impor suas coisas ou tenta compor as coisas? Você é paciente com eles, ou são eles que te aturem por terem criado você? Será que todas as vezes que você ouve uma bronquinha, recebe como se fosse um grito de guerra, ou procura argumentar com calma, paciência? Às vezes o argumento não dá certo nas primeiras tentativas, então você não quer nem se preocupar com uma segunda e parte para o ataque?

É necessário que façamos uma busca em nós mesmos para conhecermos nossos anteriores. É através de nós que teremos um melhor relacionamento. Procure mudar. Tente. Faça um esforço constante.

Talvez você não consiga desentortar uma árvore velha, mas consiga adaptar a tua visão para ver naquela árvore uma beleza diferente.

E nunca se esqueça de que, um dia, você poderá ser uma árvore velha que precisará de alguém que mude a visão para achar-te uma árvore linda, mesmo sendo uma árvore torta.

Ulicio – 21/11/1985

8 de dez de 2012

A vida é um sopro.


“A vida é um sopro”, disse Oscar Niemeyer que morreu aos 104 anos. Não sei qual era sua idade quando falou isso, mas vamos combinar que se tem alguém que não poderia dizer que a vida é um sopro, esse, honestamente, era ele. Quando eu nasci o Palácio da Alvorada, desenhado por ele, já estava com cinco meses de inaugurado, em Brasília. Como assim um sopro?

Mais que um sopro, a vida desse homem foi uma baita ventania. Talvez até mesmo um tufão, pois deixa marcas quase que eternas pelo mundo todo. O legado que ele deixa na vida profissional é algo de incalculável valor. A dedicação até o final de sua vida para manter-se ativo é um exemplo para muita gente nova que já anda por ai entregando os pontos. A quantidade de obras que ficam para serem admiradas por olhos atentos, é muito grande. Definitivamente a vida dele não foi um sopro, mas sim um furacão que deixa boas lembranças para muita gente. Talvez para o mundo todo.

Mas de alguma maneira, sua frase está corretíssima. É bíblica. O rei Davi já deixou registrada a mesma visão da vida quando escreveu que “o homem é como um sopro; seus dias são como uma sombra passageira” (Sl 144:4). Na sua angústia Jó faz a mesma reflexão sobre a vida quando diz que “o homem nascido de mulher vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades. Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito” (Jo 14:1,2). Seguindo na mesma linha de pensamento, o profeta Isaías diz “que toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória como a flor do campo. A relva murcha e cai a sua flor, quando o vento do Senhor sopra sobre eles; o povo não passa de relva. A relva murcha e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Is 40:6,7,8). Bem mais tarde Pedro, em sua primeira carta, relembra estas palavras de Isaías (I Pe 1:24). Assim fica entendido que a vida realmente é muito, muito passageira. Para alguns o tempo é ainda muito menor que para outros, mas uma coisa é certa, ela passa para todos.

Então o que fazer?

O livro dos salmos nos dá uma boa dica: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12). O salmista sabedor de que os dias são vividos sob a ira de Deus contra o pecado, pede a Deus sabedoria para viver o dia a dia. Ele conhecia bem o Deus que amava e sabia que ele não tolerava os erros cometidos contra suas ordenanças, pois estes erros levavam a um triste final. Então ele faz um apelo para que Deus dê ao homem a sabedoria de perceber a fragilidade da vida e valorizar cada instante vivido, vivendo com íntegradade como agrada a Deus. Mais adiante o mesmo salmista diz “Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor!” (Sl 119:1).

Assim que, se a vida é breve, precisamos vive-la com sabedoria. E sabedoria é obter conhecimento e saber usar este conhecimento. Para todo o Antigo Testamento este conhecimento é o conhecimento da vontade de Deus, e a sabedoria consiste em praticá-lo com sinceridade de coração. Oscar Niemeyer viveu longos 104 anos, mas não buscou esse conhecimento, pois ele nem acreditava em Deus. Era ateu declarado.

Nós que continuamos em nossa breve vida, busquemos alcançar corações sábios e viver cada dia como se fosse o último, sempre dedicando tudo que fizermos àquele que nos deu o sopro da vida que não passa de um sopro.

Talvez precisemos fazer das palavras de Davi uma oração diária: “Senhor tu examinaste a fundo a minha alma e conheces todas as coisas a meu respeito. Por isso, ó Deus, examina a minha vida em detalhes! Põe os meus pensamentos e emoções à prova, toma conhecimento de tudo! Descobre qualquer caminho errado e mau e orienta-me para que eu ande sempre pelo caminho da vida eterna” (Sl 139: 1,23,24).