Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

30 de dez de 2012

Sorria! Você está sendo filmado!!!


Ontem estava atravessando a rua e quase fui pego por um carro branco com vidros escuros que avançou o sinal. Ao passar por mim pude ler um letreiro com letras negras na lateral, que dizia: “Deus é amor”. Depois que ele passou pude ler no vidro traseiro outra frase: “Propriedade de Jesus”. Se eu fosse atropelado deveria reclamar com quem? Com o motorista ou com o proprietário? Se eu fosse atropelado e morresse poderia falar cara a cara com o proprietário, não é mesmo?

Algumas perguntas surgem em nossa cabeça nesta situação. Nos dias em que estamos vivendo, uma delas é: Será que o carro foi roubado e o ladrão está em fuga? Neste caso acredito que não, pois um ladrão em fuga normalmente imprime velocidade bem maior do que a que ele estava. Resolvido isso fica outra questão: Será que ele é crente mesmo, ou comprou este carro de outra pessoa que era? Esta pode ser uma verdade. Mas, e se não for isso? Será que ele é um cristão mesmo? Como um cristão anda por ai durante o dia avançando sinais de transito em lugares de grande trânsito de pedestres?

Outras situações podem ser de igual valor para pensamos aqui.

Vejo constantemente pelos campos do nosso país, vários dos nossos “irmãozinhos” que jogam futebol dando feias “butinadas” nos seus colegas de profissão. Quando o juiz marca falta, reclama com a maior cara de pau que não fizeram nada e, ainda pior, movem seus lábios que podem ser lidos à distância com expressões que não estão nas páginas da Bíblia.

Os jornais não se cansam de mostrar os políticos evangélicos que estão enfiados nas cachoeiras, mensalões e todas as maracutaias que rolam pelo Brasil político afora. Alguns ainda oram agradecendo a Deus suas “receitas”. Será que dão o dízimo???

A tão “inocente” cola nas salas de aula. Que coisa mais boba. Li certa vez num livro que todo pecado se resume ao roubo. A mentira é um roubo da verdade que alguém deveria ouvir. A cola é um roubo daquilo que alguém se esforçou para aprender. Talvez horas de sono foram perdidas em busca daquele conhecimento, e agora, com uma esticadinha de pescoço, você surrupia facilmente aquela resposta.

E o que dizer daqueles sites esquisitos no escondidinho do quarto à noite? Sem que ninguém esteja vendo, afinal, todos estão dormindo. Então, “inocentemente”, você sai passeando por todas as páginas impróprias que não teria coragem de ver num ambiente onde outras pessoas estivessem.

Ouvi certa vez um pastor falando da sua experiência com um jovem casal que o procurou para um aconselhamento. Os dois queriam saber se alguma coisa que faziam no namoro era pecado. Ele levantou-se da sua cadeira e pediu que os dois fossem para um sofá que existia em seu gabinete, e se assentassem ali. Depois de um tempinho em silencio olhando para eles disse: “Vamos lá. Namorem na minha frente. Façam tudo que vocês fazem no namoro de vocês”. Disse que os dois ficaram com caras de paisagem, sem saber o que fazer e, por fim, disseram que não podiam fazer na frente dele, pois tinham vergonha. Então ele disse: “Vocês sentem vergonha de mim, mas não de Deus?”.

Essa é a questão. Perdemos a noção da presença de Cristo ao nosso lado como ele prometeu quando despede os discípulos para o grande “Ide”: “eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).  A nossa dificuldade de ver sem a presença material é grande demais. Não conseguimos nos manter ligados o tempo todo. Perceber o invisível que está ao nosso lado não é fácil. Tanto quanto a fé, é um exercício diário. É prática constante. Desejo de ver. Anseio mesmo de ver, com os olhos da fé, que Cristo, como prometeu, está SEMPRE ao nosso lado. Por isso nos permitimos agir como se ninguém estivesse nos observando.

A Bíblia nos traz a promessa de uma presença contínua do nosso Deus conosco. Mas parece que isso não nos assusta tanto quanto um policial ou um radar eletrônico que poderá nos multar, ou placas que nos alertam: “Você está sendo filmado”. Muitos dirão: “Que bobagem! O que é que tem?” Pode parece uma bobagem, mas olha a que conclusão chegou Davi em seu relacionamento com Deus: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa” (Sl 139:7 a 12).

Não tem para onde fugir. É o Big Brother Divino. Os olhos de Deus não perdem nenhum movimento. São melhores que todas as câmeras mais modernas que você conhece. Sorria e viva a sua vida de maneira que nada seja motivo de vergonha para o evangelho. Não queira ouvir o que Jesus disse aos seus discípulos, e a todos que estavam ao redor: “Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos hei de suportar?” (Mc 9:19).

22 de dez de 2012

Uma Noite de Paz


Um dia eu comprei um CD da banda Fruto Sagrado, e ao sair do local onde estava coloquei para tocar no radio do carro. Várias músicas tocaram e eu curtindo todas elas. Músicas boas, com letras boas. Mas num determinado momento começou a tocar algo como o barulho dos sininhos das renas que puxam o trenó do Papai Noel nos filmes sobre Natal. Eu pensei: uma banda de rock com sininhos de natal, como será? A música começou e aos poucos meus olhos começaram a lacrimejar. Sou chorão. Choro fácil. Mas a letra daquela música me deu um puxão para uma realidade que eu também estava envolvido. Fez-me pensar em como eu estava vivendo de forma fútil. Por isso eu chorei. Acabou a música eu toquei de novo e chorei novamente.

