Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

11 de set de 2012

11 de Setembro



“Quando vi a dedicação das equipes de resgate, com muitos deles ainda cavando após dez dias, disse mais uma vez: ‘Não pode ser!’. Trabalhavam com as mãos sangrando e os pés cobertos de bolhas, pois havia bombeiros, seus companheiros, soterrados sobre pilhas de metal retorcido. Como posso descrever o que era estar com eles, olhar dentro dos seus olhos e ver a união profunda da completa exaustão com uma determinação inflexível? Havia centenas e centenas deles. Eu me senti despedaçado, querendo segurá-los pelos ombros e dizer: ‘Por favor, pare. Você precisa descansar. Você precisa ir para casa’; e ao mesmo tempo queria lhes tocar e dizer: ‘Não desista! Se eu estivesse debaixo daquela pilha de destruição, ia querer alguém como você cavando por mim’.”

O texto acima é de Bill Hybels sobre sua experiência na visita que fez ao que restou do World Trade Center descrita no livro “Liderança Corajosa”. Enquanto lia este texto imaginava as cenas que ele presenciava, seu desespero, que só lhe permitia falar uma frase: “Não pode ser”. E como ele, fiquei impressionado também, quando esta tragédia aconteceu, com os limites a que pode chegar a crueldade do ser humano.

Porém, o que quero tratar aqui não é da sombra de maldade sobre o ser humano, mas sim dos extensos limites da bondade humana. Ver toda a multidão que se prontificou a ajudar numa situação tão escabrosa, e até mesmo com riscos para própria vida, é algo que nos faz sentir que há sim uma solução para o nosso mundo. Lendo sobre pessoas tão aferradas ao desejo de salvar outras daqueles escombros, lembrei-me da carta de Judas que descreve o estado de perdição da humanidade e, na mesma carta, insta para os cristãos conservarem sua fé, sua esperança em Deus e buscarem a maturidade, o crescimento espiritual em oração com um objetivo: “salvai-os, arrebatando-os do fogo” (Jd 23).

O trabalho incansável daquelas pessoas do 11 de setembro de 2001 pode ser um exemplo daquilo que Jesus Cristo tinha em mente quando ordenou: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28:19). Creio que Judas entendeu perfeitamente a sugestão de Jesus para arrebatar todas as pessoas do fogo. Para arrebatar alguém do fogo, no meu entendimento, é entrar no fogo se preciso for; queimar-se; machucar-se; correr riscos até mesmo de morrer, se for o caso, mas não desistir. Manter a esperança acesa enquanto houver uma mínima possibilidade.

Sério, eu estou envergonhado. Não sei quanto a você, mas eu tenho falhado muito nisso. Não sei se atingir este volume, esta intensidade de mergulhar até as últimas consequências é fruto de um dom especial para evangelização, não sei. Evangelizar até onde entendo é algo que todos nós discípulos de Cristo devemos fazer. Não houve uma opção para que só alguns fizessem. Jesus não escolheu aqueles discípulos que oravam mais, que liam mais a Bíblia com ele, que leram muitos livros sobre a “arte de evangelizar”, que participaram dos vários seminários de evangelização e discipulado; não foram os que mais aprenderam sobre conquistar, consolidar e enviar. Provavelmente Jesus sabia que entre os seus discípulos havia um ou outro que talvez não fosse tão capaz quanto outros. Nenhum grupo é homogêneo. Ele simplesmente deu a ordem de igual modo para todos, mas certamente ele sabia que alguns iriam arriscar a própria vida por aquilo e outros nem tanto.

Então qual é o segredo?

Talvez o segredo seja o compromisso. Creio que para Deus não importa o grau de periculosidade que você correrá para salvar alguns do fogo, mas o compromisso na execução da tarefa dada por ele. Ele não está nem um pouco preocupado com quantas faculdades você já terminou; quantas vezes, quantas versões ou em quantas línguas você já leu a Bíblia; não importa quantos livros sobre evangelismo há na sua biblioteca e que já foram lidos, decupados e revirados por você. Não, nada disso importa para Deus. Ele não precisa disso. É lógico que se você tem tudo isso e não achar que só isso é suficiente, ou que só isso o torna capaz de conquistar, discipular e soltar para continuar a grande progressão geométrica de conquista, Deus pode usar sua capacidade adquirida em prol da tarefa, mas pode ter certeza, Ele não precisa disso.

Ele quer é um coração que esteja disposto a, se preciso for, estourar as mãos retirando entulhos colocados pelo mundo que sufocam as pessoas; retirar os ferros retorcidos que distorcem a visão das pessoas sobre o amor de Deus; retirar toda a poeira levantada por Satanás que cegam os olhos daqueles que andam cambaleantes pela vida sem direção, ou melhor, indo em direção ao inferno. Deus também quer aqueles que estejam dispostos a ficarem nos arredores alimentando os famintos que saem dos escombros; aqueles que ficam nos hospitais curando as feridas que os escombros da vida produziram em outras pessoas, algumas que levam dias, meses ou anos para serem curadas. Todos, indiferentemente da profundidade, ou dos riscos a serem corridos. Todos que quiserem comprometer-se a cumprir a única ordem deixada por aquele que machucou as mãos, os pés, a cabeça, o corpo todo, que não mediu esforços para salvar a todos do fogo, Jesus Cristo.

A grande catástrofe espiritual está acontecendo aqui e agora. Tem muita gente esperando por socorro. Eu sou um voluntário. E você?

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