Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

25 de set de 2012

Por uma adoração sincera e espontânea.




Uma igreja, em uma das principais avenidas do Rio de Janeiro, botou uma placa: “Drive Thru de Oração”. Minha imaginação voou e eu criei a cena:

Você entra com seu carro e para no primeiro guichê onde está escrito “CAIXA”. Uma jovem atendente pergunta:
- Oração de quanto o senhor vai estar querendo?
Ai você responde com uma pergunta:
- Pode ser de R$ 1,00?
Ela diz que sim enquanto registra e te manda para o próximo guichê, onde outra pessoa te atende.
- Vou estar fazendo sua oração de R$ 1,00, senhor.
Ela fecha apenas um olho e ora com uma voz que quase não se ouve.
- Venha estar lendo os pensamentos deste mendigo, Senhor. Amém. Próximo por favor. Vamos senhor, tenho que estar fazendo uma oração de R$ 100,00 para o cliente ai atrás.

Você sai meio sem entender. É claro que para a oração de R$100,00 saem 10 pessoas lá de dentro, cercam o carro do cliente, jogam um óleo ungido no carro e no motorista. O responsável pela oração, agora do lado de fora, sobe num banquinho forrado com veludo vermelho, com detalhes em dourado, levanta as duas mãos, imposta a voz e faz uma oração de trinta minutos.

Por favor, o Drive Thru de Oração realmente existe, mas a cena acima é só fruto da minha imaginação. Tomara que não vire moda, mas algumas coisas que tem acontecido nas igrejas, pelo menos para mim, são muito chatas.

Virou uma mania eclesiástica a ordem para que todos olhem para alguém ao lado e diga: “blablablabla”. Então o povo meio sem graça olha para alguém e diz: “blablabla”. O cara às vezes não está com a menor vontade de fazer isso, mas faz para não ficar parecendo um ET.

Outra mania que brotou em algum lugar, e se espalhou rapidamente, é a tal frase: “Você pode falar blablabla?”. O povo repete meio sem vontade: “blablabla”. Aí ouvimos: “Vocês não comeram hoje? Falem mais forte!”. E todos novamente, com um pouco mais de emoção: “BLABLABLA”. Eu fico pensando: “Será que ele, ou ela, pensa que eu sou algum debiloide que não posso repetir uma frase tão simples? Seria uma aula para principiantes?” É muito chato isso.
Se estas duas situações acima acontecessem uma ou duas vezes no máximo seria aturável, mas normalmente acontecem várias vezes. É cansativo demais.

Outra coisa que me incomoda é a má vontade de cantar músicas antigas, pois “são antiquadas”. Pelo amor de Deus, louvor perde o tempo? Outro dia ouvi uma pessoa aconselhando outra para não convidar o grupo A para um evento, pois já estava meio fora de moda, e chamar o cantor B porque ele enche a igreja. Tragam o ídolo para os idólatras virem à igreja.

“Você pode bater palmas para Jesus?”. É outra mania. Sei de um ator brasileiro que gosta de pedir aplausos para ele, mas Jesus? Ele nunca quis isso. Pelo contrário, ele não queria os holofotes em sua direção. Na multiplicação dos cinco pães e dois peixinhos (Jo 6: 1 a 15), depois de saciar a fome da multidão, “sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei à força, retirou-se novamente sozinho para o monte” (v.15). Antes que batessem palmas para ele, vazou fora.

Outra coisa chata. Os dirigentes de louvor quando estão ministrando pregam quase mais tempo do que o pregador convidado. O cara prega entre um cântico e outro e, durante o cântico, os instrumentos ficam tocando baixinho e tome mais “ministração”, como se fosse uma indução psicológica ou hipnótica, sei lá. Às vezes fico na dúvida se ele/ela está orando ou pregando, nunca sei. Canta-se duas horas, e sobram cinco minutos para a mensagem. O pior é que normalmente as palavras ditas pelo “ministrador” são as mesmas que algum cantor gospel falou durante a gravação do CD ou DVD. Eu não compro CD/DVD com essas coisas.

