Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

7 de jul de 2017

A lição do morceguinho.

Hoje por volta das 15hs, um funcionário da empresa me chamou para mostrar alguma coisa. Ao chegar, me mostrou um morceguinho que dormia tranquilamente pendurado numa fina folha de um coqueirinho no jardim da garagem, muito próximo ao local onde os funcionários passam. O vento batia levemente na folha e o bichinho balançava em seu sono profundo e despreocupado. Não resisti e bati uma foto (ao lado). Já viu que não sou bom fotografo, né?

Enquanto tentava editar a foto, lembrei-me de um texto bíblico em que Jesus fala sobre nossa ansiedade pelo dia a dia: "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? (Mt 6:25,26).

Acho fantástico quando Deus aproveita uma simples coisa para nos ensinar um principio tão grande. Logo depois destas palavras Cristo diz que Deus, o Pai celeste, conhece todas as nossas necessidades, e dá o toque final: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6:33).

Olha que delicia de oportunidade para aprender. Aquele morceguinho pendurado naquela folha, que parecia até com um casulo, sem cores vibrantes como outros pássaros que conhecemos, e que nem é um bicho tido como bonito, serve para que eu ouça Deus me falando: "Cara, eu tenho visto você, nestes últimos dias, tão desesperado. Não aprendeu ainda? Que mais eu preciso fazer?". E eu só pude dizer: "Senhor, eu sou apenas um menino imaturo. Perdoa-me mais uma vez. Estou no processo, ainda".

Ai fiquei pensando no que fazemos no dia a dia. Se você viaja de ônibus para um lugar distante, alguma vez já perguntou ao motorista se ele esta bem, se dormiu bem, se está descansado? Já pediu para ver a habilitação dele, para saber se ele tem autorização para dirigir aquele veiculo? Se viaja de avião, pediu para confirmar a ficha de abastecimento do avião para saber se o combustível é suficiente? Quanto tempo o piloto tem vôo? Sabe se ele não é um louco suicida? Claro que não. Você supõe que alguém já confirmou tudo isso, senta lá, dorme, e até ronca perturbando os outros, na certeza que vai tudo bem. 

Porque não conseguimos agir do mesmo modo com Deus, confiar despreocupadamente? Por mais experiências que tenhamos com ele, e eu tenho algumas de respostas dele, claras, ainda assim agimos de maneira diferente. Não temos paciência para esperar a hora dele. Queremos tomar as rédeas e fazer do nosso jeito, e perdemos o sono, calculando, planejando e resmungando.

Aí, quando já estamos quase achando que somos Deus, surge um bichinho cinza, feio, sonolento, pendurado de cabeça para baixo, numa tênue folha, e lhe dá uma oportunidade para aprender uma lição de vida, para descansar e esperar em Deus (Sl 37:7), pois ele está no controle de tudo.

Obrigado Senhor por aquele morceguinho, que para mim, agora, é um lindo bicho. Eu aprendi a lição do morceguinho.

2 de jun de 2017

Deixe Barrabás na cruz.

Nem sempre é muito fácil fazer escolhas. As vezes é muito complicado optar por alguma coisa, pois as consequências podem ser duradouras, e o futuro a Deus pertence. Algumas escolhas podem ser difíceis por trazerem mudanças radicais em nossas vidas.

Mas uma coisa que todos os pais já fizeram foi escolher nomes para seus filhos. Essa é uma questão que pode até criar confusão. Se não houver um consenso sobre o nome a encrenca pode ser feia.

Na minha casa foi bem simples. Eu disse logo que se fosse mulher Ana poderia botar o nome que quisesse, mas se fosse homem seria David. Disso eu não abriria mão. Ela se deu bem, pois tivemos duas filhas, eu não pude ter o meu David. Não há possíveis formas de femininilizar este nome. Imagine, seria qualquer coisa mais estranha que o meu.

Maria e José não tiveram esta oportunidade com seu primogênito. O anjo do senhor avisou: "Você ficara gravida, dará à luz um filho e porá nele o nome de Jesus". Pronto. Agora ela teria que comunicar a José, seu noivo, que estava gravida, que não era dele e que nem o nome ele poderia escolher. Mas foi assim que aconteceu. E Jesus nasceu, cresceu e fez tudo o que estava nos planos de Deus, inclusive morrer por nós.