Leia esta poesia, que é a letra da música “Uma noite de Paz”. Não está toda aqui, mas só esse pedaço já dá para sentir o que estou falando.

“Você já esqueceu do aniversário de quem você ama?
Já esqueceu o nome de alguém que te ama?
Mas chega o fim do ano é tudo igual,
Eu acho que vocês acham que eu sou débil mental!
São mais de 300 dias debaixo da opressão.
Medo da guerra, da bala perdida,
Medo do medo da solidão.
Eu vejo os shoppings lotados, ruas lotadas,
Avenidas decoradas por corações vazios...

Feliz Nata! Pra criança deixada na rua...
Noite Infeliz! Pra aquele que não tem o que comer!
Feliz Natal! Pro pai desempregado...
Noite sem paz! Pra aquele que a morte veio ver!
Uma noite de paz! Uma noite...

(...)

Feliz Natal! O natal que muita gente esqueceu!
Noite Infeliz! Pra quem ainda não veio pra festa!
Feliz Natal! O mundo é quem ganhou o presente!
Noite sem paz!
Pra quem esqueceu daquele que nunca te esqueceu!”

Esta música me tocou por ver que eu estou tão envolvido com o mundo em que vivo que, de alguma forma, estou vivendo de acordo com ele. Me pego vivendo muito distante do propósito do Natal. E toda beleza colocada diante de mim pelos enfeites nos shoppings, nas casas, nas ruas, ofuscam minha visão para a realidade do mundo em que vivo e do verdadeiro sentido do Natal. A narrativa de Mateus do nascimento de Jesus nos dá nitidamente qual o propósito do natal, quando registra a fala do anjo do Senhor para José: “Não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará a à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus. PORQUE ELE SALVARÁ O SEU POVO DOS SEUS PECADOS” (Mt 1:20,21). Este é o verdadeiro propósito do natal.

E música continua...

Feliz Natal! Deixe-o nascer em seu coração!
Noite de paz! O passado fica pra trás!
Feliz Natal! Você é o presente de Deus!
Noite Feliz!
A morte morreu de medo ao ver Jesus nascer!
Uma noite de paz! Muito mais que uma noite de paz!

Que entendamos que o propósito do Natal é realmente muito mais que uma época de sorrisos, festas, enfeites, comidas, presentes e shoppings lotados. Que ele amadureça em nossos corações e vivamos uma eternidade de paz, sempre ao lado daquele que nos deu o Natal

Que a sua vida seja um eterno Natal, pois assim a felicidade será sempre sua.

É o que de melhor posso desejar a todos que tem me abençoado lendo meu blog.

15 de dez de 2012

A Beleza das Árvores Tortas


É muito mais fácil você pegar uma sementinha, plantá-la e guiá-la para que ela cresça uma arvore certinha do que pegar uma árvore bem crescida, com caule torto e tentar endireita-la como você gostaria que ela fosse. Talvez a sua sementinha, quando se tornar uma árvore, não concorde com o modo como você a guiou.

Os jovens querem que os adultos aceitem o seu modo de ver as coisas. Esquecem que aqueles adultos viveram uma geração anterior a sua, e tudo o que eles viram e aprenderam era muito diferente das coisas de hoje. Algumas mudanças eles acompanharam e aceitaram, mas uma grande parte é nova para eles. E o que é novo, normalmente, é difícil para ser assimilado.

A tendência é uma tentativa de imposição de ideias e conceitos antigos para cabeças novas. Como resolver coisas novas com idéias velhas? Como olhar o novo com olhos antigos? Então começa o grande e famoso choque de gerações. Adultos querendo impor aos os jovens suas ideias, e os jovens não aceitando e empurrado as ideias “hiper avançadas” para eles.

Quando os jovens têm uma ideia nova, ou algum gesto que choca os “velhos”, são recriminados, e tentando se defender, só conseguem, às vezes, complicar um pouco mais. Talvez por isso George Chapman tenha dito que “os jovens pensam que os idosos são tolos; os idosos sabem que os jovens são tolos”.

Então o que fazer?

Barbara Russel Chesser em seu livro “O Mito do Casamento Perfeito” diz que “as pessoas de fato precisam considerar que podem ser julgadas pelo mesmo padrão crítico que usam para avaliar os outros (...) Muito frequentemente julgamo-nos a partir do ideal, enquanto os outros por seus atos. Considere, por exemplo, o seguinte:
Eu ofereço crítica construtiva; você é implicante.
Eu sou determinado/a; você é teimoso/a.
Eu sou diplomático/a; você é bajulador/a.
Eu sou coerente; você é turrão/ona em seu modo de ser.
Eu finco pé por aquilo em que acredito; você é fanático/a.
Eu mantenho minhas coisas organizadas; você é um/a neurótico/a compulsivo/a.
Eu uso discernimento; você é exigente demais.
Eu sou cuidadoso/a quanto a detalhes; você é um/a chato/a de galocha.
Eu sou franco/a; você é falador/a.
Eu não tenho falsa modéstia; você gosta de se vangloriar;
Eu assumo responsabilidades; você se preocupa à toa.
Eu fico na moita; você é molenga.
Eu sei relaxar; você é malandro/a.
Eu vejo as coisas realisticamente; você é pessimista.
Eu não aguento impertinência de ninguém; você tira o corpo fora da responsabilidade.
Eu sou ponderado/a; você é uma lesma.
Eu sou obsequioso/a; você transige em seus princípios.
Eu aproveito as oportunidades; você é um abutre.”

