Que bom que você veio!!


Que bom que você veio!!
Quero escrever textos que nos ajudem a entender um pouco mais daquilo que Deus tem para nós, para falarmos uma mesma linguagem. Não tenho o objetivo de ser profundo, nem teológico, nem filosófico, nada disso. Quero dizer coisas simples que pululam em minha mente, sempre atento para não contradizer em nada a minha fé, ou o que creio ser a vontade de Deus.
No mês de Agosto/12 há um texto que explica o significado e o porquê do nome Xibolete.

1 de mar de 2013

Apelidos


Durante uns seis anos eu prestei serviços no Projac, no Rio de Janeiro. Lembro-me de um dia quando me pediram para ir buscar o Genivaldo. Fui para o endereço fornecido, mas não conseguia encontrar a casa. Parei em um bar onde havia alguns homens e perguntei se algum deles sabia onde ele morava. Eles olharam uns para os outros com caras de interrogação até que um falou: “Olha, eu moro aqui há muitos anos e não conheço nenhum Genivaldo nesta rua. Tem certeza que é este o nome, ou que é nesta rua mesmo?”.

O que parecia tão fácil começara a ficar enrolado. Confirmei o nome da rua, era aquela mesma.

“Como é esse cara? O que ele faz?” perguntou alguém. Eu disse que ele não tinha uma das pernas e,... Mal acabei minha frase e ouvi um coro de vozes falando ao mesmo tempo: “É o Saci!”. Eu disse que era e apontaram a casa em frente ao bar. Eu estava na porta do Genivaldo, só que o Genivaldo agora era o Saci. Ele era o dublê do Saci no Sitio do Pica-Pau Amarelo, produção que eu trabalhava.

Isto é uma coisa que acontece com muita gente. Alguma coisa se torna uma marca tão evidente em suas vidas que elas passam a ser conhecidas mais por aquilo do que por seu próprio nome. Pode ser uma marca, uma cicatriz, um cacoete, ou sei lá o que, fica tão evidente que se torna uma forma de identificar. Você com certeza conhece alguém que é o “gordo”, ou “dentuço”, ou “orelha”, ou “pato rouco”. Conheci um cara que era chamado de “mentirinha”, por causa das suas pernas curtinhas. Em minha família, os quatro filhos mais velhos não tivemos apelidos; as mais novas, gêmeas, chamamos uma de “Dinha” e a outra de “Preta”. Quando alguém usa o nome delas fico pensando: “Quem será?”.

A Bíblia fala de um apelido bem antigo que acabou virando uma marca agradável, que eu e você com certeza teríamos muita alegria de ser chamado por ele.

Após morte de Estevão os seguidores de Cristo espalharam-se por vários lugares fugindo da grande perseguição que se levantava. Os que foram para Antioquia começaram a pregar o evangelho para todos e testemunhavam de Cristo aonde iam e, com isso, um grande movimento de pessoas em direção ao evangelho aconteceu. Quando a igreja que estava em Jerusalém soube disso enviou Barnabé para ver o que estava acontecendo. “Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo coração” (At 11:23).

Aqueles seguidores de Cristo viviam de maneira que a graça de Deus era palpável, visível. Isso encantou Barnabé. Suas vidas levavam o povo a ver a vida de Cristo. Eles olhavam para aquelas pessoas e percebiam nelas uma identificação clara com a vida e os ensinamentos de Cristo. Não eram apenas papagaios repetindo o que o pastor falava, ou contando vitórias dos outros, mas eram pessoas que viviam o que pregavam e pregavam aquilo que viviam. Havia coerência entre vida e fala.

Mas quem era esse Cristo? Alguém que havia acabado de morrer de forma tão trágica e vexatória. Morrera como um grande inimigo público. Essa era a visão daqueles que não seguiam a Cristo, e, penso eu, por isso procuraram um meio de zombar daqueles loucos que seguiam os ensinos daquele perdedor. E o melhor que puderam fazer foi chama-los de “cristãos”, conforme registrado por Lucas: “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados de cristãos” (At 11:26). Pronto, estavam alcunhados. Estavam marcados para sofrerem zombaria. Era o bullying da moda.

Mas ninguém reclamou. Muito pelo contrário. Para aquelas pessoas, os seguidores de Cristo, era um prazer serem chamados de cristãos. Isso demonstrava que suas atitudes estavam corretas e que eles poderiam continuar vivendo assim. Seu desejo de parecer com Cristo era autenticado em cada grito de “CRISTÃO!!!!”, que eles ouviam. Aquilo soava como uma doce e prazerosa canção aos seus ouvidos. O apelido virou elogio. Suas vidas refletiam Cristo, e isso era tudo que eles queriam que os outros percebessem. Havia uma marca cravada em suas vidas que os tornaram diferentes e por isso seus nomes mudaram. Agora os Barnabés, os Estevãos, os Paulos, os Lucas, os Pedros, tinham outro nome pelo qual eram conhecidos: CRISTÃO. Isso era maravilhoso.

Este apelido atravessou os séculos e ainda hoje ele é usado.

Para muitos ainda é uma forma jocosa de indicar alguém. Talvez mais do que naquela época, os cristãos hoje sejam mais motivos de zombaria, pois em plena era moderna só mesmo um “bando de ignorantes” para acreditar em tais coisas.

Para outros, ser chamado de cristão é uma afronta para o significado da palavra. Eles vivem enfiados nas igrejas em busca de proteção para suas vidas medíocres, e imitam os cristãos e até enganam muita gente. A Deus não.

Para outros continua sendo um elogio. Por mais que eles acreditem que não mereçam ser chamados de cristãos, se isso acontece, é porque, talvez, apenas uma pontinha bem pequena da sua vida já esteja refletindo aquilo que Cristo quer. Então ele se alegra por saber que seu esforço tem valido a pena, e isso serve de motivação para continuar sua entrega total, para que a cada dia Cristo o transforme mais e mais na imagem e semelhança perdida por causa do pecado.

Alguma coisa, sem dúvida, sobressai em você e isso diz o que você é, ou se tornou. Se você estivesse em Antioquia, sua vida contribuiria para que o nome de cristão aparecesse? Será que lhe dariam esse apelido?

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