Mas na morte de Cristo, acontece algo bem significativo. O texto bíblico relata que "na Festa da Páscoa, Pilatos tinha o costume de soltar algum preso, a pedido do povo. Aí toda multidão começou a gritar: “Mata esse homem! Solta Barrabás para nós! Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por assassinato" (Lc 23:17-19). Pilatos interrogou Jesus e percebeu que ele nada tinha feito para merecer aquela morte, então tentou resolver seu problema de consciência passando a bola para o povo, achando que escolheriam Jesus para ser solto. Pobre Pilatos, não conhecia o coração dos homens.

Pilatos não poderia perceber que havia aqui muito mais que apenas dois condenados. Havia nesta situação duas realidades bem diferentes. De um lado, Cristo com sua mensagem renovadora e revolucionária. Mudança de atitudes. Amor ao próximo. Ele pregava uma revolução completa nos costumes daquela gente. De outro lado, Barrabás que representava o status quo. A bagunça continuaria. Não haveria mais ninguém pelas ruas da cidade dizendo que todos precisavam de uma mudança total em seus costumes, e nos relacionamentos.

A turma não queria isso. Eles queriam continuar como estavam. Barrabás poderia continuar, pois ele fazia parte de tudo isso. Ele representava aquele caos que era a vida de todos. Então, SOLTA BARRABÁS!

Desde então, milhares e milhares de vezes, Barrabás tem sido escolhido de novo. Em varias situações em nossa vida temos feito a mesma escolha daquela gente. Em vários momentos temos optado por coisas e situações que são totalmente contrarias ao que agrada a Deus.

Crucifique Barrabás em sua vida. Escolha Cristo, sempre.

6 de mai de 2017

Sou da igreja

Sou membro de uma igreja bem grande. Lá existem alguns membros que fazem parte do famoso "mundo gospel" do país. Sempre que alguém me pergunta de qual igreja eu sou, quando dou resposta, normalmente ouço: "Ah, você é da igreja do fulano de tal?", eu respondo prontamente que não, que sou da igreja de Cristo. 

Esta virando moda estes famosos abrirem suas próprias igrejas e levarem um grande grupo de idólatras para lá. Quase sempre em bairros de clientes com grande poder econômico. E ai surgem os das igrejas de fulano e sicrano. Vivíamos criticando os católicos por idolatria, mas hoje temos mais idolatria em nosso meio do que lá. Um amigo me falou que é de uma igreja dessas e que é muito legal, porque não tem cobranças como as outras, não tem fofoqueiros de plantão, e que pode viver e fazer o que der na telha. Basta ir aos domingos e tá bom demais. Ah, e dar o dizimo, claro. 

Hoje as igrejas estão tão diversificadas que é possível encontrar a igreja que mais se adapta ao seu perfil. Talvez por esse motivo já existe o movimento dos desigrejados. Alguns estão tão desiludidos com as igrejas para todos os gostos que resolveram viver sem elas. Particularmente não gosto dessa ideia. Ainda sou daqueles que gostam da igreja. Mesmo, e apesar, dos problemas que rolam dentro dela, ainda gosto da convivência dos pecadores, como eu, que se reúnem em um ambiente que nos dá uma energia gostosa pela comunhão e expressões de amor que acontecem ali. 

Não sou cego e vejo coisas na igreja que me aborrecem, as vezes, mas não posso deixar que essas "coisas" me impeçam de receber as bênçãos do relacionamento com Deus e com outros irmãos. Seria burrice. Não posso entender uma parte que se diz do corpo viver longe do corpo. A nutrição não chegaria e fatalmente morreria. Por isso, frequento uma igreja e gosto muito disso, mas eu não sou da igreja tal, ou de fulano e sicrano. Sou de Jesus. Sou da igreja universal, do corpo de Cristo, espalhado sobre a terra para testemunhar do seu amor. 