No sermão do monte Jesus Cristo nos faz um alerta: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados, pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês (Mt 7:1,2).

Creio que os mais jovens deveriam, já que são os novos e com capacidade para mudar, unir a sua força, sua juventude, sua impetuosidade, com a larga experiência de vida dos “menos jovens”. Aproveitar a sabedoria adquirida por eles e, com a sua capacidade de inovação, criar um ambiente onde jovens e velhos possam viver em paz, um aprendendo com o outro.

Os jovens precisam ver que um dia, provavelmente, terão que enfrentar, como velhos, a nova geração de amanhã. Lembrar que também terão os seus filhos os assustando com as idéias que eles terão. E aí, o que fazer? Será que não agirão como os seus pais? Será que não serão chamados de “velhos ranzinzas”, “velhos quadrados”, “ultrapassados” e todos esses adjetivos que volta e meia atiram sobre seus antepassados?

Pare agora e veja o que você pode fazer. Use sua capacidade para começar a mudar desde agora. Prepare-se para entrar no futuro com um mundo melhor preparado por você, para você mesmo.

Como? Muito simples.

Como é o teu relacionamento com os seus pais? Você tenta impor suas coisas ou tenta compor as coisas? Você é paciente com eles, ou são eles que te aturem por terem criado você? Será que todas as vezes que você ouve uma bronquinha, recebe como se fosse um grito de guerra, ou procura argumentar com calma, paciência? Às vezes o argumento não dá certo nas primeiras tentativas, então você não quer nem se preocupar com uma segunda e parte para o ataque?

É necessário que façamos uma busca em nós mesmos para conhecermos nossos anteriores. É através de nós que teremos um melhor relacionamento. Procure mudar. Tente. Faça um esforço constante.

Talvez você não consiga desentortar uma árvore velha, mas consiga adaptar a tua visão para ver naquela árvore uma beleza diferente.

E nunca se esqueça de que, um dia, você poderá ser uma árvore velha que precisará de alguém que mude a visão para achar-te uma árvore linda, mesmo sendo uma árvore torta.

Ulicio – 21/11/1985

8 de dez de 2012

A vida é um sopro.


“A vida é um sopro”, disse Oscar Niemeyer que morreu aos 104 anos. Não sei qual era sua idade quando falou isso, mas vamos combinar que se tem alguém que não poderia dizer que a vida é um sopro, esse, honestamente, era ele. Quando eu nasci o Palácio da Alvorada, desenhado por ele, já estava com cinco meses de inaugurado, em Brasília. Como assim um sopro?

Mais que um sopro, a vida desse homem foi uma baita ventania. Talvez até mesmo um tufão, pois deixa marcas quase que eternas pelo mundo todo. O legado que ele deixa na vida profissional é algo de incalculável valor. A dedicação até o final de sua vida para manter-se ativo é um exemplo para muita gente nova que já anda por ai entregando os pontos. A quantidade de obras que ficam para serem admiradas por olhos atentos, é muito grande. Definitivamente a vida dele não foi um sopro, mas sim um furacão que deixa boas lembranças para muita gente. Talvez para o mundo todo.

Mas de alguma maneira, sua frase está corretíssima. É bíblica. O rei Davi já deixou registrada a mesma visão da vida quando escreveu que “o homem é como um sopro; seus dias são como uma sombra passageira” (Sl 144:4). Na sua angústia Jó faz a mesma reflexão sobre a vida quando diz que “o homem nascido de mulher vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades. Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito” (Jo 14:1,2). Seguindo na mesma linha de pensamento, o profeta Isaías diz “que toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória como a flor do campo. A relva murcha e cai a sua flor, quando o vento do Senhor sopra sobre eles; o povo não passa de relva. A relva murcha e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Is 40:6,7,8). Bem mais tarde Pedro, em sua primeira carta, relembra estas palavras de Isaías (I Pe 1:24). Assim fica entendido que a vida realmente é muito, muito passageira. Para alguns o tempo é ainda muito menor que para outros, mas uma coisa é certa, ela passa para todos.

Então o que fazer?

O livro dos salmos nos dá uma boa dica: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12). O salmista sabedor de que os dias são vividos sob a ira de Deus contra o pecado, pede a Deus sabedoria para viver o dia a dia. Ele conhecia bem o Deus que amava e sabia que ele não tolerava os erros cometidos contra suas ordenanças, pois estes erros levavam a um triste final. Então ele faz um apelo para que Deus dê ao homem a sabedoria de perceber a fragilidade da vida e valorizar cada instante vivido, vivendo com íntegradade como agrada a Deus. Mais adiante o mesmo salmista diz “Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor!” (Sl 119:1).

Assim que, se a vida é breve, precisamos vive-la com sabedoria. E sabedoria é obter conhecimento e saber usar este conhecimento. Para todo o Antigo Testamento este conhecimento é o conhecimento da vontade de Deus, e a sabedoria consiste em praticá-lo com sinceridade de coração. Oscar Niemeyer viveu longos 104 anos, mas não buscou esse conhecimento, pois ele nem acreditava em Deus. Era ateu declarado.

Nós que continuamos em nossa breve vida, busquemos alcançar corações sábios e viver cada dia como se fosse o último, sempre dedicando tudo que fizermos àquele que nos deu o sopro da vida que não passa de um sopro.

