Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

4 de nov de 2016

Quanto custa ir para o céu?

Há tempos entrei num banco próximo a minha casa e deparei-me com uma imagem que me fez sorrir. Havia um belo crucifixo pendurado numa das paredes e logo abaixo dele uma plaqueta que dizia: Retire aqui sua senha. Ao lado um aparelho emissor de senhas. Era para a fila de idosos.

Meu primeiro pensamento foi: será que é senha para ir para o céu? Se for prefiro esperar e pegar a ultima. Não tenho muita pressa. Mas isso é coisa da minha cabeça. Sou meio esquisito. Tenho esses pensamentos, mas me divirto com eles.

Para completar, esta semana vejo uma placa que me retorna o pensamento a situação no banco. A placa dizia com letras destacadas: “Porta do Céu”. Logo abaixo em letras menores a inscrição: “Veja os preços abaixo”. É claro que mais uma vez tive que sorrir.

Vou explicar.

No Rio de Janeiro há uma comunidade que se chama Cidade de Deus. As ruas desta comunidade são conhecidas por nomes bíblicos. A “porta do céu” seria uma das entradas e lá tem um serviço de motoboys que transportam as pessoas para dentro da comunidade, e cada localidade tem um valor diferente.

Infelizmente existem pessoas que realmente procuram comprar uma entrada para o céu. Existem igrejas que, direta ou indiretamente, têm estipulado preço para alcançar o céu. As bênçãos divinas viraram um comercio desenfreado em nossos arraiais. Benção maior, preço maior.

Não vejo nenhum testemunho de pessoas que mesmo dando grandes ofertas, sofrem algum tipo de dificuldade, mas continua fiel. Sempre o esquema é o mesmo: conheci a igreja tal, do pastor ou apostolo tal, passei a ofertar regularmente e hoje sou milionário. Fico pensando nas pessoas que frequentam igrejas há muitos anos, são fieis dizimistas, vivem uma vida correta diante de Deus, mas não ficam ricas, sofrem alguma enfermidade, tem problemas familiares ou coisas parecidas.

Comprar bênçãos não é nenhuma novidade. Geoffrey Blainey, em seu livro "Uma Breve História do Cristianismo" (Ed. Fundamento) conta que "O tratamento dispensado pela igreja aos pecadores seguia uma fórmula: o pecador em busca do perdão confessava o pecado a um padre, que prometia absolvição, desde que cumprida a pena apropriada. Talvez o padre recomendasse orações, a pratica de uma boa ação ou o pagamento em dinheiro", e mais a frente ele diz que "O papa Leão X criou uma venda ainda mais ousada. Em 1515, a bula papal oferecia indulgências para financiar a construção da nova igreja de São Pedro, em Roma. O príncipe Alberto, também arcebispo da cidade de Mainz, indicou agentes para conceder essas indulgências, geralmente em troca de uma quantia de dinheiro. (...) a quantia era estipulada de acordo com os ganhos dos pagantes. (...) Na verdade, parte do dinheiro arrecadado ia para banqueiros alemães, a família Fugger, como pagamento de um empréstimo."

O autor do livro bíblico II Reis, conta a história de Naamã. O capitulo 5 começa informando que ele era comandante do exercito sírio e que era respeitado e honrado pelo rei, pois era um vitorioso. Porém, traz uma informação bem ruim ao final do versículo 1: “Mas esse grande guerreiro era leproso”.

A história continua e diz que ele vai procurar um servo de Deus, indicado por uma menina que servia sua esposa. Este servo de Deus era Eliseu. Ao chegar oferece "trezentos e cinquenta quilos de prata, setenta e dois quilos de ouro e dez mudas de roupas finas" (II Rs 5:5). O texto sagrado revela a atitude de Eliseu diante da oferta que certamente encantaria a muitos ditos servos de Deus hoje: "Juro pelo nome do Senhor, a quem sirvo, que nada aceitarei" (II Rs 5:16).

Mas apesar de tudo, chegar ao céu realmente tem um preço. Nas palavras de Dietrich Bonhoeffer "A graça não é barata, custou o sangue de Cristo". Pedro nos fornece o aval para esta frase: "Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo" (I Pé 1:18,19).

Então, o preço já foi pago. Não há necessidade de pagarmos mais nada, nem fazermos sacrifício algum. Não há nada que façamos que nos sirva como pagamento para irmos para céu, sermos salvos. O que teria que ser feito, já foi feito. Cristo já pagou por nós.


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