Frequento uma igreja local que me agrada, pois segue uma doutrina bíblica correta, dentro do meu entender. Não estou lá só porque ela me agrada e diz tudo que acaricia meus ouvidos e meu ego, ou porque me dá status, mas porque, além de me agradar com suas doutrinas respaldadas na Palavra de Deus, me corrige, me confronta, me conforta e me ajuda a crescer. Estou lá porque encontro pessoas com o mesmo desejo que eu, servir a Cristo do jeito que ele quer, e que, apesar dos meus defeitos, me amparam, me confortam, me amam e contam com a minha reciprocidade. Não consigo pensar diferente.

O autor sagrado exorta na carta aos Hebreus para que "Consideremos-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar, como é costume de alguns..." (Hb 10:24,25). É na igreja de Jesus que encontro isso. Estimulo ao exercício do amor, e confesso que, as vezes, esse exercício é muito difícil, pois a vontade de apertar alguns pescoços é enorme. Mas é assim que o amor é exercitado de maneira mais eficiente. Sem esses a pratica do amor seria muito chata. Então, graças a Deus por esses irmãos, que eles continuem na igreja para nosso aprimoramento e, quem sabe, transformação deles. Provavelmente eles pensem o mesmo a meu respeito. 

Sim, sou da igreja. Da igreja de Jesus. E dela não quero sair nunca. Da igreja local, quem sabe? Essa é a quinta nos meus quase sessenta anos. Todas da mesma denominação. Mas, sempre por motivos de adequação ao meu cotidiano. 

Dizem que se conselho fosse bom, não seria gratuito, mas digo a você, não vá para a igreja por causa de um famoso qualquer, seja ele um cantor ou cantora, um pastor ou pastora, ou mesmo um famoso da mídia ou qualquer outra coisa. Vá para a igreja que o coloque de corpo e alma na igreja de Jesus. Vá por causa de Jesus, para não correr o riso de ouvir: "Em verdade vos digo que não vos conheço" (Mt 25:12). Não vale a pena correr este risco.

14 de abr de 2017

De repente!

Estava vendo um filme sobre o tsunami na Tailândia, e fiquei pensando como somos pequenos e indefesos diante da criação. O filme falava de uma família que resolveu passar as ferias na região afetada por aquela tragédia. Estavam todos aproveitando de tudo que aquela região oferecia, e de repente, aquele aguaceiro todo que acaba com tantos futuros.

Nenhuma pessoa quando projeta um passeio em algum lugar lindo como aquele pode, sequer por um instante, imaginar que algo como aquilo pudesse acontecer. Creio que mesmo hoje, depois daquela tragédia, muitos ainda estão indo passear naquelas praias. Como imaginar uma tragédia tão grande num momento de felicidade? A vida nos faz recusar qualquer possibilidade de que, em algum momento, algo muito ruim nos aconteça.

Por mais que saibamos que o transito é muito violento, não saímos de casa imaginando que iremos bater e sofrer danos irreparáveis, ou mesmo morrer. Tenho visto pessoas que constroem suas casas em locais onde uma tragédia é quase real, mas constroem assim mesmo, até que algo ruim acontece, e parece que ficam espantadas sobre como aquilo aconteceu. Era mais que previsto.

Não temos o habito de avaliar algumas situações, por que elas nos assustam muito. Preferimos acreditar que nada de ruim ira acontecer. Preferimos correr riscos, na quase certeza de que nada irá acontecer. Chegamos mesmo a duvidar de que algo muito sinistro ocorra. Todas as pessoas que sofreram com a perda de bens materiais e vidas, no acidente da barragem de Mariana, estavam certas de que nunca aquilo ocorreria. Por mais que houvesse planos de escape, a quase certeza de não acontecer, prevalecia e todos viviam suas vidas normalmente.

Billy Graham em um dos seus livros diz que não nos preparamos para morrer, e quando morremos damos trabalho para os que ficaram. São raros os casos de pessoas, ou famílias que possuem testamentos prontos, planos funerais, jazigos familiares e essas coisas que a morte requer. E quando acontece, a correria na hora mais cruel para a família é grande. E, então, os aproveitadores da desgraça alheia, aparecem e sugam tudo que podem sem nenhum pudor.