Talvez precisemos fazer das palavras de Davi uma oração diária: “Senhor tu examinaste a fundo a minha alma e conheces todas as coisas a meu respeito. Por isso, ó Deus, examina a minha vida em detalhes! Põe os meus pensamentos e emoções à prova, toma conhecimento de tudo! Descobre qualquer caminho errado e mau e orienta-me para que eu ande sempre pelo caminho da vida eterna” (Sl 139: 1,23,24).

29 de nov de 2012

Escolhas


Sempre ensinamos para nossas filhas que a vida é feita de escolhas. Cada passo que damos representa uma escolha feita por nós. Mesmo não dar o passo é uma escolha. Esta também pode ser uma boa ou má escolha. Mas sempre há uma escolha.

Também sempre ensinamos para elas que toda escolha tem sua consequência. Se escolher não estudar, as notas provavelmente não serão boas. Se escolher desobedecer, alguma correção acontecerá.  Se escolher enfiar o dedo na tomada, levará um choque. Se escolher brincar com fogo, há o risco de se queimar. Enfim, sempre que houver uma escolha ela terá uma consequência que poderá ser boa ou ruim.

Sempre ensinamos para elas que escolher Deus é SEMPRE a melhor escolha.

A Bíblia nos conta a história de dois homens, um rico e um pobre, que quando morrem são encontrados em lugares diferentes. Lázaro, o pobre, no céu. O rico, que não tem nem seu nome citado, no inferno (Lc 16:19 a 31). Provavelmente este vivia acreditando que o seu vasto patrimônio lhe garantiria tudo, e não ligava a mínima para Deus. Escolheu confiar em seu poderio financeiro, crendo que com ele conseguiria qualquer coisa que fosse necessário. Até mesmo a salvação.

Esta parábola contada por Cristo, nos mostra que Deus não está preocupado com o que temos ou deixamos de ter. Ele não precisa de nenhum bem que tenhamos adquirido. Nada que temos será levado. Alguém já disse que caixão não tem gavetas. O que Deus leva em consideração é a nossa entrega para ele. Nosso amor por ele que deve ser maior que nosso amor por qualquer coisa. É a escolha correta.

O próprio Jesus no dá uma dica sobre a escolha a ser feita: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
(   ) Quem crê nele não é julgado;
(   ) mas quem não crê, já está julgado;
porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3:17,18).

Não há uma terceira via. São só dois caminhos.

Josué, muitos anos antes de Cristo, já tinha esta percepção quando colocou o povo de Israel diante de uma escolha ao chegarem à terra prometida: “Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor(Js 24:15).

Toda escolha tem uma consequência, creia nisso. E só é possível fazer escolhas enquanto vivo. Depois, já era.  João, ensinando aos seus discípulos sobre Jesus, lhes dá as duas alternativas possíveis:
(X) “Quem crê no Filho tem a vida eterna;
(  ) o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3:36).

Eu já escolhi onde marcar meu ”X”, e só posso fazer isso por mim. Esta é uma questão individual. Nem dá para colar. Não haverá troca de gabaritos como acontece com os concursos públicos. Não haverá nenhum esquema. Então, se você está lendo isso, é um sinal de que está vivo. Resolva logo esta questão. Faça logo sua escolha.

20 de nov de 2012

Somos um bando de loucos.


Quando eu era criança havia um desenho animado (minha paixão por eles é antiga) que contava a história do dia a dia dos Jetsons, uma família que vivia num futuro remoto, produzido pela Hannah-Barbera (se você se lembra é porque está com uma idade bem avançadinha, hein). Era um mundo imaginário que para mim, uma criança nascida e criada na cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, quarenta e tantos anos atrás, nunca existiria.

Depois de “sofrer” por alguns meses tentando conviver com um IPad, minha esposa começou a utilizar um IPhone 4 e está, ao mesmo tempo, perdida e encantada com tanta tecnologia. Quantas possibilidades! Enquanto ela explorava seu brinquedinho novo, eu comentava sobre a possibilidade imaginativa do homem. Algumas tecnologias imaginadas pelo criador dos Jetsons, hoje são realidades que agilizam nossa vida. Por volta de quarenta anos atrás, em seu livro “Poluição e a morte do Homem – Uma perspectiva cristã da ecologia”, Francis Schaeffer já dizia que “tecnologicamente, o homem moderno faz tudo quanto pode". Imagine o que diria nos dias atuais.

Fico impressionado com essa possiblidade imaginativa que leva o homem a buscas constantes. Perdemos um desses grandes visualizadores, Steve Jobs, mas outros estão por ai, e outros ainda virão. Dentro de mais alguns anos a fantástica cidade dos Jetsons será uma coisa completamente ultrapassada.

Por imaginar que nós, seres humanos, e tudo que nos cerca neste mundo maravilhoso, tão ordenado, somos produtos de uma partícula mínima chamada de “bóson de Higgs”, por causa do físico britânico Peter Higgs, ou “partícula de Deus” que é uma livre tradução de “God particle” criado pelo físico Leon Lederman, milhões de dólares foram gastos para construir o Grande Colisor de Hádrons, um laboratório tecnológico em um túnel de 27 km e a 175 metros de profundidade, nas proximidades de Genebra, na Suíça, onde haveria a possibilidade de reproduzir o que estas mentes brilhantes imaginam ter sido o inicio de tudo.