Sei que muitos não aguentaram chegar até este ponto do texto. Já abandonaram a leitura e estão orando e pedindo que um vírus invada meu computador e acabe com este texto. Ou até mesmo que destrua o meu blog.  Entre os que chegaram até aqui, muitos estão de joelhos orando por mim, para que este espírito de não sei o que me abandone.

Mas não se preocupem. Eu sou batista. Fui tradicional quase xiita, mas aos poucos fui mudando, me libertando, e hoje já faço parte do grupo tradicional light. Já deixei de lado um monte de coisas que me prendiam. Já abandonei aquelas tantas regras que faziam parecer um robô na adoração. Já bato palmas, levanto as mãos e até danço um pouquinho, às vezes, entre outras coisas.

 Gosto da expressão de louvor que é espontânea, que surge de um sentimento natural, sem constrangimentos, sincero e voluntário. Isto sim é expressão de louvor e não uma mera repetição de atos pedidos ou ordenados por um líder de louvor, pregador, ou “ministrador”, que teimam em nos transformar em papagaios de pirata, para estar na nova “moda gospel”.

Não estou preocupado comigo. Já reforcei a blindagem do meu telhado de vidro. Podem jogar todas as pedras que quiserem. Extravase sua raiva, faz bem a saúde. Estou pensando nas pessoas que entram numa igreja pela primeira vez e encontram alguns rituais vazios, que desencorajam uma segunda visita.

Infelizmente, para parecer diferente “das outras”, vamos inventando uma série de coisas que acabam virando moda e quem não usa está fora do espírito. Parecemos os fariseus tão criticados por Cristo por sua adoração hipócrita.

Estou cheio de “teatro” na igreja, por isso me recuso a fazer qualquer gesto que não sinta que o Espírito Santo me leve a fazer. Farei qualquer gesto que ele quiser. Até “plantar bananeira”. Mas não moverei um musculo sequer para fazer aquilo que não sinto vontade. Pode me olhar com cara feia, pode me achar um ET, pode pensar o que quiser. Não me importo. Quero ser livre para viver o que o Espírito Santo me pedir, e não seguir os modismos CHATOS, que surgem todos os dias.

Se você está comigo, beleza. Se não, me perdoe. Continue louvando como você gosta, e me deixe louvar como eu quiser. O autor da carta aos hebreus afirma que “todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4:13). Eu irei prestar contas a quem de direito.

(Se você chegou até este ponto do texto e está de mãos para cima, agradecendo a Deus por que até que enfim alguém resolveu botar a cara para bater, e tem outras coisas que te chateiam na igreja que não estão aqui, clique em comentar, logo abaixo do texto, e diga o que é. Aumente nossa lista).

Observações:
  1. É, parece que está virando moda. Depois que escrevi o texto descobri que o tal “Drive Thru de Oração” não é mais nenhuma novidade. Outras igrejas já fizeram ou fazem isso no Brasil. Pior, descobri que é uma “bela ideia” copiada de uma igreja nos EUA. Só podia ser.
  2.  A foto que esta no alto do texto é de uma igreja em Brasília.
  3. Acesse também os links abaixo.
 
http://www.youtube.com/watch?v=DQgYjBXEpd4&feature=relmfu

http://www.youtube.com/watch?v=SaCRDrNMJgg

Um comentário:

  1. Concordo em gênero, número e grau.
    Sempre que entro em alguma igreja fico torcendo pra nâo passas por isso. É uma prática que nâo respeita as diferenças individuais em termos de temperamento (introversâo, extroversâo) e gera constrangimento, dificultando a volta do não crente.
    Hoje no "cardápio" eclesiástico se oferece tantas "guloseimas" que por vezes falta o bom e velho feijão com arroz.

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