Vendo o filme, fiquei pensando na volta de Jesus Cristo. Ninguém sabe quando será, nem mesmo o próprio Jesus: "Quanto ao dia e a hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai" (Mt 24:36). Só se sabe que será de repente, como um relâmpago: "porque assim como um relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem" (Mt 24:27). De repente. Será como a chegada de um ladrão, ninguém espera: "se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, ele ficaria de guarda e não deixaria que a sua casa fosse arrombada" (Mt 24:43). De repente, quando menos se esperar, Jesus Cristo aparecerá e pegará muitos de surpresa, ou todos. Será como um grande tsunami descendo do céu.

"Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor" (Mt 24:42), é o conselho de Jesus Cristo, que ainda diz que neste dia, dois estarão andando juntos e de repente, puf, um será levado e o outro ficará (Mt 24:40,41). Imagine a cena: você tomando um café com um amigo e, de repente, puf, você estará sozinho; ou, você dentro da igreja com um monte gente ao seu redor e, de repente, puf, você estará quase que só, ficarão alguns com você; ou, você em sua casa almoçando com sua família e, de repente, puf, você estará completamente só. Será dolorido.

Talvez você esteja achando tudo isso uma grande besteira. Cristo nos lembra dos dias de Noé, quando este anunciou o dilúvio. Ninguém levou o cara a sério, e continuaram suas vidas normalmente, até que o dilúvio veio e levou a todos (Mt 24:37-39). E ele alerta que, por causa da imprevisibilidade deste acontecimento, todos devemos estar preparados (Mt 24:44).

Ninguém esperava o tsunami no Oceano Indico, em 2004. E, de repente, foram mais de 230.000 mortes na Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia e Maldivas. Na cidade de Mariana, todos levavam a vida tranquilamente. Estudavam, passeavam, frequentavam suas igrejas, até que, de repente, chegou aquela enxurrada de lama e de minérios, que arrasou cidades e vidas, viajou por volta de 600km, poluindo as águas dos rios, até chegar ao mar, e poluí-lo também.

Não vale a pena correr o risco. Tome logo sua decisão por Cristo, ou, de repente, pode ser tarde para você.

17 de mar de 2017

Abstinência

Não sou um viciado inveterado de celular, mas hoje percebi nitidamente que esse pequeno aparelho já ocupa uma boa parte de mim. Sou um usuário moderado, e preciso me manter assim. Preciso continuar sendo usuário e não usado. Passei o dia todo sem meu celular, e confesso que senti falta dele. Foi uma falta pouco sofrida, não muito. Estou fora do Rio e deixei meu celular em casa, assim não tenho como falar e nem acompanhar o bate papo do grupo da família no whatsapp. Confesso, senti falta.

Vejo pessoas que dizem quase morrer sem seus smartphones. Para algumas pessoas parece não haver vida além do celular. O mundo não é mais o mesmo sem o celular. Incrível como um objeto, feito para nos servir, nos torna tão dependente dele. Já são casos para pesquisa psicológica em busca de tratamento para esse vicio. Causam acidentes a todo instante.

Essa minha crise de abstinência me fez pensar: Por que não temos a mesma crise pela falta das coisas de Deus? Nunca vi alguém reclamando que se passar um dia sem orar fica doente, ou o mundo parece acabar. Nunca vi alguém reclamar que não consegue viver se não ler a Bíblia pelo menos uma vez ao dia. Nunca vi alguém sofrer uma crise de abstinência por falta dessas coisas. Todos parecem viver muito bem sem elas no dia a dia. Parece que não fazem falta alguma, quando na verdade deveriam ser essenciais, imprescindíveis mesmo, para a vida de todo cristão.

Talvez o salmista tenha sentido essa crise de abstinência de Deus quando disse: "Como a corsa anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo" (Sl 42:1,2). Um salmo que parece um lamento causado por uma necessidade imensa da presença intensa de Deus. O salmista chega a dizer que sua alma "está profundamente triste" (v. 6), e sabe que só a intimidade com Deus pode mudar esse quadro. Como seria bom se nos sentíssemos assim também ao ficar pelo menos um dia sem uma atitude de busca pela presença de Deus.