Se essas mentes inquietas que buscam provar o Big Bang, que é apenas uma teoria, usassem todo dinheiro gasto nessa pesquisa para ajudar pessoas que vivem em condições subumanas, o efeito benéfico para a humanidade seria muito maior e imediato. Projetaram esta pesquisa porque sua imaginação está inquieta com o que virá num futuro bem distante. A descoberta do bóson de Higgs pode vir a ser útil no futuro, e isto é fantástico. Mas, no fundo, o que move toda essa parafernália tecnológica é a descrença de que haverá um final de tudo.

Por favor, não estou dizendo que não devemos melhorar as condições de vida no futuro, ou pelo menos imaginar que é possível. Claro que não. Não penso que devemos cruzar os braços e esperar o grande final. O que me intriga é a motivação por trás de tudo isso. Não sei se a palavra correta aqui é motivação, ou talvez melhor fosse usar descrença. Descrença no que a Bíblia revela.

Por que será tão mais fácil crer em qualquer coisa que não seja Deus? O homem crê em duendes, fadas, bruxas, fantasmas, papai Noel e até em políticos, mas tem extrema dificuldade de crer em Deus e em suas palavras, o que não é nenhuma novidade, pois Paulo já dizia há séculos atrás que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2:14). A estes o senhor dirá: “Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra; que desfaço os sinais dos profetas falsos, e torno loucos os adivinhos, que faço voltar para trás os sábios, e converto em loucura a sua ciência” (Is 44: 24,25).

Somos um bando de loucos. Não estou falando da torcida do Corinthians. Estou falando de nós, homens, que nos achamos os sabichões, os doutores em tudo, que temos todas as respostas e, se não temos ainda, iremos procura-la a todo e qualquer custo. Somos quase Deus. Paulo nos alerta que “a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (I Co 3:19). Somos um bando loucos diante de Deus querendo encontrar todas as respostas, e precisamos parar com essa loucura, pois “Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (I Co 3:19).

Para que não sejamos apanhados em nossa loucura, há um conselho significativo na Palavra de Deus: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte" (I Pe 5:6). Por mais louco que possa parecer, este é o melhor conselho a seguir.

É melhor ser um louco por estar sob a poderosa mão de Deus, do que viver a loucura de querer ser maior do que ele. Foi mesma loucura que transformou um anjo de luz em caluniador.

15 de nov de 2012

O errado está certo, ou o certo está errado?


A desigualdade no Brasil está em todos os lugares. Uma brasileira de 20 anos está famosa por ter vendido sua virgindade por R$ 1.500 milhão, enquanto isso nos cantões do Brasil as meninas índias estão perdendo a sua em troca de celulares, roupas de marcas ou R$ 20,00. As coisas realmente estão fora de controle.

Aqueles trabalhadores que ganharam seu voto, que estão lá em Brasília, recebem um “mísero” salário por mês e, por isso, recebem também 14º e 15º salários, que tem um valor tão irrisório que não descontam nem Imposto de Renda. Um trabalhador anormal, como eu e você, trabalha todos os dias de sol a sol, faça chuva ou faça sol. Se faltar um dia é descontado ou até demitido. Aqueles pobres trabalhadores lá de Brasília não precisam seguir esta regra. O trabalho deles é sobremaneira estafante e eles têm “direito” de trabalhar menos: apenas 18% deles não faltaram a nenhum dos seus compromissos na Câmara, e entre estes está o tão discriminado Palhaço Tiririca, presente em todas as sessões. Não é uma palhaçada? Nós que trabalhamos muito e recebemos pouco, apenas 13 salários, pagamos o salário, os 15 salários, daqueles que não trabalham nada e recebem muito. Não tem algo errado nisso?

Ser honesto virou ato de heroísmo. Soube de uma pessoa que encontrou algo de valor de outra e, quando perguntado se tinha encontrado, devolveu. Depois reclamou que devolveu e não ganhara nada em troca. Queria receber por ser honesta. É sempre com grande alarde que a mídia anuncia que alguém que agiu honestamente. É estranho isso, porque agir assim deveria ser algo normal, corriqueiro, e o contrário sim é que deveria nos causar espanto.

A virgindade já perdeu o sentido que tinha e virou moeda de enriquecimento ou de troca. O normal hoje é não ser virgem. De acordo com os exemplos que temos visto em nosso país, principalmente por nossas lideranças, ser desonesto também é normal. A honestidade virou motivo de premiação.

As coisas comuns ou corriqueiras são as que são normais?

Então vamos pensar juntos:

  • Em São Paulo só neste ano já foram assassinados quase 90 policiais. Virou uma coisa comum. Mas você acha que isso é normal?
  • Vários pontos chamados de “cracolândia” exibem pessoas de todas as idades destruindo suas vidas por uso desta droga de efeito tão avassalador. É comum vermos estas imagens. Mas você acha que isso é normal?
  • Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em maio de 2012, o abuso sexual foi o segundo tipo de violência contra crianças até 9 anos em 2011, infelizmente. A maior parte desses abusos aconteceu dentro de casa. Estas notícias são muito comuns. Mas você acha que isso é normal?
  • Segundo a pesquisa divulgada pelo Mapa da Violência de 2012, a cada duas horas uma mulher é morta por um namorado, marido, companheiro ou um ex-qualquer coisa dessas. Pela constância isso se torna comum. Mas você acha que isso é normal?