Dizem que a corsa sente o cheiro de um lençol de água a alguns metros de profundidade e que, quando avista um local com água e sua sede é muito intensa, ela corre desesperadamente e solta berros como se fossem expressão de alegria, e joga-se dentro da agua, até porque, segundo alguns, quando ela está com sede seu corpo exala um cheiro forte e ela se torna um alvo fácil para seus predadores. Também nós, quando estamos com sede de Deus, e não matamos nossa sede, nos tornamos alvos bem fáceis para nosso inimigo.

O Salmo 119 é, para mim, um hino de exaltação a Palavra de Deus. O salmista chega a dizer: "Como amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro. Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais que o mel para minha boca! (vs. 97, 103). Esse tem que ser o nosso entendimento. A Palavra de Deus é o melhor alimento para nossa vida, por isso o meditar nesta palavra tem que ter prioridade em nossa vida, porque é por ela que caminharemos sem tropeções pois, "é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho" (v. 105).

A constante e atenta meditação da Palavra de Deus nos livrará de sérios transtornos e erros na vida. Quando os saduceus tentaram uma pegadinha com Jesus a respeito da ressurreição, a resposta que tiveram foi: "Vocês estão enganados!, pois não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus" (Mc12:24). Não conhecer a Palavra de Deus certamente nos levará a erros e ao não conhecimento do seu poder. Só a Bíblia pode saciar nossa sede de Deus.

Outra maneira para nos saciarmos de Deus é oferecida por Paulo: "Orai sem cessar" (1 Ts 5:17). Não são muitos os que podem dizer que não vivem sem oração, infelizmente. A oração deveria fazer parte da nossa vida como faz a respiração. É com ela que nos colocamos diante de Deus em posição de necessitados da sua presença, de pequenos como somos e dependentes dele para todas as coisas. Mas, muitas vezes achamos que somos suficientes e não necessitamos da ajuda dele para algumas coisas, ou pensamos que não precisamos incomodá-lo com pequenas coisas. A falta de oração nos torna frios, e a volta a uma vida de oração não é simples. Só a graça de Deus, seu grande amor, e sua tremenda paciência conosco, para nos fazer voltar.

Eu ficarei ainda mais dois dias sem meu celular, pois estou viajando, estou longe de casa e ainda sofrerei com a falta de contato. Mesmo que ficasse muitos dias, ainda assim, tenho certeza absoluta que não seria o fim. Mas ficar muito tempo sem a presença, sem contato com Deus, pode significar a morte para mim. Luto contra minha má vontade, que tenta colocar outras prioridades no meu caminho, para me afastar da busca diária por Deus. Como Paulo, "Esmurro meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo ser desqualificado" (1 Co 9:27).

Sei que Deus conhece nossa dificuldade para sermos constantes, pois ele falou sobre o povo escolhido: "Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer-me e para obedecer a todos os meus mandamentos. Assim tudo iria bem com eles e seus descendentes para sempre" (Dt 5:29). Ele conhece bem suas criaturas. Mas fico muito animado quando vejo o que acontece com os que conseguem: "O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo" (Ex 33:11), e " Moisés não sabia que o seu rosto resplandecia por ter conversado com o Senhor" (Ex 34:29). Imagina! Consegue imaginar isso acontecendo com você?

Estou sem meu celular, pois o deixei em minha casa e não tenho como acessá-lo. Por isso só vou parar de sentir essa falta daqui a dois dias. Mas Deus está disponível sempre que precisarmos: "Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês, declara o Senhor" (Jr 29: 13:14).

Abstinência é o ato de se privar de algo, em geral fazendo com que o indivíduo cesse um determinado comportamento. Não quero me privar de Deus, por que meu comportamento, consequentemente, irá mudar para pior. Então, abstinência de Deus, nunca mais!

11 de fev de 2017

Natural

Natural, segundo os dicionários, “é aquilo que segue a ordem regular das coisas; que é conforme a natureza”. Sendo assim, sou levado a crer que natural é:
  • encontrar deliciosas mangas em uma mangueira;
  • encontrar bananas na bananeira;
  • ver o majestoso leão e a serena leoa ter filhotes, que são leõezinhos;
  • o sol raiar pela manhã e sumir por detrás das montanhas ao entardecer, para dar lugar a noite;
  • um homem, da espécie masculina, e uma mulher, da espécie feminina, namorar, casar e ter filhos.