Tudo que foge da normalidade não pode ser aceitável. Sei que muitas vezes a normalidade acontece por causa de um padrão de repetição, e tudo que for contrário é anormalidade. Mas as perguntas acima continuam valendo. Se pensarmos que todo comportamento comum tende a ser tornar normal, então corremos sérios riscos. Em muito pouco tempo teremos que acabar com as nossa força policial, pois será normal, as pessoas usarem e/ou venderem suas drogas em qualquer lugar e fazer tudo aquilo que lhes der na cabeça. Teremos que ver os pedófilos desfilando pelas ruas em suas passeatas reivindicando seus direitos de grupos minoritários. Não mais poderemos trancafiar os marginais que matam indiscriminadamente, pois será uma coisa normal.

Aonde iremos parar?

A Bíblia, que se mostra sempre um livro totalmente atual, registra as palavras do apóstolo Paulo para a igreja de Roma, falando sobre a depravação dos homens daqueles dias, que reflete exatamente o que vivemos hoje. Ele diz que os homens “trocaram a verdade de Deus pela mentira ... E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia; os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam” (Rm 1:25, 28 a 32).

Provavelmente muitos vão querer relativizar a questão do que é o certo ou o errado. Mas uma coisa é certa: existem princípios muito bem esclarecidos por Deus, e destes não podemos abrir mão. Nós vamos aos poucos mudando a verdade em quase mentira e a mentira em quase verdade. Já não sabemos mais se o certo está errado ou se o errado esta certo. Já nem sabemos mais se existe algo certo ou algo errado, ou se tudo é certo ou se tudo é errado. Mas Deus não muda. O autor da carta aos hebreus diz que Ele “é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente” (He 13:8).

Então, não se deixe enganar. Para Deus, o certo continua sendo certo, e o errado continua sendo errado. Guie-se por isso. Não se deixe enganar pela repetição de anormalidades que, mesmo que se tornem comuns, nunca poderão ser normais. E você sabe muito bem quais são.

6 de nov de 2012

Quando Deus não está.


Estava assistindo um filme antigo, que conta a história de um rapaz, Lewis, preso na Malásia por ter sido encontrado com uma grande quantidade de haxixe, que o fazia ser considerado como traficante. Mas toda aquela droga fora comprada para ser usada com mais dois amigos, que foram embora para outro país, e só então a policia chegou, e prendeu o tal rapaz. Se os amigos retornassem e assumissem a parte deles, a quantidade da droga por pessoas seria menor e não seria considerado como tráfico. Assim Lewis depois de cumprir a pena na cadeia, não seria enforcado, o que aconteceria se fosse traficante.

Os amigos voltam e um deles entra na cela para falar com Lewis, e este lhe diz que tem orado muito, pois ali dentro a ausência de Deus é muito grande. Lá fora, segundo ele, não era necessário orar, pois Deus estava sempre presente. Era só esticar as mãos e tocar nele. Mas ali naquela prisão nada lembrava Deus. Nada fazia sentir a presença de Deus, por isso ele tinha que orar.

Às vezes nos sentimos assim também mesmo não estando numa prisão. Parece que Deus não está. Nada faz sentido. Tudo é muito confuso.

Soube que há um tempo, uma cantora gospel disse numa entrevista que preferia orar de madrugada, pois “todos dormiam e Deus teria mais tempo” para ela. Será que é isso? Será que com o aumento da humanidade, às vezes, Deus deixa uns para depois enquanto atende outros? E se eu neste momento estiver correndo grande perigo? Já era? Perdeu? Será que o outro por quem Ele me trocou estava tão necessitado assim? Qual o critério que Ele usa para definir quem precisa mais?

Lógico que isso é só uma viagem. Eu sei que Deus não age dessa forma. Eu sei que Deus está em todos os lugares, em todo tempo e ao mesmo tempo. Sei que Ele me conhece muito melhor do que eu mesmo me conheço. Sei que Ele sabe, muito melhor do que eu, quais são as minhas reais necessidades, e quais são as que eu acho que são necessidades e, às vezes, até me concede uma destas para me agradar. Mas isso não tira o sentimento de que às vezes estou completamente sozinho, mesmo sabendo que não é verdade.

Talvez você não tenha vivido esta experiência, mas quando olho para as palavras de Davi vejo que não estou sozinho neste sentimento de solidão divina: “Por que, Senhor, tu permaneces afastado na hora do sofrimento? Por que te escondes de mim?” (SL 10:1); “Senhor, até quando vais te esquecer de mim? Para sempre? Até quando me voltarás as costas no tempo da dificuldade? Até quando as dúvidas tomarão conta da minha alma? Até quando meu coração ficará cheio de tristeza? Até quando serei cercado pelo meu inimigo? Ó Senhor, dá-me um pouco de atenção, responde os meus pedidos!” (Sl 13: 1 a 3); “Meu Deus, meu Deus, por que me deixaste assim tão sozinho? Por que eu vivo pedindo socorro, gritando pela tua ajuda, e Tu não me respondes? De dia e de noite eu choro sem parar, suplicando a tua salvação, mas não recebo resposta” (Sl 22:1,2).

Também o salmista Asafe descreve o mesmo sentimento: “Ó Deus, não fiques ai parado e calado, enquanto nós fazemos nossas orações” (Sl  83:1).

Sem dúvida alguma é uma situação sufocante, desesperadora. A dor, a pressão, o sofrimento vão apertando e não vemos uma ajuda sequer. O silêncio de Deus é desesperador. Dói mais do que as dores que nos fazem suplicar por sua presença.