Estas coisas são naturais, pois seguem a ordem regular das coisas; são conforme a natureza.

Ontem por uns dez minutos eu fiquei observando uma cena e tentando encontrar naturalidade nela. Duas meninas com idade entre 14 e, no máximo, 17 anos, em um lugar público, com um movimento considerável de pessoas para lá e para cá, namoravam como se fosse a coisa mais natural do mundo. Carinhos e longos beijos na boca, no rosto, afagos e tudo mais que um casal de namorados, macho e fêmea, normalmente faria. Será que seus pais sabem? Talvez sim.

Perdoem-me os que acham isso natural, mas eu não vi nada de natural naquilo. Talvez minha inteligência seja lesada demais para alcançar tal conceito. Peço aos que defendem os direitos dos que praticam esse modelo, que me permitam exercer meu direito de pensar contrario. Perdoem a minha incapacidade de ver naturalidade em um comportamento que no meu entendimento, não está em conformidade com a ordem natural das coisas.

Onde está “O côncavo e o convexo” cantado nos versos de Roberto Carlos:
“Como manda a receita
Nossas curvas se acham
Nossas formas se encaixam
Na medida perfeita.
            (...)
Cada parte de nós
Tem a forma ideal
Quando juntas estão,
Coincidência total
Do côncavo e convexo
Assim é nosso amor,”

Ele é o “cara”, não é? Então sabe bem disso. Isto é natural, o encaixe perfeito do côncavo e o convexo. A formação perfeita com todos os encaixes “originais de fabrica”. Sem nenhuma “carenagem” adaptada ao modelo original.

Antes de qualquer coisa, sou totalmente contrário a todo e qualquer tipo de violência com quem expressa sua forma de pensar nas ruas. Até porque, se formos agir com violência contra todos aqueles que agem de maneira que não concordamos o mundo se tornaria um verdadeiro caos. Imagine seu eu saísse por ai chutando aqueles que fumam e jogam sua fumaça no ar que eu respiro; se fossemos atacar violentamente aqueles que andam por ai roubando, matando, estuprando, mentindo, entre outras coisas que fogem completamente do natural. Não pode ser assim.

Como cristão, sou obrigado a entender e ver com muito amor e compaixão o que está acontecendo. Olhando para a Bíblia vejo que esse comportamento não é uma novidade de nossos dias. Paulo em sua carta aos cristãos de Roma disse que “até as mulheres trocam as relações naturais pelas que são contra a natureza. E também os homens deixam as relações naturais com as mulheres e se queimam de paixão uns pelos outros...” (Rm 1:26, 27). Então essa pratica é bem antiga, mas isso não a torna natural.

A Bíblia ensina que o Diabo perverte as coisas de Deus. Posso quase ver a astuta serpente maliciosa, se esgueirando por ai soprando com sua voz sibilosa, como aquela do desenho Mogli, nos ouvidos incautos: “Que nada. Não liga para Ele não. Vamossss bagunçar esssse mundinho ssssem graça, todo arrumadinho, ssssem charme e monótono que Ele criou. Vamossss virar esssse mundo de cabeça para baixo. Vamossss tocar o terror. SSSSem essssa de ordem natural dasss coissssasss”.

Eva ouviu, e pagamos o preço. Aliás, Jesus Cristo pagou o preço.

A partir do momento que Eva deu ouvidos a serpente, abriu-se um caminho para que algumas coisas se tornassem “naturais” pela sua frequência.

Então, hoje, “se tornou natural”:
  • Passar com um carro ou uma moto num lugar onde há um grupo de pessoas e sair atirando, matando pessoas, incendiando ônibus, só para “tocar terror”, em represália a alguma ação da policia;
  • A policia entrar nas comunidades atirando para todos os lados, matando alguns inocentes;
  • Os politiqueiros do nosso país se corromperem, descaradamente, ao primeiro sinal de propina para detonar o dinheiro público, que deveria vir para a saúde, educação, saneamento básico e pagar os salários dos funcionários públicos, entre outras coisas; e muitos ainda concordam quando dizem: “se roubassem mas fizessem alguma coisa”
  • Ver um grupo enorme de pessoas se matando pelas calçadas da cidade com o crack e o poder público incompetente para cuidar desse problema;
  • Pais abusarem sexualmente de suas filhas;
  • Ver os “donos” de igrejas se entupirem de dinheiro à custa da boa fé das pessoas;
  • Homem com homem, mulher com mulher;
  • Muita comida sendo jogada fora nas casas, nos restaurantes, nos mercados, enquanto na rua ao lado tem gente passando fome;
  • O desmatamento ganancioso e irresponsável que destrói o nosso ecossistema, ou a caça predatória que extingue nossos animais.