Mas, ao mesmo tempo, é confortador ver que apesar de tudo isso Davi continua confiando no seu Deus: “Deus é minha única esperança; confio nele e fico tranquilo, porque Ele é o meu Salvador. Ele, somente Ele, é a minha Rocha, o meu Salvador, a minha proteção segura. Os problemas da vida nunca conseguirão me derrotar completamente” (Sl 62:1,2). Davi espera paciente e tranquilamente a salvação do Senhor, no tempo do Senhor.

Os filhos de Coré cooperam com visão de um Deus que é um abrigo protetor do perigo e que concede força e, por isso, nos dá segurança e coragem para confiar nele a despeito de qualquer coisa que aconteça: “Deus é nossa proteção e nossa força. Ele é aquela ajuda na qual se pode confiar no dia da angústia. Por isso, não ficaremos perturbados, mesmo que o mundo seja destruído, mesmo que as montanhas desabem dentro do mar. Ficaremos tranquilos mesmo se houver grandes enchentes e terremotos tão fortes que façam tremer os montes mais altos. O Senhor do Universo está entre nós; Ele, o Deus de Israel é a nossa proteção!” (Sl 46:1,2,3 e 11).

A noite é escura. Claro que é. Às vezes é tão escura que podemos segurar com as mãos. Mas, como disse o prisioneiro do filme, Deus pode ser tocado quando esticamos as nossas mãos em direção a Ele. Então, como disse Habacuque, “embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pelos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha Salvação!” (Hc 3:17,18).

Mesmo que pareça que Ele não está me escutando, ainda assim continuarei gritando por socorro, pois sei que Ele me ama, e vai me socorrer. Só terei que confiar o bastante para aguentar chegar a hora dele. Eu preciso dele, e sem ele nada sou. C. S. Lewis disse que “seria atrevida e tola a criatura que se vangloriasse diante de seu Criador dizendo: ‘Não te peço nada. Amo-te desinteressadamente”. Como não sou tolo nem atrevido vou continuar confiando e pedindo. Mesmo que pareça que Ele não está.

31 de out de 2012

Animais inconvenientes.



Uma cadela (foto) criou uma situação que com certeza importunou muita gente. Não é que a danadinha fez a Ponte Rio-Niterói ser fechada para que ela fosse salva? Uma equipe da concessionária que administra a ponte foi até o local para resgatá-lo. Afinal, essa atrevidinha foi passear num local onde nem nós, os seres humanos, podemos passear a pé e corria o rico de ser atropelada por causa do grande fluxo de automóveis naquele horário, ou mesmo causar um acidente. Foi bonito o que fizeram, resgatar aquele inoportuno animalzinho que já recebeu o apelido de "Carminha".

Um dia desses estava comendo um lanche num shopping que não é todo fechado, e tinha um pardal por ali querendo comer alguma coisa. Até ai tudo bem. O problema é que ele queria comer o meu lanche. Ele estava em cima da mesa que eu usava e, pasmem, queria pegar o meu lanche. Eu o enxotava e ele nem se incomodava. Dava um pulinho e voando mudava de lado na mesa. Percebi depois que ele já é um freguês habitual dali, pois na outra mesa alguém lhe oferecia um pedacinho do seu lanche e ele ia bicar seu petisco na mão da pessoa.

Estava na praça de alimentação de outro shopping e vi alguns seguranças tentando, disfarçadamente, afastar dois meninos de rua que pediam comida por ali. Cercavam de um lado, cercavam de outro, e aos poucos foram tirando os meninos famintos sem que quase ninguém percebesse sua atitude. Cumpriram bem seu papel livrando aquelas pessoas felizes que comiam seus lanches daqueles animaizinhos inconvenientes.

Por que com os pardais isso não acontece? Seriam eles melhores que os meninos, ou não incomodam tanto quanto eles? Para mim os pardais são mais inoportunos. Estranho isso.

Os jornais recentemente têm mostrado imagens de pessoas espancando pequenos animais. Indefesos, alguns sofrem horrores nas mãos de seus “donos”, ou pessoas que se sentem incomodados por eles em alguma situação, ou por simplesmente não gostarem de animais. Da mesma forma os noticiários têm nos mostrado casos e mais casos de crianças que sofrem violências em suas casas. Pais, se é que podem ser chamados assim, queimam suas mãos no fogão ou em ferros de passar roupas. Batem com fios que fazem marcas indeléveis, tanto no corpo quanto na alma. Crianças que são abusadas sexualmente, que levarão essas marcas para sempre em suas vidas. Com certeza um trauma incurável, que poderá gerar uma pessoa totalmente desequilibrada, se não for bem assistida; acompanhada com muito amor e carinho.

Quem são realmente os animais inconvenientes? Seriam os pequenos animais irracionais que perambulam pela cidade fechado pontes, querendo comer nosso lanche, latindo em horários de silêncio, cantando a madrugada toda a plenos pulmões como um galo ao lado prédio onde moro? (O que faz esse galo aqui em Jacarepaguá?)

Seriam as crianças que sofrem de violência física, moral e sexual sem que possam reagir aos brutamontes que as praticam? Violência esta, na maioria das vezes, praticada dentro de casa por seus próprios pais ou outros parentes?

Em seu bom livro “As Boas Mulheres da China”¹, a jornalista Xinran descreve o que encontrou no diário de uma adolescente abusada sexualmente pelo próprio pai, a partir dos seus onze anos de idade até os dezessete: “Eu costumava sonhar que encontraria um jeito de lavar a minha dor, mas será que posso lavar a minha vida? Posso lavar o meu passado e o meu futuro? Frequentemente examino meu rosto com atenção no espelho. Parece liso de juventude, mas eu sei que tem as cicatrizes da experiência: é despido de vaidade e muitas vezes mostra dois vincos fundos na testa, sinais do terror que sinto dia e noite. Meus olhos não têm nada do brilho da beleza dos olhos de uma garota. No fundo deles há um coração que se debate. Dos meus lábios machucados foi raspada toda a esperança de sensação; minhas orelhas, fracas por causa da constante vigilância, nem aguentam um par de óculos; meu cabelo, que deveria brilhar de saúde, não tem vida, por causa da preocupação. É esse o rosto de uma garota de dezessete anos? O que são as mulheres, exatamente? Os homens devem ser classificados na mesma espécie que as mulheres? Por que é que eles são tão diferentes? Livros e filmes podem dizer que é melhor ser mulher, mas não consigo acreditar. Nunca achei que isso fosse verdade e jamais vou achar.”

Quem são os animais inconvenientes? Os irracionais que fazem coisas por seus instintos e, às vezes, por uma adaptação a um mundo que não seja o deles, nos incomodam por que nós mesmos acabamos com o seu habitat natural, ou influenciamos as mudanças de hábitos deles dando-lhes comidas que não as suas?

Quem são os animais inconvenientes? Os racionais que precisam crescer num ambiente de amor, carinho, respeito, orientação, educação e tantas outras coisas que as crianças precisam e não encontram em seus lares? Que por falta uma família organizada, ou bem estruturada, precisam dormir nas ruas e rondar as portas de restaurantes ou praças de alimentação nos shoppings numa tentativa de comer alguma coisa, que às vezes, os animais racionais adultos jogam no lixo, sem se importar?

Quem são os animais inoportunos, inconvenientes?

Quero juntar três textos bíblicos que pode nos dar uma visão daquilo estamos fazendo: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado. Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio” (Tg 4:17; Jo 8:34; I JO 3:8).

Nós somos os inconvenientes. Animais racionais inconvenientes, inoportunos, impróprios e todo outro adjetivo que você puder pensar que mostre o quanto estamos longe daquilo que Deus planejou. Longe da imagem e semelhança de Deus. Temos melhorado em alguns aspectos, mas caminhamos em lentos passos em outros tantos. Mas é muito bom ver que aqui ou ali surgem manifestações que nos levam a crer que nem tudo está perdido. Deus tem incomodado alguns no sentido de fazer diferente. E não quero nem citar pessoas que a mídia já tem de alguma maneira mostrado, mas pessoas simples como eu e você.

Este depoimento apareceu no facebook, e foi postado por um amigo de Maringá (PR), Artur, ou simplesmente Tuca:

“Hoje depois de muito tempo pensei em me dar um Luxo de ir comer no shopping aqui de Maringá... com a grana bem curta mais resolvi ir...

Ao chegar fui estacionar o carro na avenida na frente do shopping, quando me deparei com um menino sentado na calçada com a cabeça entre os joelhos, como muitas vezes já me peguei no mesmo estado triste e na mesma posição.

Naquele momento fiquei parado dentro do carro, com os olhos cheios de lagrimas, orei e pedi a Deus pra me orientar, pois não sabia como poderia ajudar aquele menino...

Sai do carro fui até ele, sentei ao lado dele e falei: Mano hoje sai de casa pra me dar o luxo de comer um lanche mais sei que Ele queria era dar um luxo pra você...

Perguntei o que ele queria comer... nesse momento ele me olhou e falou: Eu só queria comer algo diferente, todo mundo no fim de semana come alguma coisa diferente...

Pedi pra que ele entrasse e fosse comigo comer... ele não quis, porque ele não estava com a família e todos lá dentro estavam com suas famílias, e ele não queria que essas pessoas ficassem olhando pra ele... (entendi, pois muitas vezes nossos olhares poder ferir).

Entrei comprei um lanche para ele e voltei... meu quando ele me avistou com o saquinho de lanche de uma marca famosa pude ver em seus olhos o brilho de felicidade ... pude trocar umas palavras com ele e depois me despedi e vim para minha casa.

Creio que meu Dia não poderia ter sido melhor sai com o sentimento que iria ter um dia de "Luxo" e encontrei e pude proporcionar a felicidade na necessidade.”

O texto está exatamente como ele escreveu. Só copiei e colei com autorização dele.

Como muitos de nós ele poderia fingir que não viu e ir adiante. Aos nossos olhos, são várias as pessoas no mundo que pertencem ao mundo dos invisíveis. Mas ele resolveu parar e ver o que poderia ser feito. Com a grana curta, não sei se sobrou lanche para ele, mas isso não importa. Mesmo que não tenha lanchado naquele momento, creio que a satisfação por ter feito aquilo foi muito maior do que a satisfação que qualquer lanche poderia trazer.

Como muitos outros por ai, este é um exemplo de animal não inconveniente. Uma espécie que infelizmente está em extinção. Não devemos esperar surgir uma ONG querendo salvar esta espécie. Eu e você podemos começar este movimento fazendo nossa parte. Fazemos parte do grupo de animais racionais. Ser inconveniente ou conveniente é uma escolha nossa.

Faça sua escolha. O mundo espera sua decisão.

¹ As boas mulheres da China: vozes ocultas / Xinran; tradução do inglês Manoel Paulo Ferreira - São Paulo; Companhia das Letras, 2007.