Hoje temos que nos equilibrar numa corda bamba entre o que “é natural” e o que “se tornou natural”. Por vezes é quase impossível resistir ao que “se tornou natural”, tamanha é a pressão que sofremos de todos os lados. Mas vale lembrar a palavra de Cristo aos seus discípulos: “Gente má e sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei que aguentá-los?” (Mt 17:17).

Mesmo não concordando com os que praticam a forma que “se tornou natural”, ainda assim devo amá-los muito. Não concordo com suas práticas, mas amo-os da mesma forma que Cristo me ama, pois Ele também os ama com a mesma intensidade que me ama. E, afinal, como escreveu Philip Yancey, “a única esperança para qualquer um de nós, independentemente de nossos pecados particulares, reside na inabalável confiança num Deus que inexplicavelmente ama pecadores, inclusive aqueles que pecam de maneiras diferentes das nossas”.

4 de jan de 2017

Promessas

No dia 31 de janeiro de 2017 completarei 30 anos de casado com Ana. Posso dizer que com certeza temos um casamento feliz. Nestes tantos anos muitas coisas aconteceram. Não foram anos de tranquilidade sempre. Como em todo bom relacionamento, vários foram os instantes de desencontros. Mas, de alguma maneira, passamos por todos eles e saímos fortalecidos. Quando penso em tudo isso, recordo-me daquele 31 de janeiro 1987, quando prometemos um para o outro que nos amaríamos na tristeza e na alegria, na doença e na saúde, enfim, em todas e quaisquer circunstancias que surgissem.

No decorrer deste ano, 2016, isto ficou bem claro para mim. Em junho passei por uma cirurgia para retirada de um tumor maligno na parótida. Dai vieram 33 aplicações de radioterapia. Todo os dias as 22:30 tínhamos que ir para Botafogo. Alguns dias saiamos de lá quase meia noite. Em todos esses processos Ana esteve comigo lado a lado. Alguns dias percebia que ela estava cansada, pois além disso, tinha que trabalhar e ainda estava envolvida em algumas atividades na igreja. Não seria Ana se não fosse assim. Ela é intensa em tudo que faz, e quase sempre esta fazendo muitas coisas.

As vezes, penso que não fiz nada que merecesse essa mulher que Deus me deu. Nesses momentos, ele me diz que sorte a minha que não é por merecimento. Que bom, pois, senão, eu estaria perdido. 

Mas, tudo isso foi dito por um motivo. Estamos no inicio do ano. E como sempre, nestes dias somos levados pela pressão coletiva a fazer uma serie de promessas para o ano novo. Nos nossos cultos de virada de ano, normalmente fazemos um quantidade de promessas diante de Deus que quase sabemos que não vamos cumpri-las. O sábio autor do livro de Eclesiastes alerta: "Quando você fizer uma promessa a Deus, cumpra logo essa promessa. Ele não gosta de tolos; portanto, faça o que prometeu. É melhor não prometer nada do que fazer uma promessa e não cumprir" (Ec 5:5).

Então, neste novo ano que se inicia, cuidado com as suas promessas, principalmente se feitas diante de Deus. Pense bem antes de fazê-las. E, se você é casado, e se casou diante de Deus, lembre-se das suas promessas no altar. Reflita bem e veja se você esta sendo fiel cumpridor delas. Para Deus, o casamento continua sendo eterno.

Minha oração é que, neste ano, você seja um "pagador de promessas". Para que o seu novo ano seja inesquecível. E que o seu casamento dure até que a morte os separem, e que sejam felizes, sempre.